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O cardo como cultura energética

A utilização do Cardo (Cynara cardunculus) como cultura energética foi um dos temas em destaque do Seminário "Culturas energéticas, biomassa e biocombustíveis", que se realizou na Universidade de Évora nos passados dias 6 e 7 de Dezembro.

O seminário foi organizado por um conjunto de entidades, ISA, AFLOPS, Universidade de Évora e ICAM, que estão associadas ao nível do projecto ECAS (Culturas Energéticas no Espaço Atlântico). Um dos objectivos do seminário era a apresentação dos resultados do projecto ECAS, com trabalhos realizados no Reino Unido, Espanha e Portugal. Dos trabalhos portugueses ao nível do ECAS destacou-se a investigação nas técnicas de produção e aproveitamento do Cardo na produção de biomassa e biodisel. Para além dos trabalhos integrados no ECAS também foram apresentadas outras comunicações inseridas na temática do seminário, destacando-se a discussão sobre a importância e papel dos biocombustíveis de 1ª e 2ª geração.

Os biocombustíveis de 1ª geração são, geralmente, derivados de plantas utilizadas na alimentação (ex: cana-de-açúcar, milho, trigo), e com excepção do bioetanol brasileiro, o saldo em termos de produção de CO2 é semelhante ao do uso de combustíveis fósseis.
Os biocombustíveis de 2ª geração surgem a partir do refinamento das tecnologias de produção e da análise do conjunto processos produtivos, conseguindo assim uma redução significativa na quantidades de CO2 emitido, bem como de outros gases poluentes. Também estão melhor concebidos como combustíveis o que faz com que haja menos limitações ao seu uso e que tenham um maior poder calorífico.

A utilização do cardo como uma cultura energética em Portugal advém de um conjunto de factores que são:

  • no cenário energético português e europeu, é premente que se diminua a dependência europeia energética de fontes exteriores;
  • a procura de fontes alternativas de produção de energia, que permitam diminuir a poluição e libertação de gases de efeito estufa;
  • a biomassa e os biocombustíveis podem ser utilizados como fontes alternativas de energia;
  • o cenário agrícola português e europeu é de subaproveitamento das terras agricultáveis ou que já foram agricultadas e a utilização de culturas energéticas contribui para fixar as populações nas zonas rurais;
  • a lógica da produção de energia a partir de biomassa é oposta ao modelo usual de produção, ou seja, não é procurar os meios para poder produzir mais, mas sim procurar produzir mais a partir dos meios existentes localmente;
  • o cardo é uma planta perfeitamente adaptada aos clima e solos portugueses;
  • a utilização do cardo como cultura energética não gera problemas na produção e comercialização de alimentos pois não é uma cultura alimentar. Um dos objectivos da pesquisa da cultura do cardo é conseguir que esta se cinja a terrenos pobres normalmente não utilizadas na produção de alimentos.

Dos trabalhos do ECAS que utilizaram o cardo, destacam-se a sua utilização como fonte de biomassa, juntamente com outras fontes, para queima na unidade da SECIL de Outão (Serra da Arrábida, Setúbal) e para a produção de biodisel a partir das suas sementes. O futuro da utilização do cardo passa pelo seu aproveitamento na produção de biocombustíveis de 2ª geração, com real impacto na diminuição de emissão de gases de efeito estufa, e como biomassa utilizada em biorefinarias, permitindo assim a produção de gás combustível, resinas e hidrogénio.

Para saber mais: Aflops, Seminário, ECAS

Duarte Fonseca, Biólogo

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Muito interessante!!!

Convido-o a visitar um blog que talvez seja do seu interesse. Nele se desenvolve a temática da gestão do mar no âmbito do Tratado de Lisboa: www.mareotratadodelisboa.blogspot.com

Com os melhores cumprimentos e votos dum feliz 2008,
Ricardo Lacerda

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