Domingo, 29 de Abril de 2007

VIII Encontro de Economia Alternativa e Solidaria


No passado dia 27 de Abril viajámos até Córdoba para assistir ao VIII Encontro de Economia Alternativa e Solidaria levada a cabo pela IDEAS.

A nossa presença visou perceber qual o papel da educação ambiental no seio do comércio justo e qual a influência do comércio justo na defesa do meio ambiente. Vamos nos próximos tempos estreitar relações com as organizações da economia alternativa solidária e agir no sentido de uma união de esforços entre o Comércio Justo e a Defesa do Ambiente.

Entretanto manter-vos-emos informados.

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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Biodiversidade: uma história com final feliz

O que é que acontece quando uma espécie que estava extinta é reintroduzida no seu habitat?
Um dos casos mais bem sucedidos de reintroduções é o do Lobo no Parque de Yellowstone nos Estados Unidos, onde havia sido caçado até à extinção no início do sec XX. É uma história fascinante sobre o funcionamento dos ecossistemas.

Em 1995, 14 Lobos provenientes do Canadá foram introduzidos em Yellowstone. No ano seguinte chegaram mais 17. Os biólogos responsáveis por esta reintrodução esperavam que a mistura de espécies se tornasse mais harmoniosa, esperavam, por exemplo que a população de Veados, demasiado numerosa desde que o seu principal predador se extinguiu, se reduzisse um pouco. No entanto, produziram-se muitos mais resultados que não estavam no programa...

Como previsto, as recém chegadas alcateias começaram a alimentar-se de Veados, a sua presa natural mais abundante no parque, o que teve como efeito não só a redução no seu número, mas também uma alteração no seu comportamento. Antes da chegada dos Lobos, os Veados preferiam pastar junto aos ribeiros pelo meio de matas de Choupos e Salgueiros. No entanto, estas também se tornaram as zonas preferenciais dos Lobos, empurrando os Veados para os prados onde conseguiam detectar as alcateias a maior distância, sentindo-se mais protegidos. Esta alteração comportamental teve como efeito um rejuvenescimento das matas ribeirinhas, cujas plantas jovens eram quase invariavelmente ingeridas pelos Veados.

O rejuvenescimento destas matas permitiu, por sua vez, a recuperação das populações de pássaros que lá habitavam, e que se encontravam em declíneo devido ao envelhecimento do seu habitat.

O afastamento dos Veados das galerias ripícolas causou o regresso de outro habitante desaparecido desta zona do parque desde os anos 50: o Castor. Os Castores necessitam de salgueiros jovens para construir os seus diques e para se alimentarem. Os novos diques criaram pequenos charcos onde cresce vegetação que é essencial para os Ursos-pardos quando acordam da hibernação. Estes charcos juntamente com a maior riqueza da vegetação ribeirinha ajudaram a proteger o próprio leito do rio, desacelerando o seu curso, reduzindo a erosão das margens e possibilitando um maior crescimento de certos peixes como as trutas.

Os Lobos parecem também ter criado um novo mercado de carne a céu aberto em Yellowstone. Muitas vezes, ao abaterem grandes Veados, depois de saciados deixam restos que são aproveitados por outras espécies, especialmente no Inverno, quando a comida escasseia. A lista de comensais destas carcaças é longa: Ursos-pardos, Coiotes, Raposas, Águias-reais, Águias-calvas, Corvos...

Os Lobos demonstraram ser grandes restauradores do meio, corrigindo problemas, que para o Homem seriam extremamente difíceis e dispendiosos. Mas mais importante que isso, os Lobos trouxeram uma lição com eles. Eles ilustram o enorme papel representado pelos predadores de topo no equilíbrio de um ecossistema, sublinhando o que falta em todos os locais onde estes predadores já foram eliminados.
Esperemos que as acções do Lobo em Yellowstone tenham eco por todo o mundo.

Filipe

Para saber mais: Wilmers et al 2003; Laundré et al 2001; Ripple & Larsen 2000; Ripple et al 2001.

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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Biodiversidade: uma história com final triste


O que é que acontece quando uma espécie se extingue?

