Bom ozono, mau ozono
Entendo o estado de confusão de muita gente que ao agarrar o jornal ou ao ligar o telejornal, se depara dia sim, dia não com notícias sobre o ozono. Nos dias sim, as notícias falam do buraco na camada de ozono que está a deixar passar os perigosos raios ultra-violeta (UV) responsáveis por um grande aumento no número de cancros de pele; nos dias não falam de quão grave é a poluição por ozono, que causa inúmeros problemas à nossa saúde. Afinal em que ficamos? O ozono é bom ou mau?A resposta é: depende de onde ele está.
O bom ozono:
O ozono é uma molécula relativamente simples, constituída por três átomos de oxigénio (O3), que existe na atmosfera, em particular na estratosfera, sob a forma de gás. A camada de ozono desempenha um papel protector, funcionando como um filtro que absorve grande parte da radiação UV. Esta camada, que se manteve relativamente inalterada por milhões de anos, sofreu uma rápida degradação, tornada evidente pelos chamados buracos na camada de ozono. Os culpados pela degradação são os clorofluorcarbonetos (CFC) que durante muito tempo utilizámos em sprays, frigoríficos e aparelhos de ar condicionado e que hoje em dia estão banidos dos países chamados desenvolvidos. No entanto, os CFC têm uma elevada persistência, permanecendo na atmosfera durante largos anos, o que quer dizer que, segundo as previsões, apenas em 2050 a camada de ozono vai recuperar para os níveis anteriores a 1980.
De qualquer forma, este é um caso de sucesso em que foi detectado um problema grave causado pelo Homem, foi apresentada uma solução e através de acordos internacionais foi possível contrariá-lo.
O mau ozono:
O ozono, que tanta falta faz na estratosfera, quando em excesso nas camadas inferiores da atmosfera é um poluente muito nocivo. Resulta de reacções químicas que envolvem substâncias como os óxidos de azoto e componentes orgânicos voláteis que são libertados pelos meios de transporte e pela indústria, sendo a sua produção mais intensa em dias de sol. Este gás tem como efeitos nocivos para a saúde a irritação de olhos, nariz e garganta e o agravamento de problemas respiratórios. Além disso, contribui para a degradação de alguns materiais como a borracha e é um dos principais causadores do smog.
Num recente artigo publicado na revista Nature, conclui-se que o ozono ao nível do solo danifica as plantas, afectando a sua capacidade de absorver dióxido de carbono (durante a fotossíntese), que como se sabe é um dos principais gases causadores do efeito de estufa. Assim, um aumento da concentração do ozono nas camadas baixas da atmosfera (que já duplicou desde o século XIX) terá como efeito uma redução da produtividade agrícola e um aumento da temperatura do planeta.
O que podemos fazer? Os conselhos do costume: andar a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, poupar energia e pressionar os governos para que invistam de forma séria nas energias alternativas.
Filipe
