Questão Nuclear

De vez em quando (sobretudo quando o preço do petróleo bate recordes) o bicho da energia nuclear volta a levantar a cabeça. Os argumentos são muitos, alguns até são válidos (nomeadamente o da menor emissão de CO2 por MW produzido), enquanto outros nem por isso (a energia só é mais barata se apenas utilizarmos os custos de construção e operação de uma central, se considerarmos os custos com o desmantelamento após o fim de vida o preço dispara, o consumo de água, recurso natural com tendência crescente para escassear no nosso país, é brutal).
Para aqueles que até consideram o nuclear como uma hipótese que Portugal deve considerar eu deixo dois pensamentos, ambos assentes em acontecimentos das últimas três semanas.
Acidentes acontecem - No final de Junho um incêndio numa central eléctrica alemã colocou uma região em estado de alerta. O incêndio foi causado por um "mal entendido" entre funcionários, não houve fuga de material radioativo. Ontem um sismo no Japão causou uma fuga de material radioativo para o mar, hoje afirmavam que a fuga tinha sido controlada sem danos para o ambiente (esta é difícil de explicar) mas poderia haver uma segunda fuga, fruto da queda de barris com lixo radioactivo.
Apesar de todas as medidas de segurança, será que estamos dispostos a viver com a sombra de um acidente nuclear a pairar sobre nós? É que mesmo com a melhor segurança acidentes acontecem.
Consumo - Uma outra notícia publicada ontem informava que o consumo de energia eléctrica continua a aumentar em Portugal. Para piorar a situação este aumento é transversal a todos os sectores, sendo que o consumo doméstico aumentou 10,8%. Existem estimativas que apontam para uma redução de 20% do consumo através da substituição de electrodomésticos antigos por outros mais eficientes, não existem estimativas para a redução causada pela mudança de comportamento dos portugueses. Não estamos a fazer tudo o que podemos para resolver os problemas energéticos do país e do mundo. De quem deveria partir promover uma maior redução do consumo (Estado, empresas, ONG, público em geral)? Devemos esperar que venham regras e leis de "cima" ou por outro lado devemos promover as nossas próprias mudanças individuais e depois reivindicar que os outros actores da sociedade portuguesa também o façam?
Pense nisto na próxima vez que ligar o ar condicionado.
Para aqueles que até consideram o nuclear como uma hipótese que Portugal deve considerar eu deixo dois pensamentos, ambos assentes em acontecimentos das últimas três semanas.
Acidentes acontecem - No final de Junho um incêndio numa central eléctrica alemã colocou uma região em estado de alerta. O incêndio foi causado por um "mal entendido" entre funcionários, não houve fuga de material radioativo. Ontem um sismo no Japão causou uma fuga de material radioativo para o mar, hoje afirmavam que a fuga tinha sido controlada sem danos para o ambiente (esta é difícil de explicar) mas poderia haver uma segunda fuga, fruto da queda de barris com lixo radioactivo.
Apesar de todas as medidas de segurança, será que estamos dispostos a viver com a sombra de um acidente nuclear a pairar sobre nós? É que mesmo com a melhor segurança acidentes acontecem.
Consumo - Uma outra notícia publicada ontem informava que o consumo de energia eléctrica continua a aumentar em Portugal. Para piorar a situação este aumento é transversal a todos os sectores, sendo que o consumo doméstico aumentou 10,8%. Existem estimativas que apontam para uma redução de 20% do consumo através da substituição de electrodomésticos antigos por outros mais eficientes, não existem estimativas para a redução causada pela mudança de comportamento dos portugueses. Não estamos a fazer tudo o que podemos para resolver os problemas energéticos do país e do mundo. De quem deveria partir promover uma maior redução do consumo (Estado, empresas, ONG, público em geral)? Devemos esperar que venham regras e leis de "cima" ou por outro lado devemos promover as nossas próprias mudanças individuais e depois reivindicar que os outros actores da sociedade portuguesa também o façam?
Pense nisto na próxima vez que ligar o ar condicionado.
Etiquetas: ambiente, Energia Nuclear, sustentabilidade

A energia nuclear não me convence,nem quero viver com essa ameaça a pairar sobre a minha vida.
Quanto à redução do consumo energético,todos devem colaborar,mas a iniciativa deve partir de cada um.Não podemos esperar que o estado faça leis para a redução do consumo e só depois façamos algo.Devemos exigir que tanto estado como empresas reduzam o consumo.Pequenos gestos não custam nada e podem ajudar muito para a redução do consumo de energia.
