
A iluminação artificial é indispensável na sociedade moderna, incluindo a iluminação de ruas, estradas e espaços públicos, a iluminação de segurança (faróis, aviso a aviões, etc.) e a iluminação que beneficia o aspecto e a segurança dos edifícios.
O uso crescente da luz artificial pode, no entanto, causar problemas. Assim, criou-se o termo poluição luminosa para designar o excesso de luz criada pelo Homem.
A poluição luminosa é responsável pela alteração de ritmos biológicos de várias espécies, sobretudo das que têm actividade nocturna. Ao alterar comportamentos de alimentação, reprodução ou migração a poluição luminosa produz desequilíbrios que podem afectar ecossistemas inteiros.
Estes são alguns exemplos de impactos negativos associados à poluição luminosa:
Aves
Muitas espécies de aves, em particular as não planadoras, migram sobretudo durante a noite e utilizam a lua e as estrelas como meio de orientação. Quando voam sobre áreas intensamente iluminadas é frequente desorientarem-se. Além disso, muitos indivíduos são atraídos por edifícios intensamente iluminados, morrendo ao voarem de encontro a eles, ou caindo de exaustão após voarem em círculos ao seu redor. É frequente encontrarem-se centenas de aves mortas em torno de um farol durante o período migratório. Em 1954, em apenas dois dias 50.000 aves morreram numa base aérea no estado da Geórgia nos EUA. Morrem mais aves anualmente devido à poluição luminosa do que devido a acidentes com petroleiros, embora estes tenham muito mais mediatismo e as imagens de aves mortas ou afectadas pelas marés negras apareçam muito mais frequentemente nos jornais e na televisão.
Répteis
As tartarugas marinhas também são afectadas pela poluição luminosa. Estas tartarugas vêm desovar a terra, dirigindo-se em seguida para o mar. As crias quando eclodem estão muito vulneráveis a todo tipo de predadores e têm que se encaminhar para o mar o mais rapidamente possível. No entanto, são atraídas pelas luzes e dirigem-se para terra. Também as fêmeas adultas são afectadas pelas luzes, uma vez que se orientam pelas estrelas para encontrar a praia onde vão desovar.
Anfíbios
Muitas espécies de anfíbios são nocturnas, aproveitando a protecção da noite para se alimentarem sem chamarem a atenção de predadores, estando inclusivamente mais activas em noites sem lua. Vários estudos têm comprovado que muitos anfíbios iniciam o seu período de actividade mais tarde em zonas iluminadas, dispondo de menos tempo para se alimentarem.
Mamíferos
Não existem muitos estudos sobre o efeito da poluição luminosa nos mamíferos, mas sabe-se que uma enorme percentagem de espécies é nocturna incluindo os morcegos, a maioria dos pequenos carnívoros e roedores, 20 % dos primatas e 80 % dos marsupiais. Deste modo, seria surpreendente se o excesso de iluminação nocturna não tivesse qualquer efeito sobre as suas populações.
Insectos
Muitas espécies de insectos, como as borboletas nocturnas, são atraídas pela luz, tornando-se mais vulneráveis a predadores oportunistas e induzindo-as a colocar os seus ovos em sitos inapropriados. Muitos investigadores relacionam o declínio de muitas populações de borboletas nocturnas com a iluminação artificial. Além disso, algumas espécies, como os pirilampos, comunicam por sinais luminosos, sendo esta comunicação impedida ou dificultada pelo excesso de luz.
Impactos no ser humano
A iluminação artificial pode produzir efeitos fisiológicos no ser humano, alterando a produção de hormonas responsáveis pelo ciclo dormir-acordado. A disrupção deste ciclo está associada a problemas como a insónia, a depressão, a asma e mesmo ataques cardíacos.
A poluição luminosa tem dificultado cada vez mais a observação dos astros, interferindo com a operacionalidade dos telescópios. Os astrónomos têm que recorrer a sitos remotos para poderem conduzir a sua investigação.
Porém, não são os astrónomos profissionais os únicos a sentirem-se prejudicados. A astronomia atrai inúmeros amadores que investem o seu tempo e dinheiro na compra de equipamento óptico e livros.
Além disso, a astronomia possui um potencial enorme de desenvolver o gosto pela ciência nos jovens, sendo negativo o efeito que a poluição luminosa causa no desenvolvimento desta actividade.
Para além de tudo isto, quase toda a gente gosta, nem que seja de vez em quando, de contemplar as estrelas ou a lua, prazer esse que nos é negado nas grandes cidades e na sua proximidade.
O que podemos fazer
Muita da iluminação publica é desperdiçada, já que muitas vezes ilumina para cima e para os lados. Muitos dos candeeiros emitem entre 30 e 50% da luz para cima, devendo ser substituídos por outros com protecções superiores e laterais que direccionem a luz para baixo. Em muitos locais poderiam existir sensores de movimento que activariam a iluminação, reduzindo-se o tempo em que esta estaria ligada.
Algumas empresas, ou mesmo habitações claramente exageram na iluminação dos seus edifícios e propriedades. A redução desta iluminação traria benefícios não só para a redução da poluição luminosa, como para a redução do gasto de energia.
Filipe
Etiquetas: Impacto Ambiental, poluicao, poluicao luminosa