Nós na praia...
Falo aqui de todos nós, nós no sentido mais lato e abrangente do termo, quase a falar da Humanidade toda. Falo de nós que vamos à praia, sem me incomodar com as razões: gosto, saúde, conveniência, os miúdos, etc. Falo do nós que ao sair da praia não deixa a praia como a encontrou, mas que deixa a sua marca...
A verdade é que em média encontramos debaixo da toalha 7 beatas e outros pedaços de lixo vários. A verdade é que quando amontoamos o lixo que estamos a fazer junto às sandálias para depois o levar para o caixote ele raramente deixa a areia. E os exemplos multiplicam-se à nossa frente sem darmos realmente conta do que se passa.
Uma família chega à praia. Pai, mãe, irmão mais velho e irmão mais novo. A mãe vê o rolhão de papel, plástico e algas que está perto das toalhas e no seu olhar espelha-se reprovação e algum alívio por não ser ela a responsável por aquele lixo. Instalam-se. Passado pouco tempo o mais novo está a brincar com o dito rolhão. Ao ver isso a mãe zanga-se com ele e levanta-lhe a voz dizendo que aquilo é porcaria e que não é para brincar. Arranca-lhe o lixo da mão e lança-o de novo na areia para outras crianças apanharem.
Na praia todos brincamos no chão. Este é um chão de areia que aparentemente engole tudo o que lhe lançarmos em cima. E se a areia não engolir engole o mar. Alegremente tornamos a praia, a mesma bendita praia que nos descansa, nos diverte, nos devolve as forças esvaídas por meses de trabalho, num gigantesco caixote do lixo.
Por mim tenho optado por uma outra conduta. Também desisti de deixar a praia tal como a encontrei. O que agora faço, e lanço como desafio a todos, é deixar a praia mais limpa do que a encontrei. A zona da minha toalha e circundante é toda inspeccionada e limpa. Deito-me assim confiantemente naquela areia menos armadilhada e aproveito, sem mais pensamentos, aquele mar e aquele sol com que fomos abençoados.
Ahhhh, bela praia!
Bem hajam
Pedro


