O declínio do pardal
O pardal é uma ave que sempre acompanhou o Homem, ao qual se pensa que está associado desde o neolítico. Com a invenção da agricultura e consequente armazenamento de sementes, passou a haver um recurso abundante para esta pequena ave granívora. A associação do pardal com os seres humanos terá começado no crescente fértil, onde se pensa estar a sua origem, espalhando-se pela Europa e Norte de África, acompanhando a expansão da agricultura. Com os descobrimentos foi levado para as Américas e para muitos outros locais do globo.Quem diria que esta ave, que nos parece estar por toda a parte, está em declínio acentuado em muitos locais da sua distribuição?
O que teremos feito para que esta espécie, que durante séculos esteve perfeitamente adaptada a coabitar connosco, esteja agora em regressão?
Em Inglaterra, provavelmente o país do mundo onde as aves estão mais bem estudadas, estima-se que o declínio das populações de pardais nos últimos 30 anos foi de 68 por cento. Os seus números começaram a cair em meados da década de 1980, tendo a espécie praticamente desaparecido da zona central de Londres.
Um estudo (Peach et al 2008) recentemente publicado online na revista Animal Conservation analisa o sucesso reprodutor do Pardal durante três anos, na cidade de Leiscester e seus arredores, ao longo de um gradiente de urbanização. Neste trabalho verificou-se que o sucesso reprodutor era muito baixo, com uma grande quantidade de crias a morrerem por inanição nos primeiros quatro dias após a eclosão, o que explica em grande parte a queda de 28 por cento no número de pardais durante o período estudado. Os pardais decresceram mais nas zonas mais urbanizadas, mantendo-se razoavelmente saudáveis nas áreas com mais vegetação.
Embora a base da dieta dos pardais sejam as sementes, eles são bastante generalistas em relação ao alimento que consomem e, como acontece com a maioria das aves granívoras, alimentam as suas crias com insectos e outros invertebrados, de onde estas retiram as proteínas indispensáveis para o seu crescimento. O que tem acontecido em muitas cidades é que as árvores vão desaparecendo, os quintais, jardins e hortas têm dado lugar a parques de estacionamento e terraços de cimento, as árvores e plantas autóctones vão sendo substituídas por espécies exóticas e a poluição atmosférica tem aumentado significativamente. Tudo isto está a acabar com os insectos, indispensáveis para a sobrevivência dos pardais e de outras aves.Está na altura de pensarmos se queremos as nossas cidades sejam desertos de biodiversidade, completamente dominadas pelo betão e pelos automóveis ou se procuramos um equilíbrio em que a vida urbana possa coexistir com outros seres vivos. Não é pelos pardais, é mesmo por nós.
Filipe
Etiquetas: Aves, Pardal, Parque urbano

Peguei com facilidade na árvore do meu quintal um filhote com o pézinho machucado e piando muito, ele veio com facilidade no meu dedo, dei papinha de filhote e ele não aceitou, ofereci papinha de banana e ele não quiz parar de comer, o filhote de pardal também como frutas?
Posted by
Anónimo |
22:27