Carvão limpo - será limpo ou a sujidade está debaixo do tapete?
Agora que o preço do petróleo está pela hora da morte e que finalmente começa a entrar na cabeça dos governantes que não vai durar para sempre, outro combustível fóssil volta a estar na moda - o carvão.O carvão que foi o combustível da revolução industrial tinha claramente perdido importância nos países mais industrializados face ao petróleo e mesmo face ao nuclear e a algumas fontes de energia renováveis. Mas agora, com a crise petrolífera, vários países começam a olhar para o carvão com outros olhos.
Mas como é que se pode voltar a pensar em utilizar em larga escala este combustível super poluente? Basta ver um filme que mostre Londres no início do século XX para constatarmos que não se vê o céu com todo o smog (e já agora podémos assistir ao mesmo fenómeno na Pequim pré-Jogos Olímpicos). A reputação do carvão é a pior possível, já que ele é um dos grandes responsaveis por muitos dos principais problemas ambientais que enfrentamos: efeito de estufa (e consequente aquecimento global), chuva ácida, smog, destruição das montanhas (pelas minas), contaminação da água... Além disso as minas de carvão são das mais perigosas para os seus trabalhadores, quer em termos de segurança, quer em termos de efeitos na saúde dos mineiros.
Mesmo assim o carvão voltou à moda e a resposta parece ser o carvão limpo.
Carvão limpo é um conceito que agrega vários métodos de reduzir o impacto ambiental e aumentar a eficiência na utilização deste combustível, desde a extracção à combustão.
A "limpeza" do carvão pode ser feita através de uma lavagem química com o propósito de lhe retirar algumas das substâncias mais perigosas e impurezas, ou através do sequestro do dióxido de carbono.
Mas será que o carvão limpo é assim tão limpinho? É verdade que as actuais centrais a carvão limpo conseguem reduzir a emissão de alguns poluentes, como o dióxido de enxofre (que era um dos principais causadores da chuva ácida). Mas o principal argumento usado para defender o carvão limpo é a redução das emissões de CO2. Como podem imaginar a combustão do carvão, por definição de combustão, liberta dióxido de carbono. Então como é que se reduzem as emissões? Não se reduzem. O que se faz é mandar o carbono para uma gruta ou para um buraco no subsolo e esperar que este não fuja, o que infelizmente acaba por acontecer mais do que o desejado. Como gás que é o CO2 tende a escapar por fissuras, a penetrar no solo e a infiltrar-se nos cursos de água, acabando por, pelo menos em parte, ir parar à atmosfera.
E aqui está o dilema: devemos investir os nossos recursos em melhorar a técnologia do carvão, que nunca deixará de ser suja ou apostar na eficiência energética e nas energias renováveis.
Para mim nem há dilema, a resposta é fácil...
Filipe
Etiquetas: carvao limpo, emissao de carbono
