« Home | Transgénicos (parte I) » | Desmistificar o Blackle » | Ambientalistas? » | Corrida ao petróleo » | Negociação territorial » | Férias Terramater - último turno de Verão » | Aquecimento Global » | Contrastes » | Solar Shuttle, barco a energia solar » | Enciclopédia da Vida »

Transgénicos (parte II)

O incremento das culturas geneticamente modificadas tem provocado uma acesa polémica envolvendo cientistas, agricultores, ambientalistas, políticos, grupos económicos e os próprios consumidores. Para além das questões económicas, sociais, ambientais e de saúde, a produção de transgénicos levanta também questões de ética, sendo muito sensível a discussão sobre o direito que a espécie humana tem (ou não) de criar seres vivos desta forma, alterando o seu ADN de uma maneira que nunca aconteceria através de um processo natural.
É um tema em que não nos podemos sequer refugiar na suposta verdade ou neutralidade científica, uma vez que a própria comunidade científica está muito dividida. Por um lado os biotecnólogos defendem em bloco o uso de transgénicos, por outro lado os ecólogos alertam para os perigos desta técnica e aconselham prudência.

Argumentos a favor do uso de transgénicos

Os defensores dos OGM advogam que a produtividade da agricultura pode ser aumentada pela maior facilidade na eliminação de ervas daninhas e insectos prejudiciais e pela eliminação do risco de que os herbicidas danifiquem as próprias culturas como por vezes acontece com na agricultura convencional. Além disso, alguns dados apontam para que o uso de pesticidas seja inferior na agricultura com transgénicos do que na agricultura intensiva convencional, o que poderia gerar impactos negativos mais reduzidos. No entanto, muitas entidades questionam o rigor destes dados, em primeiro lugar porque já que as plantas cultivadas são resistentes aos herbicidas, se pode usar e abusar destes, e em segundo lugar porque inevitavelmente irão surgir ervas resistentes aos herbicidas e insectos capazes de se alimentar da planta transgénica.
Na minha opinião, o argumento mais válido para o uso de transgénicos é o de se poder passar a implementar culturas agrícolas onde antes era impossível devido a condições ambientais adversas (clima, solos pobres, falta de água), sobretudo nos países mais pobres. Isto, teoricamente, poderia ajudar a resolver, localmente, alguns problemas de fome e sub-nutrição das populações.
Outro argumento é o de se poder criar variantes dos produtos agrícolas com suplementos nutricionais, como é o caso do arroz dourado, uma variante à qual foram adicionados genes responsáveis pela produção de vitamina A. Assim, esperar-se-ia suprir carências nutricionais de algumas populações asiáticas cuja base da alimentação é o arroz (pobre em vitaminas), evitando-se problemas de saúde, como a cegueira causada por hipovitaminose.

Argumentos contra o uso de transgénicos

Para além dos argumentos éticos anteriormente referidos, existem diversas razões para sermos prudentes no que diz respeito à produção de transgénicos.

Efeitos do consumo de OGM na saúde:

Alergias
Pelo menos algumas variedades de OGM são responsáveis pelo aparecimento de alergias, através do seu consumo, causadas pela presença de genes capazes de produzir proteínas alergénias. A produção de uma variedade de soja que continha uma proteína da castanha brasileira foi suspensa devido a este problema.

Resistência a antibióticos
A engenharia genética utiliza genes que conferem imunidade a certos antibióticos como marcadores para identificação das células modificadas. Isto causa alguma preocupação, já que existe a possibilidade de que esta resistência possa passar para bactérias dentro do corpo humano, tornando mais difícil o controlo de doenças. É quase consensual que estes marcadores devem ser abandonados e substituídos por outros.

Outros efeitos
O uso de produtos geneticamente modificados na alimentação humana é ainda muito recente, existindo, obviamente, muitas lacunas no conhecimento. Assim, não é de excluir a possibilidade de que possam aparecer outros efeitos nefastos associados ao consumo de transgénicos. Deve portanto ser exercida alguma prudência nesta matéria até os estudos científicos serem mais conclusivos.

Efeitos dos OGM no ambiente:

Contaminação genética
Existem evidências de que o pólen de plantas transgénicas pode ser transferido tanto para as espécies próximas como para as variedades selvagens dessas plantas e para outras variedades domésticas. Este fenómeno vai causar uma transferência do material genético alterado, modificando as propriedades das plantas originais e pondo em risco a riqueza genética das variedades domésticas. Dois exemplos documentados deste fenómeno registam a contaminação de colza selvagem e das espécies selvagens de milho no México. Estes casos levantam a preocupação de que se esteja a por em perigo a valiosa diversidade destas espécies e culturas.
Outro problema é a contaminação de propriedades vizinhas, em especial quando estas praticam agricultura biológica, o que implica que o consumidor que opta por não consumir produtos transgénicos está a consumi-los sem saber. Foi recentemente aprovada uma norma que permite que os produtos biológicos certificados tenham 0,9% de OGM, o que na prática vem dar carta-branca à instalação de culturas transgénicas nas imediações de cultivos biológicos e à contaminação destes.

