Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Os ossos e o clima

Sempre que temos um Inverno mais fresquinho, como este, levantam-se as vozes do costume: "ainda dizem que há aquecimento global". O que se compreende, porque a maioria de nós não possui uma base de dados com as medições dos parâmetros do clima dos últimos 40 anos e se os nossos ossos nos dizem que está um gelo, então isso do aquecimento global deve ser uma invenção. Além disso, quando estamos convictos de uma teoria, tendemos a olhar com mais atenção para os fenómenos que (aparentemente) a apoiam. Mas será que podemos confiar apenas nos nossos ossos para fazer previsões sobre o futuro do clima?

Prever o clima é, como todos sabemos, uma tarefa difícil e altamente falível, sobretudo quando nos atrevemos a prevê-lo num intervalo temporal alargado. Mas para isso é que serve a ciência. Para acumular uma grande quantidade de dados que permitem observar os fenómenos de uma maneira menos subjectiva e sobretudo para testar experimentalmente as hipóteses que os procuram explicar.

Nos Estados Unidos, a terra das estatísticas, foi feita uma sondagem a todos os cientistas listados no departamento de geociências do Instituto Geológico Americano com o objectivo de saber a sua opinião sobre as alterações climáticas. Concluiu-se que 90 por cento dos 3.146 inquiridos acreditam que o aquecimento global é real e que 82 por cento concordam que a sua causa é a actividade humana. Se restringirmos a sondagem aos climatologistas a percentagem dos que atribuem ao Homem a causa das alterações climáticas sobe para os 97.
Na minha opinião estes resultados mostram que quanto mais uma pessoa sabe sobre o clima maior é a tendência para concordar que este está a mudar devido à actividade humana.
De todos os cientistas abordados, os mais cépticos são (pasme-se) os geólogos do petróleo, dos quais apenas 47 por cento aceitam uma influência humana no clima. Quanto ao cidadão comum, neste momento já 58 por cento dos americanos acreditam que a actividade humana está a contribuir para o aquecimento global.

Tenho alguma curiosidade de saber quais seriam os resultados de uma sondagem semelhante na população portuguesa. Olhando pela janela e vendo o trânsito infernal que está lá em baixo, quer-me parecer que ainda confiamos mais nos ossos.

Para saber mais: Mongabay

Filipe

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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Aquecimento global

Cartoon, Aquecimento global "-Boas notícias! Com a actual taxa de aquecimento global devemos conseguir nadar ali para cima e comê-lo em menos de cinco anos...!"

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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

O futuro exílio das Maldivas

MaldivasAs Maldivas são quase um sinónimo de paraíso na Terra. Esta nação arquipélago de atóis de coral e praias de areia branca situada no Oceano Índico é constituída por quase 1200 ilhas, das quais apenas 250 são habitadas. Sendo o país asiático com menor população, com apenas 350.000 habitantes, recebe uma enorme quantidade de turistas do mundo inteiro.
O outro record das Maldivas é que é o melhor país do mundo para quem sofre de vertigens, já que o seu ponto mais alto atinge uns impressionantes 2,3 metros. Como no último século o nível médio da água do mar subiu cerca de 20 cm é normal que os maldivanos estejam preocupados.
De facto, com o tsunami que atingiu o Oceano Índico em 2004 as ondas que varreram estas ilhas deixaram-nas praticamente submersas, matando algumas pessoas e causando enormes estragos.
Como as previsões para o aquecimento global e consequente subida do nível do mar não são animadoras, as Maldivas necessitam de um plano para assegurar que as futuras gerações têm onde viver. Sendo uma pequena nação, com um peso muito reduzido na política e economia mundiais, é pouco provável que a diplomacia maldivana consiga convencer as outras nações a abdicar do seu estilo de vida só para que este pequeno paraíso possa continuar a existir. Assim, o recém-eleito presidente da república (o primeiro que foi eleito democraticamente) apresentou a sua proposta, que consiste em criar um fundo com as receitas do turismo para que sejam compradas terras em locais seguros para onde a população se possa exilar quando o seu país for engolido pelo mar.
Os locais mais prováveis para este exílio são os vizinhos Siri Lanka e Índia, escolhidos pela maior proximidade cultural.
As Maldivas, por força das circunstâncias, vêem-se obrigadas a pensar no futuro. Num futuro que não é só o do próximo ciclo eleitoral de 4 anos como acontece nos restantes países.
Filipe

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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

O que é que o ambiente pode esperar de Barak Obama?

