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A Máquina do Demo!

Não falo da televisão, nem das variadíssimas armas de destruição massiva ou individual, nem sequer do automóvel esse matador de mais de 3000 almas por dia e assassino da qualidade do ar. Falo dum primo afastado do carro, um poluidor mais suave (o que em certas publicidades lhe daria o epíteto de "mais amigo do ambiente), um anãozinho sem pernas anátema das manhãs tranquilas nos parques e nos jardins.

Aquilo a que me refiro é um dos mais inúteis utensílios inventados pelo Homem, o Soprador de Folhas.

Bom, já estou a ver algumas caras condescendentes pensando para os seus botões: "Mas, isto é importante?! É certo que as maquinetas incomodam um pouco, mas chamar-lhe Máquina do Demo é demais, não?" E na verdade, nas prioridades das mudanças ambientais estas máquinas não estão no topo:
  • Comparado com o uso do tal veículo de quatro rodas, o uso do Soprador tem um impacto desprezável. Basta deixar o carro uns dias na garagem para contra balançar os gases de efeito de estufa emitidos pelo soprador o ano todo;
  • Os motores são pequenos;
  • A maior parte dos poluentes que emite não agravam o aquecimento global;
  • São mais fáceis de usar do que as vassouras e os ancinhos tradicionais.
Então porquê o fel? Porquê, com tantas coisas que podemos mudar que dão muito mais resultados imediatos e duradouros porquê atacar a pobre maquininha favorita de jardineiros municipais, zeladores de parques infantis e de todos os trabalhadores nas empresas "ambientais" de requalificação e paisagismo.

Porque é chata! É mesmo chata! É super chata! É tão chata, é tão destruidora da paz e do usufruto dos espaços verdes, é tão insidiosa a sua acção que só um génio maligno, só o anjo do mal, só o próprio Demo a podia ter inventado. (Não estou a acusar Dom Quinto, o seu inventor, de ser o mafarrico, apenas de ter sido inspirado por Lúcifer quando inventou esta inutilidade).

De resto, se não é um dos topos da luta pelo ambiente, também não se pode dizer que seja coisa boa. Vejamos:
  • É chato!
  • É inútil!
  • Polui muito, mas muito mais que uma vassoura;
  • É muito, mas muito mais caro do que uma vassoura;
  • Os gases que emite são na sua maioria muito maus para a saúde. Se estamos ao pé das maquinetas infernais perdemos todo o benefício para a saúde de termos ido para o jardim ou para o parque;
  • Os modelos industriais são tão maus como motas (piores até, eu até gosto de motas);
  • O pó que levantam em quantidades industriais não faz bem a ninguém;
  • Seca a terra onde é usado;
  • Desidrata as plantas que recebem o sopro;
  • É inútil!
  • É chato!
Creio ter ilustrado bem os prós e os contras desta engenhoca. Eu, não sei se repararam, sou contra. Acima de tudo por ser perfeitamente inútil. O que provocou este blogue foi a manhã de ontem. Estava a desfrutar um momento de inspiração criativa num jardim lindíssimo de Lisboa quando sou interrompido pelo horrível ruído do nosso amigo Soprador. E olhei para o rapaz que trabalhava, um exemplo de concentração, absorto no seu trabalho, a soprar uma folha para fora do jardim infantil onde estava. Durante 5 minutos aquele incansável trabalhador não se coibiu de fazer uma barulheira dos infernos para tirar uma miserável e solitária folhinha de baixo do escorrega onde estava.

Sei que já o escrevi aqui, mas as vassouras e os ancinho funcionam. São baratos, não incomodam ninguém, não têm efeitos secundários e fazem o trabalho há milénios.

Por favor amantes dos jardins e dos espaços verdes, afastem-se da Máquina do Demo, combatamos a tentação.

Bem hajam!

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