« Home | Prendas de Natal » | Carvão limpo e o lobby ambiental dos EUA » | Cartoon » | Espécie do mês: Lobo-marinho » | Guia da Electrónica Verde » | O declínio do pardal » | Anúncio amigo do ambiente em Times Square » | Agenda ambiental » | Boas notícias para o Lince » | Reciclagem »

Os prazeres da carne

Há diversas razões que são evocadas para se ser vegetariano: razões espirituais e religiosas, de saúde ou por respeito aos animais. Os dados mais recentes apontam mais uma razão, talvez ainda mais forte: salvar o planeta.

Antes de começar este post em que tento convencer as pessoas a comer menos (ou nenhuma) carne tenho que admitir que não sou vegetariano e que gosto muito de comer carne. Vaca, porco, frango, peru, borrego, cabrito, presunto, chouriço, farinheira, tudo isto me passa pela goela.

Voltando à afirmação bombástica de que o vegetarianismo ajuda a salvar planeta. De onde é que isto vem?

Em primeiro lugar, é a FAO que o afirma, o gado é responsável por 18 por cento das emissões de gases com efeito de estufa e depois porque a contribuição dos bifes é ainda maior quanto colocamos nas contas a desflorestação para o estabelecimento de pastagens ou campos de soja, milho ou outras culturas (muitas vezes transgénicas) exclusivamente plantadas para alimentar o gado. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Internacional sobre Alterações Climáticas e vencedor do Prémio Nobel da Paz (juntamente com Al Gore), afirmou que comer menos carne pode ser o melhor modo para as pessoas reduzirem as suas emissões de carbono (ver post).

Esta desflorestação é agravada pela presença dos próprios animais que muitas vezes são mantidos em concentrações excessivas levando à erosão dos solos e a uma séria perda de biodiversidade.
Falta ainda falar da poluição das águas e dos solos causada directamente pelos animais sobretudo os que são mantidos de forma intensiva (quem não se lembra da célebre ribeira dos Milagres na zona de Leiria constantemente contaminada pelas suiniculturas) e pelos fertilizantes

Posto isto, será que estamos condenados a ser vegetarianos à força mais tarde ou mais cedo?

Preferencialmente sim, mas para já a minha opção é reduzir a quantidade de carne na minha alimentação. Faço muito mais refeições vegetarianas e nas refeições em que como carne como-a em menor quantidade. Não faz falta nenhuma comer duas costeletas a um almoço ou um bife com 300 gramas.
Outra coisa importante é comer melhor carne, ou seja carne de produção biológica e de origem local. O impacto do gado criado de forma extensiva com pasto natural, por exemplo num montado alentejano é certamente muito inferior ao do gado criado de forma intensiva, já para não falar do bem-estar dos animais. A criação de gado desta forma pode mesmo ser um auxiliar da conservação da natureza, permitindo manter lucrativos os usos tradicionais da terra dos quais dependem muitas espécies. Isto sempre que a ganância dos subsídios não faz disparar a densidade do gado.

Ou seja, a opção de comer carne tem que ser encarada, como outras que tomamos, de maneira consciente sabendo que estamos a causar um impacto negativo no planeta. Tendo isto presente, resta-nos consumi-la (ou não) de forma responsável.

Filipe

Etiquetas:

Links to this post

Criar uma hiperligação

Novidades do Blog no seu Email




Preview | Powered by FeedBlitz