Barak Obama, Política ambiental, Alterações climáticas, Estados UnidosJá é um lugar-comum dizer que a eleição de Barak Obama representa uma mudança histórica na maneira como a América olha para o mundo e para si mesma, mas enquanto toda a ênfase tem sido posto na questão racial, na economia e nas relações internacionais, é também importante pensar o que é que a eleição de Obama pode trazer de novo para o ambiente.

Pode-se dizer que depois de um presidente que vem direitinho do lobby do petróleo e que durante largos anos da sua administração fez questão de negar que as alterações climáticas tivessem qualquer base científica nada pode ser pior.
Obama não só reconhece as alterações climáticas como um problema como as considera um dos principais desafios a que deve fazer face durante o seu mandato.
O combate às alterações climáticas vem associado a outro tema querido de Obama e dos americanos (e não só) que é o combate dependência energética do exterior, principalmente no que diz respeito ao petróleo. Para isto propõe investimentos avultados na investigação de novas fontes de energia, na criação dos chamados empregos verdes, na criação de infraestruturas de energias alternativas e na eficiência energética. Obama pretende ainda implementar alterações ao regime fiscal para incentivar energias limpas e penalizar o consumo de combustíveis fósseis.
Para os ambientalistas Obama tem ainda alguns pecados ambientais como o facto de ser favorável, pelo menos para já, à energia nuclear e ao carvão limpo. Os mais moderados argumentarão que não se pode mudar tudo de uma só vez e dão o benefício da dúvida ao recém-eleito presidente.

Talvez mais importante ainda do que a alteração destas políticas concretas é a disponibilidade apresentada para assinar acordos internacionais sobre emissões de carbono (e outros) ao contrário dos seus predecessores. É sabido que os EUA, mesmo sendo o país que mais polui per capita e o segundo país com maiores emissões de dióxido de carbono termos absolutos (foram recentemente ultrapassados pela China), nunca aceitou o Tratado de Quioto. O mundo nunca conseguirá reverter de forma significativa os danos que estão a ser causados ao planeta sem o apoio ou mesmo a liderança dos EUA.

Filipe

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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Cartoon.



Mais uma celebridade de Hollywood que vai voar para Washington no seu jacto privado para plantar uma árvore para combater o aquecimento global

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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Vai uma salada?

salada, alimetação vegetarianaRajendra Pachauri, presidente do Painel Internacional sobre Alterações Climáticas (vencedor do Prémio Nobel da Paz), afirmou que comer menos carne pode ser o melhor modo para as pessoas reduzirem as suas emissões de carbono. Pachuri aconselha (aos omnívoros, os vegetarianos estão dispensados) a que se abdique da carne um dia por semana e que depois de se tomar o gosto aos petiscos vegetarianos se reduza um pouco mais.
Numa análise realizada pela FAO (Food and Agriculture Organization da ONU) conclui-se que o contributo do gado para as alterações climáticas, incluindo a desflorestação e a emisão de metano e outros gases pelos animais, consegue ser superior ao do sector dos transportes.

Uma coisa é certa, ao reduzirmos a quantidade de carne que consumimos acabamos por descobrir alimentos que não conheciamos, aumentamos a imaginação das nossas receitas e passamos a ter uma alimentação mais saudável.

