Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

A internet está a transformar-se num monstro?

Internet = monstro?Recentemente foi divulgado um estudo que calculava o gasto energético de uma pesquisa no Google, que pelos vistos equivale a metade da energia necessária para ferver água numa chaleira eléctrica. Ou seja, cada pesquisa é responsável pela emissão de 7 g de dióxido de carbono (ver notícia). Multiplique-se este valor pelos milhões de pesquisas diárias pelo mundo fora e obtém-se um valor assustador.
Claro que a Google contesta estes valores, mas mesmo os 0,2 g de CO2 por pesquisa que a empresa apresenta já são significativos.

Um outro estudo mostra que à medida que a internet cresce, é necessária uma maior quantidade de energia para que os servidores cada vez mais potentes funcionem. Estima-se que em 2005 a energia gasta pelos servidores e centrais de dados representou 2 por cento da energia consumida no mundo em 2005, tendo o seu valor duplicado entre 2000 e 2005.
Para termos o real gasto energético (e consequentes emissões de CO2) da internet há que somar ainda a enrgia gasta pelos computadores dos utilizadores.
Estará a internet a transformar-se num monstro?


Filipe

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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Impactos da construção da barragem de Alqueva nas populações de carnívoros

A albufeira de Alqueva, o maior lago artificial da Europa, foi uma das obras públicas mais controversas dos últimos anos em Portugal. De acordo com muitos, os benefícios da sua construção não superam os impactos negativos tanto socioeconómicos como ambientais.
A verdade é que a área de Alqueva tem sido alvo de inúmeros estudos que servirão de referência para futuros projectos e que poderão dar pistas para a gestão da área com o intuito minimizar os impactos ambientais negativos.
Recentemente, um grupo de investigadores da Universidade de Lisboa publicou um trabalho (Santos et al. 2008) que relata os resultados da monitorização dos impactos da construção e implementação da barragem de Alqueva nas populações de carnívoros ameaçados.
As espécies estudadas foram o Toirão, a Lontra, o Gato-bravo e o Lince-ibérico.
O estudo apresenta como principais impactos da construção de uma barragem o incremento na acessibilidade e na visitação humana, o movimento de maquinaria pesada, a desflorestação com perda e fragmentação do habitat, a transformação de sectores lóticos do rio (com água corrente) em lênticos (águas paradas), menor disponibilidade de presas e alterações no uso do solo nos terrenos adjacentes à albufeira.
Os resultados obtidos a partir da monitorização das populações de carnívoros revelaram uma diminuição das áreas de distribuição das espécies estudadas (com alguma recuperação por parte da Lontra). Os autores sugerem que para assegurar a sobrevivência destas espécies carismáticas das paisagens do Sul de Portugal é imperativo continuar o esforço de monitorização das suas populações e desenvolver esforços de conservação para a manutenção e melhoramento dos habitats envolventes.

Filipe

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Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

Poluição luminosa

A iluminação artificial é indispensável na sociedade moderna, incluindo a iluminação de ruas, estradas e espaços públicos, a iluminação de segurança (faróis, aviso a aviões, etc.) e a iluminação que beneficia o aspecto e a segurança dos edifícios.
O uso crescente da luz artificial pode, no entanto, causar problemas. Assim, criou-se o termo poluição luminosa para designar o excesso de luz criada pelo Homem.


A poluição luminosa é responsável pela alteração de ritmos biológicos de várias espécies, sobretudo das que têm actividade nocturna. Ao alterar comportamentos de alimentação, reprodução ou migração a poluição luminosa produz desequilíbrios que podem afectar ecossistemas inteiros.

Estes são alguns exemplos de impactos negativos associados à poluição luminosa:

Aves

Muitas espécies de aves, em particular as não planadoras, migram sobretudo durante a noite e utilizam a lua e as estrelas como meio de orientação. Quando voam sobre áreas intensamente iluminadas é frequente desorientarem-se. Além disso, muitos indivíduos são atraídos por edifícios intensamente iluminados, morrendo ao voarem de encontro a eles, ou caindo de exaustão após voarem em círculos ao seu redor. É frequente encontrarem-se centenas de aves mortas em torno de um farol durante o período migratório. Em 1954, em apenas dois dias 50.000 aves morreram numa base aérea no estado da Geórgia nos EUA. Morrem mais aves anualmente devido à poluição luminosa do que devido a acidentes com petroleiros, embora estes tenham muito mais mediatismo e as imagens de aves mortas ou afectadas pelas marés negras apareçam muito mais frequentemente nos jornais e na televisão.

