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Tuataras condenadas a vida sem sexo e extinção

As Tuataras são um dos quatro grandes grupos que constituem os répteis, juntamente com as tartarugas, os crocodilos e os escamosos (que incluem as cobras e os lagartos). Estes animais foram contemporâneos dos dinossauros e em tempos habitaram uma grande área do globo. Hoje apenas existem duas espécies de Tuataras em cerca de 30 pequenas ilhas pertencentes à Nova Zelândia.
As Tuataras são animais algo bizarros. À primeira vista são parecidas com um lagarto ou com uma iguana, mas algumas características separam-nos destes: não possuem ouvido externo, nem pénis, mas por outro lado têm um olho especial no meio da testa que lhes serve para terem uma melhor percepção da temperatura ambiente.
Ao contrário do que acontece nos mamíferos ou nas aves, o sexo dos indivíduos nestes répteis não é determinado por cromossomas, mas sim pela temperatura ambiente, mais concretamente pela temperatura do solo junto aos ovos. Quando está mais fresquinho nascem fêmeas, quando faz calor nascem machos.
De certeza que já estão a ver qual é o problema. Com o aquecimento global vão começar a nascer cada vez menos Tuataras meninas, até que, segundo um modelo recentemente produzido, em 2085 já só haverá Tuataras meninos. Como estes animais só vivem em pequenas ilhas oceânicas, não têm para onde fugir em busca de climas mais frescos.
Esta é mais uma crónica de uma extinção anunciada.

Filipe

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Parece-me um tanto dramático assumir que estes animais se extinguirão porque vai ficar mais quente.
Obviamente que o aquecimento global é um fenómeno que só prejudica o equilíbrio ecológico do planeta.
No entanto, através de uma intervenção inteligente do homem, podemos ajudar estes animais a contribuirem com a sua existência para o ser de ser da Terra.

Também ajuda o facto de estes animais residirem na Nova Zelândia. Um país que se tem esforçado por conservar as suas espécies. Recentemente a população de Kakapo - Um dos animais mais bonitos e "fofinhos" que já vi - passou de 45 para 86 o que é drástico, mas um grande passo para salvar este papagaio gordito e preguiçoso da extinção.

Ok, pode ser dramático dizer que se vão extinguir. É verdade que podemos fazer algo para que as tuataras não se extingam, mas isso provavelmente implica transladar pelo menos parte da população para outro local mais fresco. Ou seja, a extinção de que falo aqui é da espécie no seu estado natural.

A Nova Zelândia tem bons programas de conservação. É certo. Mas as espécies neozelandezas, incluindo o Kakapo, sofrem de um problema grave, nem sempre fácil de resolver: na Nova Zelândia antes da chegada do Homem não havia predadores terrestres e a maioria das espécies nativas não tem defesas contra os predadores introduzidos. Daí que tuataras, kakapos e afins estejam confinados a pequenas ilhas, onde qualquer imprevisto (como a libertação de um gato) pode acabar com uma espécie enquanto o diabo esfrega um olho.

Abraço,

Filipe

Magister Dixit!

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