Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Espécie do mês: Flamingo

Flamingo, Phoenicopterus roseusFlamingo Phoenicopterus roseus (Palas, 1811)

Espanhol: Flamenco
Inglês: Greater flamingo

Francês: Flamant rose

Classe: Aves
Ordem: Phoenicopteriformes
Família: Phoencopteridae

Distribuição mundial: Encontra-se no Norte, Sul e Este de África, Sudoeste da Ásia e sul da Europa. No Paleárctico ocidental nidifica em Espanha, França, Chipre, Tunísia e Sardenha, ocorrendo em muitos outros países. Realiza movimentos dispersivos erráticos que ainda não são totalmente conhecidos.

Distribuição em Portugal: Em Portugal pode ser encontrado sobretudo na faixa litoral a Sul da Ria de Aveiro. Os núcleos mais importantes são o estuário do Tejo, o estuário do Sado, a Ria Formosa e Castro Marim. Pode também ser observado em açudes, barragens, lagoas ou em zonas de arrozal no interior do país.

Tipo de ocorrência em Portugal: Invernante

Estatuto de conservação:

No mundo: Pouco preocupante
Em Portugal: Regionalmente extinto como reprodutor e Vulnerável como invernante

Tendência populacional: A população invernante desta espécie aumentou nas últimas décadas.

Descrição: O Flamingo é uma ave inconfundível. A sua plumagem é cor-de-rosa, as pernas são altas e o pescoço comprido. Os juvenis são acinzentados.

Habitat: Zonas costeiras, lagoas abertas e pouco profundas, lagos e estuários lodosos, salinas. Requer grandes espaços abertos e tranquilos.

Alimentação: Crustáceos minúsculos que filtra com o seu bico altamente especializado. Consome também pequenos insectos, moluscos e anelídeos, bem como algas de pequenas dimensões.

Reprodução: Nidifica em grandes colónias onde constrói um ninho em forma de monte de lama. É monogâmico e a sua postura é constituída por apenas um ovo de cor branca.

Comportamento: Normalmente é observado em grandes bandos.

Factores de ameaça: Abandono e transformação das salinas, destruição de sapais, poluição por herbicidas e pesticidas. Sendo uma espécie pouco tolerante à presença humana é afectada pela expansão turística e urbanística.

Onde observar: Um dos melhores locais para observar Flamingos é o estuário do Tejo. Os Flamingos podem ser facilmente avistados da Ponte Vasco da Gama sobre as salinas próximas a Alcochete.

Curiosidades: A cor rosada do Flamingo provém de pigmentos (carotenos) obtidos através dos crustáceos que compõem a sua alimentação. Quanto mais bem alimentado e saudável estiver um Flamingo mais vibrante será a sua cor.

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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Ambiente na Escola: Observação de aves em Palmela

Porque acreditamos que o ambiente não deve estar presente na educação apenas uma vez por outra, nos dias em que o calendário marca o dia das florestas ou o dia da água, criámos o programa "Ambiente na Escola".
Com este programa tentamos fornecer ferramentas a professores e alunos para que os temas ambientais possam estar presentes na escola de uma forma constante, integrada com as várias disciplinas (ou não), permitindo que se faça uma verdadeira educação ambiental.
Deixo aqui algumas umas imagens obtidas num encontro na Escola Secundária de Palmela, em que os alunos se iniciam na prática de observação de aves e montam caixas-ninho no recinto da escola.

Blogue dos alunos da ES Palmela - clique aqui

Filipe

Construção de uma caixa-ninho Construçao de uma caixa-ninhoColocação de uma caixa-ninhoCaixa-ninho já colocada





Guia de campo - os alunos descobrem a Felosinha



Observação de aves

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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Espécie do mês: Grou

Grou Grus grus (Linnaeus, 1758)

Espanhol: Grulla común
Ingês: Common crane
Francês: Grue cendrée

Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Gruidae

Distribuição mundial: A área de nidificação estende-se da Europa do Norte e Ocidental, através da Eurásia até ao Norte da Mongólia, Norte da China e Leste da Sibéria, com populações nidificantes isoladas no Leste da Turquia e no Tibete. A área de invernada inclui parte da França e da Península Ibérica, Norte e Leste de África, Médio Oriente, Índia e Sul e Leste da China.

