Espécie do mês - Lince-ibérico
Lince-ibérico Lynx pardinus (Temminck, 1827)Outros nomes comuns - Liberne, Gato-lince, Gato-cravo
Espanhol: Lince ibérico
Inglês: Iberian lynx
Francês: Lynx d'Espagne
Classe: Mammalia
Ordem: Carnívora
Família: Felidae
Distribuição mundial: Endémico da Península Ibérica
Distribuição em Portugal: Espécie neste momento muito rara, apenas existindo observações esporádicas na útima década nas serras algarvias e nas zonas raianas do Alentejo.
Estatuto de conservação:
No mundo: Criticamente em Perigo
Em Portugal: Criticamente em Perigo
Tendência populacional: Até meados do século XIX, a área de distribuição do Lince-ibérico cobria praticamente toda a Península Ibérica. Na década de 1980, a espécie já se encontrava reduzida à zona central e sudoeste da Península Ibérica. Pensa-se que entre 1960 e 1990 houve uma regressão de cerca de 80 % da área de distribuição, tendência que parece manter-se.
Descrição:
Comprimento do corpo 80-110 cm
Comprimento da cauda 10 cm
Peso 14 kg (macho), 10 kg (fêmea)
É um felino de médio porte, com membros altos, cauda muito curta e cabeça com focinho curto e arredondado, e orelhas erectas e triangulares. A pelagem é comprida com pelo malhado. O tom dominante é o castanho-amarelado, por vezes arruivado. As manchas são castanho-escuras ou negras. Possui uns pincéis nas orelhas de cor negra. As patilhas nas faces e extremidades da cauda são brancas.
Habitat: Prefere bosques, matagais e matos densos de características mediterrânicas, utilizando estruturas em mosaico, com biótopos fechados para abrigo e outros abertos para capturar presas. Os linces evitam habitats artificializados.
Alimentação: Alimenta-se sobretudo de coelhos, que podem representar 90 % da sua dieta e dos quais depende. Consome também roedores, cervídeos, aves e répteis. Caça sobretudo de noite ou no crepúsculo.
Reprodução: É poligâmico, entrando em cio em Janeiro/Fevereiro e, após uma gestação média de 65 dias, nascem as crias (geralmente duas). Atinge a maturidade sexual com um ano e meio de idade.
Factores de ameaça: Redução e fragmentação da área de habitat favorável e regressão da população de coelho. As manchas de floresta de produção tiveram grande impacto na redução da área disponível para o Lince-ibérico, bem como a implantação de infra-estruturas como as barragens e a rede viária. A caça furtiva e o controlo desregrado de predadores, bem como a morte por atropelamento, também afectam negativamente esta espécie.
Onde observar: Esta espécie é praticamente impossível de observar em Portugal, uma vez que a sua população é extremamente reduzida, tem hábitos muito secretivos e habita em locais de mato muito denso e de difícil acesso.
Bibliografia:
- MacDonald D & Barrett P (1993) Mammals of Britain & Europe. Collins, Londres.
- Mathias MJ (coord) (1999) Guia dos Mamíferos Terrestres de Portugal Continental, Açores e Madeira. ICN, Lisboa.
- Queiroz AJ (coord), Alves PC, Barroso I, Beja P, Fernandes M, Freitas L, Mathias ML, Mira A, Palmeirim JM, Prieto R, Rainho A, Rodrigues L, Santos-Reis M & Sequeira M (2006) Lynx pardinus Lince-ibérico. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.
Etiquetas: especie do mes, Lince