Filipe

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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

O café é a próxima vítima do aquecimento global

Cafe, maquina de cafe, comercio justo, alterações climáticas, aquecimento global, Uganda, Africa, pobrezaA produção de café no Uganda, o segundo maior produtor africano (depois da Etiópia), está ameaçada e pode mesmo desaparecer nos próximos 30 anos. Quem o afirma é Oxfam, a maior organização mundial de comércio justo, e a causa, já se sabe, é o aquecimento global. A intensidade e a duração dos períodos de seca têm aumentado, tal como a violência das cheias.
Os habitantes do Uganda, que pouco contribuem para as alterações climáticas a uma escala global, estão a sofrer todas as consequências, com o aumento de epidemias (muitas delas causadas pelas cheias) e a redução das colheitas agrícolas, em particular do café, que é uma das principais fontes de receita do país.

Depois do aquecimento global estar a dar cabo da produção de cerveja, será que não podia deixar o café em paz?

Filipe

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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Semana de trabalho de 4 dias para poupar energia

Salt Lake City, Utah, EUA, USA, Politica ambiental, eficiência energéticaO estado do Utah, nos EUA, está a implementar uma medida inovadora (pelo menos para um estado) para aumentar a eficiência energética e consequentemente para reduzir as emissões de CO2. A partir de Agosto, cerca de 17.000 funcinarios públicos vão fazer fins-de-semana de três dias, trabalhando 10 horas por dia nos restantes quatro dias. Cerca de um terço dos 3.000 edifícios do estado vão encerrar à sexta-feira, levando a poupanças no aquecimento e no ar condicionado de cerca de 3 milhões de dólares por ano. O Estado espera poupar também nos combustíveis dos veículos governamentais.
Porém, esta medida levanta algumas dificuldades, como o ajuste dos horários dos transportes e dos infantários, bem como facto do acesso ao público a certos serviços ficar limitado.
Mesmo assim o governador do estado afirma que a reacção do público tem sido muito positiva.

Para saber mais clique aqui

Filipe

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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Tuataras condenadas a vida sem sexo e extinção

As Tuataras são um dos quatro grandes grupos que constituem os répteis, juntamente com as tartarugas, os crocodilos e os escamosos (que incluem as cobras e os lagartos). Estes animais foram contemporâneos dos dinossauros e em tempos habitaram uma grande área do globo. Hoje apenas existem duas espécies de Tuataras em cerca de 30 pequenas ilhas pertencentes à Nova Zelândia.
As Tuataras são animais algo bizarros. À primeira vista são parecidas com um lagarto ou com uma iguana, mas algumas características separam-nos destes: não possuem ouvido externo, nem pénis, mas por outro lado têm um olho especial no meio da testa que lhes serve para terem uma melhor percepção da temperatura ambiente.
Ao contrário do que acontece nos mamíferos ou nas aves, o sexo dos indivíduos nestes répteis não é determinado por cromossomas, mas sim pela temperatura ambiente, mais concretamente pela temperatura do solo junto aos ovos. Quando está mais fresquinho nascem fêmeas, quando faz calor nascem machos.
De certeza que já estão a ver qual é o problema. Com o aquecimento global vão começar a nascer cada vez menos Tuataras meninas, até que, segundo um modelo recentemente produzido, em 2085 já só haverá Tuataras meninos. Como estes animais só vivem em pequenas ilhas oceânicas, não têm para onde fugir em busca de climas mais frescos.
Esta é mais uma crónica de uma extinção anunciada.

Filipe

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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A vara ou a cenoura?

Assumindo que as alterações climáticas são o principal problema que a humanidade enfrenta e que as grandes empresas são um dos grandes responsáveis por esse problema, como devemos tratá-las? Batendo-lhes com a vara ou acenando-lhes com a cenoura? A organização Carrotmob defende que lhes devemos acenar com a cenoura.

Mesmo que a solução não esteja aqui, sempre é um bom ponto de partida para uma discussão.

Filipe



Carrotmob Makes It Rain from carrotmob on Vimeo.

