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Espécie do mês: Grou

Grou Grus grus (Linnaeus, 1758)

Espanhol: Grulla común
Ingês: Common crane
Francês: Grue cendrée

Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Gruidae

Distribuição mundial: A área de nidificação estende-se da Europa do Norte e Ocidental, através da Eurásia até ao Norte da Mongólia, Norte da China e Leste da Sibéria, com populações nidificantes isoladas no Leste da Turquia e no Tibete. A área de invernada inclui parte da França e da Península Ibérica, Norte e Leste de África, Médio Oriente, Índia e Sul e Leste da China.

Distribuição em Portugal: Inverna no Alentejo interior. Ocorre apenas em quatro núcleos nas regiões de Castro Verde/Mértola, Évora, Moura/Mourão/Barrancos e Campo Maior.

Tipo de ocorrência em Portugal: Invernante

Estatuto de conservação:
No mundo - Pouco Preocupante
Em Portugal - Vulnerável como invernante e Regionalmente Extinto como nidificante.

Tendência populacional: Estável como invernante.

Descrição: Comprimento 114-130 cm; Envergadura 200-230 cm. Ave de grandes dimensões e porte altivo. No solo move-se com uma passada lenta. As suas pernas são altas e de cor escura, o bico é longo e amarelado. A cabeça e o pescoço são negros com excepção de uma lista branca que começa atrás do olho e desce até à base da nuca. No cimo da cabeça tem uma mancha encarnada e a sua plumagem no resto do corpo é cinzenta. Os juvenis possuem uma coloração mais uniforme de tom cinzento.

Habitat: Como local de alimentação preferem searas cultivadas em regime extensivo, pousios, pastagens naturais e montados de azinho pouco densos e sem mato, apresentando acentuada fidelidade, ano após ano, aos locais escolhidos. Para os dormitórios os Grous necessitam de locais pouco perturbados, geralmente associados à presença de água pouco profunda, utilizando açudes e charcas que surgem temporariamente no inverno.

Alimentação: O Grou alimenta-se sobretudo de matéria vegetal, que pode incluir raízes, rizomas, tubérculos, folhas, caules, frutos e sementes. No entanto, também consomem invertebrados, anfíbios, pequenos mamíferos e, menos frequentemente, peixe, ovos e crias de aves. Durante o inverno (em Portugal) o cereal (folhas e grão) e a bolota são fundamentais para a sua dieta, sendo a componente animal da sua alimentação menos importante.

Reprodução: Nidifica em zonas pantanosas e turfeiras. Constrói no ninho no chão. A época de cria dura de Abril a Junho, sendo a postura constituída por dois ovos (raramente três), dos quais geralmente sobrevivem uma ou duas crias.

Comportamento: Esta ave é geralmente observada em bandos, que aumentam em número ao entardecer, reunindo-se vários bandos num dormitório comum, geralmente num local alagado.

Factores de ameaça: Alteração e degradação de habitat de alimentação por intensificação da agricultura, expansão das culturas de regadio e florestação das terras agrícolas. Os Grous são bastante sensíveis à perturbação humana, sobretudo a resultante das actividades cinegéticas. São também muito sensíveis à perturbação nos locais de dormida, resultante da abertura de caminhos e intensificação da actividade humana em locais que anteriormente eram remotos e pouco frequentados.

Curiosidades:
-O nome desta espécie provém do som que ela produz "groo groo".
-As gruas devem o seu nome a esta ave, tal como o guindaste em inglês (crane) provavelmente devido à sua forma fazer lembrar um grou.
-Em notas manuscritas D. Carlos de Bragança referiu que alguns Grous nidificavam no Baixo Guadiana e em Pancas, junto a Alcochete, em finais do século XIX.

Bibliografia:
  1. Almeida J (1992) Census de Grous Grus grus invernantes em Portugal. Airo 3: 55-58.

  2. Almeida J (1998) Grou-comum Grus grus. In: Atlas das aves invernantes do Baixo Alentejo (Elias GL, Reino LM, Silva T, Tomé R & Geraldes P coords.). SPEA, Lisboa.

  3. Almeida J (coord), Catry P, Encarnação V, Franco C, Granadeiro JP, Lopes R, Moreira F, Oliveira P, Onofre N, Pacheco C, Pinto M, Pitta Groz MJ, Ramos J & Silva L (2006) Grus grus Grou. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  4. Almeida J & Pinto M (1992) Selecção dos biótopos de alimentação pelo Grou-comum Grus grus: o caso de Moura (Alentejo). Airo 3: 1-8.

  5. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.

  6. Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1980) The birds of the Western Palearctic Vol II. Oxford University Press, Oxford.

  7. Franco AMA, Brito JC & Almeida J (2000) Modelling habitat selection of Common Crane Grus grus wintering in Portugal using multiple logistic regression. Ibis 14: 351-358.

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