Uso de herbicidas e pesticidas
Ao contrário do que seria de esperar, em muitas explorações agrícolas que cultivam OGM resistentes aos herbicidas, o uso destes não diminuiu. Uma vez que a planta cultivada é resistente, os agricultores não sentem necessidade de moderar a dose de herbicida, podendo facilmente matar todos os competidores. Como os herbicidas usados são de largo espectro criam desertos em termos de biodiversidade eliminando as plantas daninhas às culturas, mas simultaneamente as que são benéficas, tanto para manter as propriedades do solo, como as que servem de alimento a animais benéficos como insectos polinizadores e aves.

Aparecimento de ervas e insectos resistentes
Analogamente ao que acontece com surgimento de estirpes de bactérias que são resistentes aos antibióticos, também neste caso, as culturas transgénicas acabam por levar ao aparecimento de ervas e insectos resistentes aos herbicidas e às toxinas que os próprios OGM suportam ou produzem. O que aliás já acontece com os agrotóxicos utilizados na agricultura intensiva convencional. Corre-se assim o risco de gerar "super-pragas". Estas pragas podem destruir não só a cultura transgénica, mas também outras culturas e as plantas selvagens.
Para além dos prejuízos que estas pragas possam causar, obrigam também a um uso acrescido de pesticidas e herbicidas, anulando o que seria uma vantagem dos transgénicos.

Redução da biodiversidade
O uso de transgénicos traduz-se numa perca de biodiversidade a dois níveis.
Em primeiro lugar, há perca de diversidade nas culturas, com a substituição das variedades locais de cada cultivo pelas estirpes geneticamente modificadas, muito menos diversas. As consequências disto serão uma menor diversidade na alimentação humana com consequências sociais e para a saúde, e uma menor capacidade de resistência das culturas agrícolas a alterações no meio ambiente e a novas pragas e epidemias. Os agricultores ficarão cada vez mais dependentes do aparecimento do "novo modelo" transgénico que poderá solucionar os seus problemas.
Em segundo lugar, os herbicidas de largo espectro usados na agricultura com OGM e as estirpes de culturas resistentes a insectos são responsáveis pela perda directa de inúmeras espécies dos campos agrícolas, tanto as prejudiciais como as outras, e pela perda indirecta das espécies que destas dependem.

Efeitos sócio-económicos dos OGM:

Como se disse anteriormente, a generalização das culturas com OGM leva a que grandes sectores da agricultura fiquem dependentes das grandes empresas de biotecnologia que detêm as patentes, não só das plantas transgénicas como dos herbicidas específicos. Algumas plantas geneticamente modificadas estão a ser produzidas para que as suas sementes só sejam viáveis após a aplicação de um determinado produto químico. Assim, os agricultores ficam impossibilitados de guardar sementes de um ano para o outro, ficando dependentes das sementes compradas às grandes multinacionais que detêm as patentes dos OGM.
Nos países em vias de desenvolvimento, onde a aplicação de transgénicos poderia ser mais justificável, será onde esta dependência dos agricultores às grandes empresas dos países industrializados será maior, uma vez que a capacidade destes países de desenvolver tecnologias de engenharia genética é muito reduzida. De qualquer maneira, em muitos destes países a falta de alimentos disponíveis resulta mais de factores como a guerra, os terrenos minados, o êxodo rural do que de uma falta de produtividade da agricultura que só possa ser resolvida através de transgénicos. Estes países padecem de problemas estruturais que os transgénicos certamente não irão resolver.
Numa altura em que muitas pessoas se voltam para os processos mais tradicionais de produzir alimentos, ou para tecnologias agrícolas não agressivas para o ambiente (como a luta biológica), com evidentes benefícios para tanto para a saúde como para o ambiente, as culturas geneticamente modificadas parecem-me claramente um passo na direcção errada dum ponto de vista ambiental, social e de saúde.

Filipe

Etiquetas: ,

Portuguese

Acabamos de terminar uma petição sobre cravos OGM com a cor alterada. Nomeado Moonaqua (TM). Estes cravos ainda não estão disponíveis na Europa, porque eles são geneticamente modificados e ainda não não estão autorizados. Mas o Ministério do Meio Ambiente Holandês irá autorizar dentro de 6 semanas. Você pode protestar contra esta flor até esse prazo. Para testar sobre a segurança destas flores utilizam ratos e células embrionárias de humanos e tudo isto por uma mudança de cor. Existem uma grande variedade de cravos com belas cores em todo o globo, não precisamos de cores artificiais. Assine a nossa petição, enviando um e-mail para este endereço info(at)gentechvrij.nl, declarando em assunto: Petição sobre cravos-OGM Moonaqua ?, C/NL/06/01, inicando no corpo da mensagem seu nome da rua cidade país sem vírgulas. Mais informações sobre os cravos OGM você pode ler aqui e aqui (AESA Síntese) . Prazo até 1 de Setembro de 2009. Veja os links em http://www.gentechvrij.nl/thegmofreecitizens.html

Enviar um comentário

Links to this post

Criar uma hiperligação

Novidades do Blog no seu Email




Preview | Powered by FeedBlitz