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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

China: o maior poluidor mundial

Um relatório da Agência holandesa de avaliação ambiental revelou o que já se suspeitva: que a China já é o maior poluidor mundial, pelo menos no que toca a emissões de gases com efeito de estufa. O enorme crescimento económico somado à sua predilecção pela produção de energia recorrendo ao carvão levaram a um aumento das emissões de 8% ao ano. Só a produção de cimento é responsável por um quinto da produção de gases com efeito de estufa.
Mesmo assim, a China ainda está longe das emissões per capita dos EUA. Por enquanto um americano ainda polui mais do que quatro chineses. E mesmo a União Europeia ainda está acima da China, com a agravante de que com as nossas compras somos responsáveis por uma parte das emissões chinesas.


Filipe

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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Petição contra a crise alimentar

A FAO (a organização das nações unidas para agricultura e alimentação) realizou uma análise que afirma que é provável que o preço dos alimentos no mundo continue relativamente alto pelo menos durante a próxima década. Os aumentos do preço da energia e da procura dos biocombustíveis associados à especulação no preço das matérias-primas vão continuar a influenciar o custo dos alimentos. Outro factor que pode entrar nesta equação é o aquecimento global, que se prevê que diminua a produtivadade global da agricultura.
A FAO alerta para o facto de alguns governos estarem a subsidiar a produção de biocombustíveis estar a subverter o mercado e quem paga a factura são, obviamente, os mais pobres.
Assim, a campanha Pobreza Zero está a organizar uma petição aos líderes do G8, da ONU, da União Europeia e Portugal pedindo uma acção imediata contra a crise alimentar global.

Filipe

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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

ALELUIA!!

(por favor leia este post sentado, é que o choque pode ser grande)

Custou mas foi.

Teve de ser à força mas foi.

Foi necessário uma decisão do tribunal mas finalmente aconteceu.

O governo norte-americano publicou um relatório com o aborrecido título de "Scientific Assessment of the effects of global change in the United States". Este documento é histórico por duas razões:
- em primeiro lugar pelo atraso. De acordo com a lei federal americana o relatório deveria ter sido publicado em 2004. Foi preciso muito trabalho e intervenção da justiça para que a administração deixasse de fugir e cumprisse a lei.
- em segundo lugar porque no último parágrafo da primeira página depois do índice aparece uma afirmação histórica. A administração Bush admite pela primeira vez que existe uma elevada probabilidade (entre 90 e 99%) das alterações climáticas se deverem à acção humana.

É um momento tremendamente histórico, eu até abria uma garrafa de champanhe mas não quero libertar esse carbono que já está sequestrado.

Imaginem o que estes senhores poderiam ter feito com as energias, tempo e dinheiro que gastaram a tentar não publicar o relatório. Ou melhor não imaginem.

O que está feito, está feito (neste caso o que não foi feito, não foi feito).

Os senhores já admitiram, agora esperemos que façam qualquer coisa sobre o assunto.

José Luís

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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Nem a gregos nem a troianos

Há um par de semanas o Urso-polar foi classificado como espécie "ameaçada" pelo Departamento do Interior dos EUA. Agora esta instituição está a ser processada por um bloco de associações ambientalistas que afirmam que a espécie devia ter sido classificada "em perigo de extinção" porque só assim podiam ser dados passos para combater os factores que mais ameaçam a sobrevivência dos ursos (especialmente o aquecimento global). Com a classificação actual não é possível implementar restrições a novas perfurações para gás e petróleo.
Por outro lado, o governador do estado do Alasca também vai processar o governo americano, mas pela razão oposta: este governador acredita que o Urso-polar possui populações perfeitamente saudáveis e que não há modelos climáticos credíveis que demonstrem que existem alterações climáticas causadas pelo Homem.


