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Impacto Zero?

A Opel lançou nos últimos dias uma mega campanha publicitária com o slogan "Impacto Zero".
A campanha baseia-se no conceito da compensação das emissões de dióxido de carbono, causadas pelo funcionamento dos automóveis, com a plantação de árvores (que absorvem dióxido de carbono enquanto realizam a fotossíntese). Apesar da validade deste método como meio de resolver o problema das emissões de gases com efeito de estufa ser sido muito questionada (ver por exemplo: http://www.fern.org/pubs/briefs/sinks2.pdf), não vou dizer que é uma má ideia, sobretudo porque as árvores vão ser plantadas num Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 (Sicó e Alvaiázere) e o plantio vai ser constituído em boa parte (70 dos 120 ha que estão previstos) por espécies autóctones que sofreram regressões recentes: a azinheira Quercus rotundifolia e o carvalho português Quercus faginea. Seja para compensar emissões de dióxido de carbono, ou por outra razão qualquer, a plantação destas árvores é sempre de aplaudir.
Outro aspecto positivo da campanha da Opel é o seu site que contém informações sobre efeito de estufa e aquecimento global, sem minimizar o problema (como é típico das empresas do sector dos transportes) e com recomendações para uma condução verde (como é que se esqueceram de recomendar que se conduza devagar é que eu não sei...). É certo que há alguma manipulação da informação aqui e ali, mas no geral o site é informativo e aponta na direcção certa.

Posto isto, porquê a interrogação "impacto zero?". Porque o impacto de um automóvel não é zero, nem nunca será, por mais que se façam medidas de compensação. Os impactos negativos de um automóvel começam com a sua construção, na qual, para além de se emitirem grandes quantidades de gases com efeito de estufa (que geralmente são ignorados nestas campanhas), se produzem diversos poluentes. Seguindo para a utilização do automóvel, o maior impacto é a emissão de poluentes para a atmosfera, dos quais o dióxido de carbono (que aqui está a ser parcialmente compensado) é apenas um exemplo. As árvores não compensam a emissão de monóxido de carbono, de dióxido de enxofre e de todas as partículas poluentes que resultam do escape de um automóvel. Falta falar nos atropelamentos, nos acidentes, na poluição sonora. Falta também contemplar o impacto da construção das vias onde circulam os automóveis, com a destruição e fragmentação dos habitats naturais. E no final da sua vida útil o automóvel transforma-se num resíduo cheio de substâncias altamente poluentes (bateria, óleo, componentes electrónicos...).

Não quero com isto fazer um discurso radical anti-automóvel. Eu tenho um carro e conduzo com regularidade. O que quero é afirmar que temos que estar conscientes dos impactos que causamos, porque só assim os podemos reduzir e minimizar. Devemos estar atentos às armadilhas do "green-washing", mesmo que este apareça associado a boas ideias, e manter um espírito crítico que nos impeça de comprar gato por lebre.

Filipe

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