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(I)mobilidade

Começou ontem a Semana Europeia da Mobilidade.


Na edição deste ano, 1645 localidades de 33 países participam na iniciativa. Em Portugal 64 concelhos aderiram oficialmente à SEM, no entanto, apenas 32 o fazem na qualidade de participante, ou seja, apenas metade aceitou adoptar pelo menos uma medida de carácter permanente. As restantes autarquias quedaram-se pelas habituais declarações de boa vontade, medidas pontuais e outras demonstrações mais ou menos folclóricas de empenho em abordar o tema "transportes", em resolver um conjunto de problemas que são de todos e que a todos afectam.
A Câmara de Lisboa aderiu em força, com um conjunto de medidas que vão desde acções pedagógicas sobre mau estacionamento aos passeios de bicicleta e desde o anuncio da abertura de 10 novos parques de estacionamento (até ao final do ano) à reorganização dos semáforos e passadeiras da baixa. No entanto, o presidente da CML lá foi dizendo que não há possibilidade de portagens na entrada em Lisboa e só quando os transportes públicos melhorarem é que se volta a pensar nisso.
Tal como em anos anteriores estas iniciativas deixam-me duas dúvidas profundas sobre o funcionamento da nossa sociedade:
  • Não sendo tão velho como isso, ainda me lembro de quando uma viagem em transportes públicos (autocarro 50) entre Santos e a Sete Rios demorava cerca de 50 cruéis minutos, sempre aos solavancos e sem nenhum conforto. Lembro-me de atrasos médios superiores a 20 minutos na linha de Sintra e de uma rede de Metropolitano de Lisboa que começava em Alvalade e terminava em Entrecampos ou em Sete Rios. Hoje temos um comboio na ponte 25 de Abril, a CP tem índices de pontualidade da ordem dos 90% e a rede de metropolitano vai da Amadora a Oriente e a Odivelas.
    Quão melhores deverão ser os transportes públicos antes de podermos afirmar que com portagens à entrada de Lisboa, o trânsito melhoraria e os próprios transportes públicos melhorariam?


  • Sempre que se fala de mobilidade, a discussão parece centrar-se na questão do estacionamento. Será que não haverá medidas mais importantes para a mobilidade urbana em Portugal do que criar mais espaços para estacionar o carro dentro das cidades?
Para mais informações sobre a Semana Europeia da Mobilidade clique aqui.

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