Filipe

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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Devagar se vai ao longe

A companhia aérea SAS encontrou uma maneira viável de baixar o consumo dos seus aviões e consequentemente a emissão de poluentes: voar mais devagar.
Esta mudança, que já está a ser testada há dois anos, permitiu poupar algo como 12 milhões de dólares em combustíveis com uma demora de apenas alguns minutos em cada voo. Outra vantagem que a companhia espera obter é uma melhor imagem perante um público cada vez mais preocupado com o ambiente.
Com o aumento do preço dos combustíveis bem podemos seguir o exemplo da SAS: conduzir mais devagarinho (e se possível deixar o carro mais dias sossegado).

Filipe

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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

A administração Bush faz uma emissão importante...


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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Efeito dominó


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Domingo, 4 de Maio de 2008

O unicornio dos mares está em perigo

O Urso-polar tem sido um dos emblemas da Natureza a desaparecer no Árctico. Com a destruição da camada de gelo o urso está a perder o seu habitat, as suas populações estão cada vez mais fragmentadas e a extinção na Natureza parece cada vez mais inevitável se o processo de aquecimento global não for revertido. O Urso-polar é o simbolo carismático perfeito para nos alertar para os perigos das alterações climáticas: é uma espécie muito bonita e fotogénica, é um dos maiores atractivos dos zoos que possuem alguns exemplares, dá uns peluches muito giros e a imagem dum urso sozinho num pequeno bloco de gelo a flutuar na vastidão do oceano vale mais do que mil artigos científicos para cativar a opinião pública. Não nos podemos é esquecer que o Urso-polar é só uma das muitas espécies que estão a desaparecer no Árctico. Mesmo dentro dos mamíferos marinhos existe pelo menos uma espécie que parece estar ainda em piores condições que o Urso-polar - o Narval.
O Narval é um animal invulgar, lembra um golfinho ou uma pequena baleia com um enorme chifre (que na realidade é um dente) que pode chegar a medir três metros e pesar 10 kg (!!!). Este unicornio dos mares foi considerado o mamífero marinho do Árctico mais sensível às alterações climáticas. Segundo um estudo publicado recentemente na revista Ecological Applications, o Urso-polar, a Foca-de-capuz, a Morsa e a Baleia-franca-boreal completam o top 5 das espécies árcticas cuja sobrevivência está mais ameaçada.

Filipe

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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Obrigadinho!!


Quero apresentar os meus sinceros agradecimentos à AUDI, Mercedes, BMW e Porsche. O que mais fazia falta neste mundo são novos SUVs nas estradas mundiais.

Obrigadinho pelos novos modelos. O planeta já pode dormir descansado.


José Luís

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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Impacto Zero?

A Opel lançou nos últimos dias uma mega campanha publicitária com o slogan "Impacto Zero".
A campanha baseia-se no conceito da compensação das emissões de dióxido de carbono, causadas pelo funcionamento dos automóveis, com a plantação de árvores (que absorvem dióxido de carbono enquanto realizam a fotossíntese). Apesar da validade deste método como meio de resolver o problema das emissões de gases com efeito de estufa ser sido muito questionada (ver por exemplo: http://www.fern.org/pubs/briefs/sinks2.pdf), não vou dizer que é uma má ideia, sobretudo porque as árvores vão ser plantadas num Sítio de Interesse Comunitário da Rede Natura 2000 (Sicó e Alvaiázere) e o plantio vai ser constituído em boa parte (70 dos 120 ha que estão previstos) por espécies autóctones que sofreram regressões recentes: a azinheira Quercus rotundifolia e o carvalho português Quercus faginea. Seja para compensar emissões de dióxido de carbono, ou por outra razão qualquer, a plantação destas árvores é sempre de aplaudir.
Outro aspecto positivo da campanha da Opel é o seu site que contém informações sobre efeito de estufa e aquecimento global, sem minimizar o problema (como é típico das empresas do sector dos transportes) e com recomendações para uma condução verde (como é que se esqueceram de recomendar que se conduza devagar é que eu não sei...). É certo que há alguma manipulação da informação aqui e ali, mas no geral o site é informativo e aponta na direcção certa.