Distribuição em Portugal: Inverna no Alentejo interior. Ocorre apenas em quatro núcleos nas regiões de Castro Verde/Mértola, Évora, Moura/Mourão/Barrancos e Campo Maior.

Tipo de ocorrência em Portugal: Invernante

Estatuto de conservação:
No mundo - Pouco Preocupante
Em Portugal - Vulnerável como invernante e Regionalmente Extinto como nidificante.

Tendência populacional: Estável como invernante.

Descrição: Comprimento 114-130 cm; Envergadura 200-230 cm. Ave de grandes dimensões e porte altivo. No solo move-se com uma passada lenta. As suas pernas são altas e de cor escura, o bico é longo e amarelado. A cabeça e o pescoço são negros com excepção de uma lista branca que começa atrás do olho e desce até à base da nuca. No cimo da cabeça tem uma mancha encarnada e a sua plumagem no resto do corpo é cinzenta. Os juvenis possuem uma coloração mais uniforme de tom cinzento.

Habitat: Como local de alimentação preferem searas cultivadas em regime extensivo, pousios, pastagens naturais e montados de azinho pouco densos e sem mato, apresentando acentuada fidelidade, ano após ano, aos locais escolhidos. Para os dormitórios os Grous necessitam de locais pouco perturbados, geralmente associados à presença de água pouco profunda, utilizando açudes e charcas que surgem temporariamente no inverno.

Alimentação: O Grou alimenta-se sobretudo de matéria vegetal, que pode incluir raízes, rizomas, tubérculos, folhas, caules, frutos e sementes. No entanto, também consomem invertebrados, anfíbios, pequenos mamíferos e, menos frequentemente, peixe, ovos e crias de aves. Durante o inverno (em Portugal) o cereal (folhas e grão) e a bolota são fundamentais para a sua dieta, sendo a componente animal da sua alimentação menos importante.

Reprodução: Nidifica em zonas pantanosas e turfeiras. Constrói no ninho no chão. A época de cria dura de Abril a Junho, sendo a postura constituída por dois ovos (raramente três), dos quais geralmente sobrevivem uma ou duas crias.

Comportamento: Esta ave é geralmente observada em bandos, que aumentam em número ao entardecer, reunindo-se vários bandos num dormitório comum, geralmente num local alagado.

Factores de ameaça: Alteração e degradação de habitat de alimentação por intensificação da agricultura, expansão das culturas de regadio e florestação das terras agrícolas. Os Grous são bastante sensíveis à perturbação humana, sobretudo a resultante das actividades cinegéticas. São também muito sensíveis à perturbação nos locais de dormida, resultante da abertura de caminhos e intensificação da actividade humana em locais que anteriormente eram remotos e pouco frequentados.

Curiosidades:
-O nome desta espécie provém do som que ela produz "groo groo".
-As gruas devem o seu nome a esta ave, tal como o guindaste em inglês (crane) provavelmente devido à sua forma fazer lembrar um grou.
-Em notas manuscritas D. Carlos de Bragança referiu que alguns Grous nidificavam no Baixo Guadiana e em Pancas, junto a Alcochete, em finais do século XIX.

Bibliografia:
  1. Almeida J (1992) Census de Grous Grus grus invernantes em Portugal. Airo 3: 55-58.

  2. Almeida J (1998) Grou-comum Grus grus. In: Atlas das aves invernantes do Baixo Alentejo (Elias GL, Reino LM, Silva T, Tomé R & Geraldes P coords.). SPEA, Lisboa.

