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Transgénicos (parte I)

Há uns dias atrás, no Algarve, uma associação eco-terrorista destruiu um milheiral transgénico no Algarve. Embora discorde desta acção (ver post), reconheço que teve a virtude de trazer para as primeiras páginas o assunto das culturas geneticamente modificadas, um tema que claramente ainda não foi debatido suficientemente no nosso país (e no mundo). Devemos aproveitar a oportunidade para nos informarmos mais e exigirmos mais rigor nesta matéria tanto aos nossos governantes como aos meios de comunicação social que pouco fazem para esclarecer a opinião pública e para desfazer muitos dos mitos associados a esta prática agrícola.
Com a esperança de agitar a curiosidade e de provocar algum debate vou fazer aqui uma espécie de FAQ sobre organismos geneticamente modificados:

O que são organismos geneticamente modificados? E transgénicos?

Organismos geneticamente modificados (OGM) são aqueles cujo material genético foi deliberadamente alterado pelo ser humano através de técnicas de biotecnologia.
A transformação do genoma de uma planta ou animal pode ser feita utilizando apenas material genético que a espécie já possui, através da alteração de determinados genes ou da realização de cópias de genes de modo a duplicar o seu efeito. Alternativamente, pode-se inserir no genoma de um ser vivo, um ou mais genes de espécies diferentes. Os OGM que foram produzidos por este segundo método são chamados de transgénicos e o seu objectivo é conferir determinadas propriedades a um ser vivo que este anteriormente não possuía e que estão presentes noutra espécie.
Em Portugal generalizou-se o termo transgénico em detrimento da designação mais geral OGM, o que na maior parte dos casos até é correcto, já que a maioria de culturas geneticamente modificadas são de facto transgénicas.

Que tipos de OGM existem? E qual é a sua utilização?

Neste momento já se produzem OGM muito diversos, incluindo animais (dos ratos aos peixes), plantas, fungos, bactérias e outros microrganismos. As razões para a sua produção são igualmente variadas, desde uma aplicação puramente científica, uma vez que as técnicas da engenharia genética permitem responder a questões fundamentais sobre o funcionamento dos genes, à produção de produtos farmacêuticos. No entanto, neste momento a aplicação mais generalizada e polémica dos OGM é na agricultura.

Que efeitos se pretendem com as culturas agrícolas geneticamente modificadas?

Uma grande parte das culturas transgénicas é produzida de modo a ser tolerante a herbicidas, geralmente herbicidas de largo espectro. Este efeito resulta da introdução de um gene de uma bactéria do solo no material genético da planta. O que se pretende com esta técnica é matar todas as outras plantas da área, aumentando a produtividade da cultura. Normalmente, a semente transgénica é produzida pela mesma empresa que faz o herbicida ao qual ela resiste. É o caso da soja Roundup Ready que é imune ao agrotóxico Roundup, ambos produzidos pela multinacional Monsanto.
A seguir aos transgénicos resistentes a herbicidas, os mais comuns são os resistentes a insectos, nos quais se introduz na planta um gene de uma bactéria que é responsável pela produção de toxinas que afectam as lagartas que são pragas das plantas.
Outros efeitos são a produção de plantas estéreis, resistência a vírus, bactérias e fungos, alteração de propriedades da planta como a modificação do conteúdo nutricional, a alteração da cor de flores, a resistência a factores abióticos (secura, salinidade, etc.) e o aumento da longevidade após a colheita.

Quais são as principais culturas agrícolas geneticamente modificadas?

As principais culturas com OGM são a soja, o milho, o algodão e a colza. Outras culturas transgénicas são o tabaco, a chicória, a alfalfa, o trigo, o arroz, o melão, a papaia, a abóbora, o tomate, o girassol, a beterraba, as lentilhas e flores como o cravo.


No próximo post vou entrar realmente na polémica e falar das vantagens e desvantagens das culturas geneticamente modificadas.

Mini-glossário
Gene: Unidade funcional do ADN.
Genoma: Conjunto de todos os genes de um ser vivo.

Filipe

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