Posto isto, porquê a interrogação "impacto zero?". Porque o impacto de um automóvel não é zero, nem nunca será, por mais que se façam medidas de compensação. Os impactos negativos de um automóvel começam com a sua construção, na qual, para além de se emitirem grandes quantidades de gases com efeito de estufa (que geralmente são ignorados nestas campanhas), se produzem diversos poluentes. Seguindo para a utilização do automóvel, o maior impacto é a emissão de poluentes para a atmosfera, dos quais o dióxido de carbono (que aqui está a ser parcialmente compensado) é apenas um exemplo. As árvores não compensam a emissão de monóxido de carbono, de dióxido de enxofre e de todas as partículas poluentes que resultam do escape de um automóvel. Falta falar nos atropelamentos, nos acidentes, na poluição sonora. Falta também contemplar o impacto da construção das vias onde circulam os automóveis, com a destruição e fragmentação dos habitats naturais. E no final da sua vida útil o automóvel transforma-se num resíduo cheio de substâncias altamente poluentes (bateria, óleo, componentes electrónicos...).

Não quero com isto fazer um discurso radical anti-automóvel. Eu tenho um carro e conduzo com regularidade. O que quero é afirmar que temos que estar conscientes dos impactos que causamos, porque só assim os podemos reduzir e minimizar. Devemos estar atentos às armadilhas do "green-washing", mesmo que este apareça associado a boas ideias, e manter um espírito crítico que nos impeça de comprar gato por lebre.

Filipe

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

O plano Bush contra as alterações climáticas


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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Alterações climáticas afectam cerveja

Se isto não vos convencer que as alterações climáticas são um assunto sério já não sei que mais dizer.
Investigadores do Instituto Nacional de Investigação da Água e da Atmosfera da Nova Zelândia chegaram à conclusão de que as alterações climáticas vão causar o declínio da produtividade das culturas de cevada com malte, um dos ingredientes chave da cerveja (ver notícia). As consequências deste declínio serão, como seria de esperar, uma diminuição na produção de cerveja e consequente aumento do preço.
Vamos acompanhar os caracóis e as moelas com quê? Leite?
Toca a andar a pé e a poupar electricidade, que estes cenários do aquecimento global estão a ficar cada vez mais catastróficos.

Filipe

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Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Pinguins e alterações climáticas

Especialistas da Universidade de Lisboa e responsáveis do ICNB concluiram que os Pinguins-africanos (Spheniscus demersus) que permaneceram durante umas horas na Praia da Rainha na Costa da Caparica na semana passada, provavelmente vieram transportados pela corrente da Guiné cujas águas estão a ser deslocadas cada vez mais para Norte como consequência do aquecimento global.

Por muito interessante e divertido que seja podermos observar estas aves na nossa costa, a presença de pinguins em Portugal, mesmo que seja esporádica, é um sintoma de que as alterações no clima causadas por acção do Homem estão a ter efeitos muito profundos nos oceanos e nas criaturas que os habitam.


Filipe

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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Aves marinhas e aquecimento global