  3. Almeida J (coord), Catry P, Encarnação V, Franco C, Granadeiro JP, Lopes R, Moreira F, Oliveira P, Onofre N, Pacheco C, Pinto M, Pitta Groz MJ, Ramos J & Silva L (2006) Grus grus Grou. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  4. Almeida J & Pinto M (1992) Selecção dos biótopos de alimentação pelo Grou-comum Grus grus: o caso de Moura (Alentejo). Airo 3: 1-8.

  5. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.

  6. Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1980) The birds of the Western Palearctic Vol II. Oxford University Press, Oxford.

  7. Franco AMA, Brito JC & Almeida J (2000) Modelling habitat selection of Common Crane Grus grus wintering in Portugal using multiple logistic regression. Ibis 14: 351-358.

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

O declínio do pardal

Pardal, Passer domesticusO pardal é uma ave que sempre acompanhou o Homem, ao qual se pensa que está associado desde o neolítico. Com a invenção da agricultura e consequente armazenamento de sementes, passou a haver um recurso abundante para esta pequena ave granívora. A associação do pardal com os seres humanos terá começado no crescente fértil, onde se pensa estar a sua origem, espalhando-se pela Europa e Norte de África, acompanhando a expansão da agricultura. Com os descobrimentos foi levado para as Américas e para muitos outros locais do globo.

Quem diria que esta ave, que nos parece estar por toda a parte, está em declínio acentuado em muitos locais da sua distribuição?
O que teremos feito para que esta espécie, que durante séculos esteve perfeitamente adaptada a coabitar connosco, esteja agora em regressão?

Em Inglaterra, provavelmente o país do mundo onde as aves estão mais bem estudadas, estima-se que o declínio das populações de pardais nos últimos 30 anos foi de 68 por cento. Os seus números começaram a cair em meados da década de 1980, tendo a espécie praticamente desaparecido da zona central de Londres.
Um estudo (Peach et al 2008) recentemente publicado online na revista Animal Conservation analisa o sucesso reprodutor do Pardal durante três anos, na cidade de Leiscester e seus arredores, ao longo de um gradiente de urbanização. Neste trabalho verificou-se que o sucesso reprodutor era muito baixo, com uma grande quantidade de crias a morrerem por inanição nos primeiros quatro dias após a eclosão, o que explica em grande parte a queda de 28 por cento no número de pardais durante o período estudado. Os pardais decresceram mais nas zonas mais urbanizadas, mantendo-se razoavelmente saudáveis nas áreas com mais vegetação.

Pardal, Passer domesticusEmbora a base da dieta dos pardais sejam as sementes, eles são bastante generalistas em relação ao alimento que consomem e, como acontece com a maioria das aves granívoras, alimentam as suas crias com insectos e outros invertebrados, de onde estas retiram as proteínas indispensáveis para o seu crescimento. O que tem acontecido em muitas cidades é que as árvores vão desaparecendo, os quintais, jardins e hortas têm dado lugar a parques de estacionamento e terraços de cimento, as árvores e plantas autóctones vão sendo substituídas por espécies exóticas e a poluição atmosférica tem aumentado significativamente. Tudo isto está a acabar com os insectos, indispensáveis para a sobrevivência dos pardais e de outras aves.

Está na altura de pensarmos se queremos as nossas cidades sejam desertos de biodiversidade, completamente dominadas pelo betão e pelos automóveis ou se procuramos um equilíbrio em que a vida urbana possa coexistir com outros seres vivos. Não é pelos pardais, é mesmo por nós.

Filipe

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Voluntariado pelas aves comuns