Aprendemos que o mundo vivo se organiza em ecossistemas, que incluem não só os seres vivos que os compõem, mas também as relações que estes estabelecem entre si. Logo, quando se extingue uma espécie, é um dos elementos desta teia de interdependências que desaparece. Previsivelmente a extinção vai influenciar, se não todo, pelo menos parte do ecossistema.

A história de que vos quero falar é a da Ave-Elefante, a maior ave que já existiu. Acredita-se que tinha mais de 3 metros de altura e pesava meia tonelada. Os seus ovos chegavam a medir 1 metro, tendo 160 vezes o volume de um ovo de galinha. Esta ave, parente longínquo da avestruz, habitava a ilha de Madagáscar até se extinguir no século XVI. A causa mais provável do seu desaparecimento é a acção do Homem, que terá predado os seus ninhos em busca dos seus enormes e nutritivos ovos.

Os cientistas pensam que a Ave-Elefante se alimentava de frutos que apanhava no solo. Alguns com uma casca muito grossa e rija. O seu sistema digestivo estaria bem adaptado para as digerir.

Esta é talvez a explicação de existirem espécies de árvores na floresta de Madagáscar em que as árvores mais jovens têm mais de 400 anos, altura em que germinaram as suas últimas sementes. Provavelmente sementes de frutos com uma casca tão espessa que necessitavam de passar pelo sistema digestivo de uma ave para poderem germinar.

É difícil prever que efeito terá a extinção anunciada destas árvores das quais dependem certamente muitos outros organismos.

É fácil entender a falta que uma única espécie faz a um ecossistema.


Filipe

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

O Parque da Bela Vista

Foi só em 2004, com a realização do Rock in Rio, que a segunda maior zona verde de Lisboa ficou conhecida da maioria dos lisboetas. O Parque da Bela Vista, localizado em Chelas (ver localização), na zona oriental da cidade tem 74,5 ha e resulta da reconversão de uma antiga quinta.

Está dividido em quatro zonas: a Zona Norte (4,7 ha), a Zona Centro - Quinta da Bela Vista (31 ha, onde se realiza o Rock in Rio), a Zona Sul (23 ha) e o campo de golfe (14,8 ha).
Estas zonas, infelizmente não são contínuas, estando separadas por estradas. As únicas que de facto estavam unidas eram a Norte e a Sul, ligadas por um amplo viaduto "verde" sobre a Avenida Marechal António de Spínola que, no entanto, foi interrompido pela intransponível vedação da Quinta da Bela Vista construída para o festival.

Por ter sido implantada em terrenos que outrora foram agrícolas, o aspecto rural da Quinta da Bela Vista foi preservado, o que se reflecte não só na paisagem, mas também nas espécies presentes no local. A paisagem é dominada pela impressionante clareira central, assente num vale arredondado que desce em direcção ao Tejo. No topo da clareira existe um miradouro de onde se podem desfrutar de panorâmicas da parte oriental de Lisboa e do bairro de Alvalade. A bordejar a clareira há pequenos bosquetes constituídos, não por árvores ornamentais, mas por espécies típicas dos habitats agrícolas portugueses: oliveiras, pinheiros, sobreiros, figueiras e medronheiros. Estas características permitem que o parque seja ainda habitado por numerosas espécies de aves, como melros, toutinegras, chapins, pintassilgos, verdilhões, chamarizes, gaios ou estorninhos.

O Parque da Bela Vista está ainda muito esquecido pelos lisboetas fora da época dos festivais, o que lhe pode trazer alguns problemas (para mais informações clique aqui). Mas acreditem,
a rede de caminhos que percorre o parque é ideal para andar de bicicleta, patins ou skate ou para correr e fazer caminhadas. Tem uma zona de merendas bem localizada e muito espaço para as crianças brincarem. Vão lá espreitar.

Acessibilidade: Autocarros (Carris) 5, 8, 10, 17, 19, 22, 59, 104; Metro (saida Bela Vista)

Filipe

Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


"O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou uma campanha mundial para o plantio de árvores Plantemos para o Planeta: Campanha do 1 Bilião de Árvores. Pessoas, comunidades, empresas e industrias, organizações de sociedade civil, organizações e governos são encorajados a fazer um compromisso de participação on-line, a fim de plantar, ao menos, 1 bilhão de árvores em todo o mundo durante 2007." in www.unep.org
Nós vamos participar. Alguém quer juntar-se a a nós nesta iniciativa?