O Urso-polar tem sido o símbolo dos efeitos das alterações climáticas na biodiversidade já que diariamente vê o seu habitat derreter debaixo dos pés.
A grande vantagem de um símbolo é termos algo com que nos identificar e que nos ajuda a compreender o problema, desde que não pensemos que esta é a única espécie afectada, ou que os efeitos do aquecimento global vão apenas prejudicar a espécie X e a espécie Y. Os efeitos são vastos e atingem todo o ecossistema e por consequência o Homem.
Diariamente leio artigos científicos que, uma a uma, vão acrescentando espécies à lista das que estão já a sofrer os resultados das alterações climáticas. Esta avalanche de informação sublinha a urgência da mudança de comportamentos essencial para revertermos os danos que estamos a causar.
Hoje o artigo que li foi sobre o Alcaide (ou Moleiro-grande, como também é conhecido) Catharacta skua, que é uma ave marinha típica das altas latitudes. Em Portugal, pode ser observado a partir de pontos estratégicos ao longo da costa durante o Inverno. O Alcaide é semelhante em tamanho e no formato a uma gaivota, mas de cor castanha, e é conhecido como um pirata do mar. Além de ser um predador que se alimenta de peixes e pequenas aves, também rouba as presas às gaivotas e às andorinhas-do-mar.
Apesar de ser uma ave marinha, o Alcaide passa muito tempo a tomar banho em charcos com água doce perto dos seus locais de nidificação. Este comportamento tem uma importante função de regulação da temperatura.
As alterações climáticas têm causado a redução dos efectivos de alguns peixes que são uma das principais presas desta espécie durante a época de reprodução, levando a que os Alcaides tenham que passar mais tempo a procurar alimento, ficando com menos tempo para tomar banho e para guardar as crias. Estes dados indicam que para esta ave os efeitos directos das alterações climáticas, por stress térmico, e indirectos, por redução dos stocks de presas, podem ser cumulativos.

Filipe

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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Calor...

O Instituto Goddard para os Estudos Espaciais da NASA anunciou que 2007 foi o segundo ano mais quente desde que se fazem medições (2005 foi o mais quente), dando continuidade a uma tendência de grande aumento da temperatura nos últimos 30 anos. Segundo este instituto os oito anos mais quentes ocorreram todos de 1998 para cá e os 14 mais quentes são todos posteriores a 1990.

Filipe


Para saber mais sobre as causas e consequências do aquecimento global clique aqui

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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Alterações climáticas alteram o ritmo da reprodução das espécies

São já vários os estudos que documentam os efeitos das alterações climáticas nas comunidades biológicas. Recentemente foi publicado um estudo que compilou os dados referentes à biologia de reprodução do Rouxinol-pequeno-dos-caniços entre 1970 e 2006. Esta espécie tem vindo a iniciar a sua época de reprodução cada vez mais cedo, estando as datas de início da postura correlacionadas com o aumento da temperatura entre Maio e Julho. Por seu lado, as datas de final de reprodução não se têm alterado, o que se traduz num aumento da duração do período reprodutor, com maiores possibilidades de realizar mais posturas.
Não podemos ainda prever que efeitos nos ecossistemas terão estas alterações em conjunto com as que são sofridas por outras espécies. O que é certo é que as mudanças estão a acontecer a um ritmo muito rápido, levando a supor que muitas espécies não terão tempo para se adaptar. É também difícil de prever como reagirá a espécie humana a este mundo em transformação.

Cabe-nos a todos estar atentos ao que acontece e alterar o nosso estilo de vida de modo a contribuir para combater as causas das alterações climáticas.
Para saber mais clique aqui
Filipe

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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Mortalidade de árvores e alterações climáticas

Um estudo que recolheu dados demográficos numa floresta temperada da América do Norte ao longo dos últimos 22 anos concluiu que a taxa de mortalidade das árvores tem vindo a aumentar.
As espécies mais abundantes desta floresta localizada na Sierra Nevada, na Califórnia, são abetos e pinheiros, tendo a mortalidade aumentado em ambos os grupos taxonómicos, e em todos os níveis de altitude estudados. A alta mortalidade coincidiu com um aumento da seca causada por elevadas temperaturas.

Este estudo alerta para o facto de as florestas temperadas serem sensíveis às alterações climáticas, particularmente se as altas temperaturas forem acompanhadas por uma redução na precipitação. Além do efeito directo sobre as árvores, a seca e as altas temperaturas elevam em muito o risco de incêndios.

Embora as campanhas de verão da protecção civil para cuidar das florestas (não deite cigarros para o chão, não faça fogueiras...) sejam muito importantes é necessário entendermos que as questões ambientais são globais e complexas e que a conservação das nossas florestas depende de muito mais do que de certos cuidados que temos numa época específica e que depois esquecemos até ao ano seguinte.

Filipe

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