Grande parte dos projectos de investigação dedicados à preservação da biodiversidade são dirigidos para espécies raras, cuja sobrevivência está ameaçada. Em Portugal, são exemplos disso os projectos Life dedicados ao Lince Ibérico, ao Priolo ou à Águia de Bonelli, todas espécies de ocorrência rara (ou muito rara), com uma área de distribuição limitada e cujas populações sofreram declínios acentuados num passado recente.
Ninguém discorda que todos os esforços que possam ser realizados para recuperar estas e outras espécies são essenciais. Contudo, não podemos ignorar outras espécies: as comuns. Aquelas pelas quais passamos todos os dias sem dar grande importância, e que só damos pela falta quando já lá não estão. Isto aconteceu um pouco por toda a Europa com a intensificação da agricultura que causou o declínio acentuado de várias espécies de aves das mais comuns dos campos agrícolas e das pastagens.
Com o objectivo de monitorizar as populações de todas as espécies de aves comuns nidificantes em Portugal e os seus habitats, a SPEA lançou o Censo de Aves Comuns (CAC). Este programa, exclusivamente realizado por voluntários, consiste na contagem das aves ao longo dos anos sempre nos mesmos locais, o que permite a obtenção de dados sobre as variações populacionais de um vasto conjunto de espécies nidificantes numa grande variedade de habitats. A informação assim obtida é fundamental para detectar atempadamente declínios nas populações de aves (que funcionam como bons indicadores para a restante biodiversidade), podendo-se estudar as suas causas e alterar políticas, de tal forma que o Índice de Aves Comuns, fornecido pelo CAC, está incluído na Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável 2005-2015, como um dos indicadores a ter em conta.
A importância deste projecto transcende o âmbito nacional, uma vez que os seus resultados são integrados no esquema Pan-europeu de Monitorização de Aves Comuns, coordenado pela Birdlife International e pelo European Bird Census Council.

Filipe

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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Boas notícias para o Airo-marmoreado

Estamos habituados a ver as aves marinhas a nidificar em grandes colónias situados em rochedos ou praias, sobretudo em ilhas remotas. Mas no caso do Airo-marmoreado (Brachyramphus marmoratus), uma espécie que ocorre no Oceano Pacífico, a localização dos seus ninhos foi durante muito tempo um grande mistério, pois até 1974 nunca nenhum tinha sido encontrado. Neste ano, um homem que trepava a uma grande árvore, a alguns quilómetros da costa, encontrou por acaso um ninho de Airos-marmoreados num ramo da árvore. Hoje sabe-se que nidificam em florestas antigas de coníferas, com árvores muito velhas, a uma altura que pode atingir os 45 m, podendo os ninhos ficar a uma distância do mar superior a 70 km. Isto é espantoso, uma vez que esta espécie se alimenta no mar e, durante a nidificação, os progenitores têm que se deslocar toda esta distância para vir alimentar as crias.

O Airo-marmoreado é uma espécie considerada ameaçada, tendo-lhe sido atribuido o estatuto "em perigo" pela IUCN. Recentemente, o U.S. Fish and Wildlife Service tinha autorizado o abate de 90 % das florestas que são usadas por esta espécie para nidificar, como parte do plano da administração Bush de aumentar as receitas da produção florestal à custa das florestas antigas da costa Noroeste. No entanto, esta agência voltou atrás na sua decisão e optou por poupar estas florestas, após ter recebido diversos pareceres científicos, preservando o habitat deste Airo.

Para saber mais: Associated Press, Earthjustice

Filipe

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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Aves marinhas e aquecimento global

O Urso-polar tem sido o símbolo dos efeitos das alterações climáticas na biodiversidade já que diariamente vê o seu habitat derreter debaixo dos pés.
A grande vantagem de um símbolo é termos algo com que nos identificar e que nos ajuda a compreender o problema, desde que não pensemos que esta é a única espécie afectada, ou que os efeitos do aquecimento global vão apenas prejudicar a espécie X e a espécie Y. Os efeitos são vastos e atingem todo o ecossistema e por consequência o Homem.
Diariamente leio artigos científicos que, uma a uma, vão acrescentando espécies à lista das que estão já a sofrer os resultados das alterações climáticas. Esta avalanche de informação sublinha a urgência da mudança de comportamentos essencial para revertermos os danos que estamos a causar.
Hoje o artigo que li foi sobre o Alcaide (ou Moleiro-grande, como também é conhecido) Catharacta skua, que é uma ave marinha típica das altas latitudes. Em Portugal, pode ser observado a partir de pontos estratégicos ao longo da costa durante o Inverno. O Alcaide é semelhante em tamanho e no formato a uma gaivota, mas de cor castanha, e é conhecido como um pirata do mar. Além de ser um predador que se alimenta de peixes e pequenas aves, também rouba as presas às gaivotas e às andorinhas-do-mar.
Apesar de ser uma ave marinha, o Alcaide passa muito tempo a tomar banho em charcos com água doce perto dos seus locais de nidificação. Este comportamento tem uma importante função de regulação da temperatura.
As alterações climáticas têm causado a redução dos efectivos de alguns peixes que são uma das principais presas desta espécie durante a época de reprodução, levando a que os Alcaides tenham que passar mais tempo a procurar alimento, ficando com menos tempo para tomar banho e para guardar as crias. Estes dados indicam que para esta ave os efeitos directos das alterações climáticas, por stress térmico, e indirectos, por redução dos stocks de presas, podem ser cumulativos.