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Faça uma auditoria ambiental a si próprio


Todos os dias somos bombardeados com informação sobre os mais variados problemas ambientais: alterações climáticas, buraco na camada de ozono, poluição atmosférica, marés negras, desflorestação, resíduos nucleares, seca, cheias, incêndios florestais...
Tudo problemas que parecem tão enormes e catastróficos que nos sentimos impotentes para os resolver e que por outro lado nos parecem tão distantes que parece que não afectam o nosso dia-a-dia. Resultado: a maioria de nós enfia a cabeça na areia como a avestruz e espera que o Estado ou as associações ambientalistas façam alguma coisa.
Temos é que pensar que estes problemas resultam, em grande medida, do somatório dos danos ambientais que cada um de nós causa e por isso temos a obrigação de começarmos nós mesmos a tratar deles e a darmos o exemplo.
Deixo aqui uma proposta para começar a arregaçar as mangas e agarrar uma oportunidade de aprender mais sobre o ambiente através do seu próprio exemplo. Faça uma auditoria ambiental a si próprio!

Faça a si mesmo estas questões (e outras de que se lembre):
Separo os materiais recicláveis do lixo?
Compro produtos menos embalados?
Reutilizo todos os produtos que posso?
Consumo mais do que necessito?
Tenho, em casa, torneiras que pingam? e o autoclismo?
Tomo duches demorados?
Deixo a torneira a correr enquanto faço outras coisas?
Quando saio de uma divisão da casa apago a luz?
Uso lâmpadas de baixo consumo?
Apago a televisão ou deixo no stand-by?
Abro a porta do frigorífico vezes a mais?
Tenho as portas e janelas bem calafetadas para evitar perdas de calor?
Ando de carro quando posso ir a pé ou de transportes públicos?
Tenho uma condução económica?
Imprimo documentos e e-mails desnecessariamente?
Uso as folhas de papel dos dois lados?
Os meus electrodomésticos têm alta eficiência energética?
Compro preferencialmente produtos locais?
Descongelo os alimentos com antecedência ou em cima da hora, no microondas?
Comprei plantas ou animais exóticos sem saber se têm proveniência legal?

Estes são apenas alguns exemplos (se quiserem usem os "comments" para acrescentar mais questões).
Boa auditoria!

Filipe

Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Ambiente: o que diz a Constituição Portuguesa




Apesar de já trabalhar na área do ambiente há alguns anos, só há pouco tempo é que li o que diz a nossa Constituição sobre este tema. Pareceu-me interessante partilhar convosco.

O ambiente na Constituição da Républica Portuguesa:

Artigo 66º
"1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o envolvimento e a participação dos cidadãos:
a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas prejudiciais de erosão;
b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento sócio-económico e a valorização da paisagem;
c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a conservação da Natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico;
d) Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais, salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade ecológica, com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações;
e) Promover, em colaboração com as autarquias locais, a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana, designadamente no plano arquitetónico e da protecção das zonas históricas;
f) Promover a integração de objectivos ambientais nas várias políticas de âmbito sectorial;
g) Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do ambiente;
h) Assegurar que a política fiscal compatibilize desenvolvimento com protecção do ambiente e qualidade de vida."

A Constituição chama a atenção para muitos aspectos, uns que parecem estar a ganhar rumo, outros que ainda estão longe de estar concretizados.

Há duas alíneas que me chamam, particularmente, a atenção:

o ponto 2. d) "(...) com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações", porque este é um princípio que fica muitas vezes esquecido e é frequentemente sacrificado pelas nossas necessidades imediatas e por algum egoísmo e comodísmo. Temos que lembrar-nos sempre dele;
e o ponto 2 g) "Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do ambiente" indispensável para mudarmos mentalidades para que todos os outros pontos da Constituição possam ser plenamente concretizados.

É para isso que trabalhamos na Terramater.

Filipe

Domingo, 8 de Abril de 2007

BUS com veículos eléctricos

Bem hajam todos!