Répteis

As tartarugas marinhas também são afectadas pela poluição luminosa. Estas tartarugas vêm desovar a terra, dirigindo-se em seguida para o mar. As crias quando eclodem estão muito vulneráveis a todo tipo de predadores e têm que se encaminhar para o mar o mais rapidamente possível. No entanto, são atraídas pelas luzes e dirigem-se para terra. Também as fêmeas adultas são afectadas pelas luzes, uma vez que se orientam pelas estrelas para encontrar a praia onde vão desovar.

Anfíbios

Muitas espécies de anfíbios são nocturnas, aproveitando a protecção da noite para se alimentarem sem chamarem a atenção de predadores, estando inclusivamente mais activas em noites sem lua. Vários estudos têm comprovado que muitos anfíbios iniciam o seu período de actividade mais tarde em zonas iluminadas, dispondo de menos tempo para se alimentarem.

Mamíferos

Não existem muitos estudos sobre o efeito da poluição luminosa nos mamíferos, mas sabe-se que uma enorme percentagem de espécies é nocturna incluindo os morcegos, a maioria dos pequenos carnívoros e roedores, 20 % dos primatas e 80 % dos marsupiais. Deste modo, seria surpreendente se o excesso de iluminação nocturna não tivesse qualquer efeito sobre as suas populações.

Insectos

Muitas espécies de insectos, como as borboletas nocturnas, são atraídas pela luz, tornando-se mais vulneráveis a predadores oportunistas e induzindo-as a colocar os seus ovos em sitos inapropriados. Muitos investigadores relacionam o declínio de muitas populações de borboletas nocturnas com a iluminação artificial. Além disso, algumas espécies, como os pirilampos, comunicam por sinais luminosos, sendo esta comunicação impedida ou dificultada pelo excesso de luz.

Impactos no ser humano

A iluminação artificial pode produzir efeitos fisiológicos no ser humano, alterando a produção de hormonas responsáveis pelo ciclo dormir-acordado. A disrupção deste ciclo está associada a problemas como a insónia, a depressão, a asma e mesmo ataques cardíacos.

A poluição luminosa tem dificultado cada vez mais a observação dos astros, interferindo com a operacionalidade dos telescópios. Os astrónomos têm que recorrer a sitos remotos para poderem conduzir a sua investigação.
Porém, não são os astrónomos profissionais os únicos a sentirem-se prejudicados. A astronomia atrai inúmeros amadores que investem o seu tempo e dinheiro na compra de equipamento óptico e livros.
Além disso, a astronomia possui um potencial enorme de desenvolver o gosto pela ciência nos jovens, sendo negativo o efeito que a poluição luminosa causa no desenvolvimento desta actividade.
Para além de tudo isto, quase toda a gente gosta, nem que seja de vez em quando, de contemplar as estrelas ou a lua, prazer esse que nos é negado nas grandes cidades e na sua proximidade.

O que podemos fazer

Muita da iluminação publica é desperdiçada, já que muitas vezes ilumina para cima e para os lados. Muitos dos candeeiros emitem entre 30 e 50% da luz para cima, devendo ser substituídos por outros com protecções superiores e laterais que direccionem a luz para baixo. Em muitos locais poderiam existir sensores de movimento que activariam a iluminação, reduzindo-se o tempo em que esta estaria ligada.
Algumas empresas, ou mesmo habitações claramente exageram na iluminação dos seus edifícios e propriedades. A redução desta iluminação traria benefícios não só para a redução da poluição luminosa, como para a redução do gasto de energia.


Filipe

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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Más condições ambientais matam 15 mil pessoas por ano...........em Portugal


Em primeiro lugar, e antes que alguém evoque o extremismo e catastrofismo dos "verdes" para desvalorizar a informação, quem o diz não é nenhuma organização ambientalista. A fonte desta informação é o relatório "Environmental burden of disease" da Organização Mundial de Saúde.

Este relatório está disponível no sitio oficial da OMS, foi produzido por especialistas da organização a partir da análise de dados referentes ao ano de 2004. Nele pode ler-se que só a má qualidade do ar mata 1.900 pessoas em Portugal todos os anos e que, apesar de nenhum país ser totalmente imune ao impacto ambiental da saúde, simples mudanças comportamentais poderiam reduzir muito o número de vítimas.

Ora, desde que estou envolvido nas questões ambientais, qualquer discussão sobre os impactos ambientais deste ou aquele projecto rapidamente degenera para a acusação de extremismo dos ambientalistas e da necessidade de "temperar" a protecção ambiental com os supremos interesses do desenvolvimento nacional. Eu deixo uma questão, se 15 mil mortos por ano não são suficientes para colocar a degradação das condições ambientais entre as prioridades nacionais, digam um número que possa ser considerado razoável. 20? 25? Sei lá 30 mil?
Mais informações clique aqui.

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