Filipe

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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

O Bisbis e a conservação da laurissilva

A BirdLife International, a principal ONG mundial ligada ao estudo e conservação das aves, reconheceu o estatuto de espécie ao Bisbis (Regulus madeirensis), uma ave que apenas existe no Arquipélago da Madeira. O Bisbis até agora era considerado uma subespécie de Regulus ignicapillus (a Estrelinha-real) que é uma espécie comum na Europa, incluindo Portugal Continental. O Bisbis distingue-se deste seu congénere através de alguns caracteres morfológicos e de cor da plumagem, mas sobretudo através do seu canto.

Quais são as vantagens deste reconhecimento? Pelo facto de deixar de ser só mais uma população de Estrelinha-real a somar a tantas outras e passar a ser uma espécie endémica de uma região muito restrita abriram-se as portas para a obtenção de mais fundos para a investigação e conservação desta população e contribuiu-se para um aumento do potencial para o turismo ornitológico da região. Tudo isto são aspectos positivos desde que não desviem a atenção, e já agora os fundos, de espécies que estejam mais necessitadas. Mas talvez a principal vantagem do reconhecimento do Bisbis como espécie seja o de criar ainda mais um argumento para a preservação do seu habitat natural: a laurissilva, que é um tipo de habitat típico das ilhas da Macaronésia, com características únicas. A laurissilva, antes da chegada do Homem, ocupava a maior parte do território das ilhas, estando agora confinada a pequenas manchas que são ameaçadas pela invasão de espécies exóticas e pelo seu reduzido tamanho que as torna muito vulneráveis a qualquer perturbação.

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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Roquinho - Ave do ano 2007


Com o objectivo de chamar a atenção para a necessidade de conservação de algumas espécies de aves menos conhecidas, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) escolheu como ave do ano 2007 o Roquinho.

O Roquinho, também conhecido como Paínho da Madeira, Alma-de-mestre ou Roque de Castro (Oceanodroma castro) é uma ave marinha de muito pequeno porte. Embora seja parente (afastado) dos albatrozes, esta ave tem apenas 20 cm de comprimento e 44 cm de envergadura (algumas espécies de albatroz ultrapassam os 3 m). Apesar da sua aparente fragilidade o Roquinho passa quase toda a sua vida no mar, resistindo com aparente facilidade a todas as tempestades. Só na altura da nidificação é que esta ave vem a terra. No caso de Portugal, apenas cria no Arquipélago dos Açores e nos Farilhões (nas Berlengas).

Apesar de resistir a todas as intempéries no mar, o Roquinho está ameaçado em terra. O principal factor de ameaça é a introdução de espécies nas ilhas onde ocorre. Por ter evoluído em ilhas oceânicas, onde não existiam mamíferos predadores de ninhos, o Roquinho é totalmente indefeso perante gatos ou ratazanas que venham pilhar os seus ovos ou crias. Por isso as suas colónias devem ser vigiadas e protegidas.

Para saber mais sobre esta espécie e sobre esta campanha clique aqui.
Filipe

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