Ouvi recentemente uma notícia que dizia que 60% da energia gasta na casa dos portugueses é energia mal gasta.Ou seja,poderíamos reduzir o consumo de energia e dependência energética se pequenos gestos fossem adoptados.
É assim tão difícil desligar o computador quando se vai jantar ou desligar as luzes quando se sai de uma divisão?
Ainda há muitas mentalidades a mudar.Infelizmente...
Posted by
Ana |
19:06
Com efeito uma grande percentagem da energia gasta em casa é puro desperdício. Existem inúmeras razões para mudar os nossos padrões de consumo energético, se não for pelo ambiente, façam-no pela pátria (menor necessidade de importação de combustíveis ou de electricidade), para bater o pé à EDP (cada vez que há um aumento ouvem-se muitos protestos, passado um mês já todos se esqueceram e toca de aumentar o consumo) e simplesmente porque puro egoísmo (dá para poupar euros e pulmões).
Não me interessa a razão, desde que reduzam o consumo.
Posted by
Zé Luís |
12:28
Subscrevo o comentário do Zé Luís!
Em princípio tenho algumas dúvidas que uma central nuclear não seja economicamente viável (custos de CO2 não incluídos e spero que em breve esta "paranóia do CO2" diminua/desapareça, sou dos com muitas dúvidas sobre este o assunto das alterações climáticas). O que não compreendi no post inicial é porque é que se diz que uma central nuclear gasta muita água... normalmente estão localizadas em zonas de muita água porque que necessitam desta para arrefecimento! O balanço é quase neutro em termos entrada/saída embora possam haver problemas da água estar demasiado quente quanto reentrar no (eco)sistema. É uma questão de engenharia.
Se repararmos, a maioria das hidroeléctricas gasta muitíssima água que, após a conversão da sua energia potencial em energia eléctrica segue pura e simplesmente rio abaixo (claro que pode haver cascatas de hidroeléctricas e alguma água ainda ser usada para fins agrícolas/conumo humano.
Osvaldo Lucas
Posted by
Anónimo |
21:42
Caro Osvaldo
Em primeiro lugar penso que não lhe deveriam sobrar quaisquer dúvidas sobre as alterações climáticas, nos últimos anos não têm aparecido quaisquer artigos científicos (publicadas em revistas com peer review) que ponham em causa o aquecimento global e a contribuição antropogénica para o fenómeno (por outro lado temos visto uma quantidade de publicações sem revisão, muitas vezes financiadas por grupos com interesses económicos nos combustíveis fósseis, que fala de um alegado debate científico sobre a questão).
Em segundo lugar, quanto à questão das centrais nucleares, convém distinguir entre ?utilização? e ?consumo? de água. As centrais nucleares precisão de ?utilizar? água no seu funcionamento normal, sobretudo no arrefecimento e nas turbinas do gerador. A maioria da água pode ser devolvida ao ambiente (dependendo do tipo de sistema de arrefecimento, nos sistemas de ciclo fechado a água é arrefecida e reutilizada), a uma temperatura mais elevada e com impactos mais ou menos graves, dependendo da sensibilidade da área. No entanto qualquer central (as térmicas também) consome água em estado líquido, libertando quantidades muito significativas de vapor. Uma central nuclear consome entre 13 e 24 milhões de Litros de água por cada MW produzido. Para mais informações consulte o artigo ?Water requirements of nuclear power stations? em http://www.aph.gov.au/Library/Pubs/rn/2006-07/07rn12.pdf.
Cumprimentos
Posted by
Zé Luís |
12:05
Os valores estão errados.
De acordo com o documento, usando torres de arrefecimento, o consumo (perda por evaporação é de, no máximo, 2,725 m3 por MWh.
Os valores indicados são para uma potência de 1 MW a trabalhar 24 horas/dias, 365 dias/ano.
E são valores da mesma ordem de grandeza do que o consumo de água gasta na produção de electricidade por fontes convencionais (queima de combustível fóssil).
Sobre o aquecimento de origem antropogénica, fico à espera de um post específico sobre este assunto, mas caso ainda não conheça, pode dar sempre uma vista de olhos a http://mitos-climaticos.blogspot.com/ , e/ou ver as minhas opiniões sobre o assunto em http://www.sargacal.com/2007/07/12/nao-ha-relacao-entre-o-sol-e-o-aquecimento-global/
Osvaldo Lucas
Posted by
Anónimo |
15:31