Venho deixar-vos mais uma alternativa que permite dar um contributo para a saúde do ambiente, ou seja a utilização dos veículos eléctricos. Desta vez deixo-vos com um veículo todo-o-terreno mas existem muitos outros. São meios de transporte que poderão em muito substituir a existência do vulgo automóvel a combustível. Propomos o seu uso em centros históricos de dificeis acessos, facilitando inclusivé o acesso por parte de pessoas com dificuldades de locomoção, ou então em áreas protegidas, armazéns entre muitos outros.

O nosso projecto visa possibilitar a todos quer a aquisição quer o aluguer destes veículos também em centros urbanos. Nos maiores, como em Lisboa defendemos até a sua circulação na zona do BUS. O que me dizem?

Tenham uma boa semana.

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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Boa música e bom ambiente


Para demonstrar que as preocupações com o ambiente devem ser transversais a toda a sociedade cito aqui um bom exemplo:


A Rádio Radar (97.8 na zona de Lisboa), especializada em música alternativa, apresenta um programa dedicado ao ambiente de 2ª a 6ª às 10:45 h, repetindo às 20:45 h. Este programa chama-se Echo Beach e é apresentado por Jorge Évora.


Além disso, os temas ambientais estão presentes com grande assiduidade e bem tratados nos noticiários da estação.


Parabéns à Rádio Radar!

Filipe

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Eu e os nossos sub-títulos...

Ao ler de catadupa uma série de notícias na internet - as últimas semanas não me têm dado muito tempo para ler descansadamente o que se tem passado em Portugal e no mundo - tive dois momentos de grande fúria. Um felizmente injustificado e o outro ainda me deixa algo nervoso...

Um desses momentos foi quando li umas gordas a dizer que empresas portuguesas iam começar a importar cortiça da China. O quê?!! Da China!?! Cortiça!!?... Afinal é apenas casca de árvore de qualidade inferior à nossa cortiça que apenas serve para aglomerados para a construção. Dizem os especialistas que não põe em causa a nossa produção. Essa já é toda usada por nós que até temos de comprar a Espanha só para produzir os nossos produtos habituais. (Se calhar valia a pena investir em aumenar o montado de sobreiro em Protugal. Árvore linda, floresta com boa biodiversidade e produção sustentável...).

Outro foi ao ler os seguintes sub-títulos:
Reparem, eu percebo que alguém ao escrever assim esteja a tentar ser "objectivo", mas é uma treta ler isto. Parte da alteração da carga fiscal é para incentivar a compra de carros menos poluentes (menos inimigos do ambiente e não mais amigos como gostam de dizer os publicitários) e agora vêm-nos aconcelhar a comprar JÁ carros mais poluentes a bem das nossas carteiras. Que contas mal feitas... Se o que me interessa é a tal poupança então vale sempre a pena os carritos menos poluentes. Pago menos IA, ou o tal substituto, a agravação do IUC não é muito castigadora e ainda poupo no combustível. A carteira e o Ambiente agradecem...

... bom mais a carteira. O Ambiente quer mesmo é a malta a andar a pé, de bicicleta e de transportes públicos. E se fizermos as tais continhas, a carteira também!

Bem hajam,

Pedro João

Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

Passeios em Portugal

Recentemete temos andado a calcorrear as estradinhas do país em trabalho. As razões têm sido diversas, desde a venda de carros electricos à procura de espaços para actividades na Natureza, as viagens têm sido compensadoras pricipalmente graças à surpresa do que temos visto.

Temos sido presenteados com paisagens lindas, campos saudáveis e a Natureza em festa. Ontem foi um dia particularmente espectacular. Nuvens carregadas com o sol a espreitar de vez em quando iluminando grandes áreas de verde. Tivemos direito a uma tempestade perfeita sobre o mar na Costa Vicentina. E para grande final um fabuloso pôr-do-sol no interior do Alentejo.

O que mais me surpreende é ainda haver em Portugal tão grandes extensões de campo intocadas pela construção selvagem, pelo turismo bacoco e pelo "desenvolvimento" imbecil. Nestas últimas voltas rara tem sido a oportunidade de insultar alguém pelo mamarracho que colocou a estragar a vista.

À laia de conclusão resta-me dizer o seguinte: Temos um país francamente bonito! Vale a pena passear, vale a pena aproveitar, vale a pena conservar, vale MUITO a pena lutar.

Bem hajam,

Pedro João

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