Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Espécie do mês: Flamingo

Flamingo, Phoenicopterus roseusFlamingo Phoenicopterus roseus (Palas, 1811)

Espanhol: Flamenco
Inglês: Greater flamingo

Francês: Flamant rose

Classe: Aves
Ordem: Phoenicopteriformes
Família: Phoencopteridae

Distribuição mundial: Encontra-se no Norte, Sul e Este de África, Sudoeste da Ásia e sul da Europa. No Paleárctico ocidental nidifica em Espanha, França, Chipre, Tunísia e Sardenha, ocorrendo em muitos outros países. Realiza movimentos dispersivos erráticos que ainda não são totalmente conhecidos.

Distribuição em Portugal: Em Portugal pode ser encontrado sobretudo na faixa litoral a Sul da Ria de Aveiro. Os núcleos mais importantes são o estuário do Tejo, o estuário do Sado, a Ria Formosa e Castro Marim. Pode também ser observado em açudes, barragens, lagoas ou em zonas de arrozal no interior do país.

Tipo de ocorrência em Portugal: Invernante

Estatuto de conservação:

No mundo: Pouco preocupante
Em Portugal: Regionalmente extinto como reprodutor e Vulnerável como invernante

Tendência populacional: A população invernante desta espécie aumentou nas últimas décadas.

Descrição: O Flamingo é uma ave inconfundível. A sua plumagem é cor-de-rosa, as pernas são altas e o pescoço comprido. Os juvenis são acinzentados.

Habitat: Zonas costeiras, lagoas abertas e pouco profundas, lagos e estuários lodosos, salinas. Requer grandes espaços abertos e tranquilos.

Alimentação: Crustáceos minúsculos que filtra com o seu bico altamente especializado. Consome também pequenos insectos, moluscos e anelídeos, bem como algas de pequenas dimensões.

Reprodução: Nidifica em grandes colónias onde constrói um ninho em forma de monte de lama. É monogâmico e a sua postura é constituída por apenas um ovo de cor branca.

Comportamento: Normalmente é observado em grandes bandos.

Factores de ameaça: Abandono e transformação das salinas, destruição de sapais, poluição por herbicidas e pesticidas. Sendo uma espécie pouco tolerante à presença humana é afectada pela expansão turística e urbanística.

Onde observar: Um dos melhores locais para observar Flamingos é o estuário do Tejo. Os Flamingos podem ser facilmente avistados da Ponte Vasco da Gama sobre as salinas próximas a Alcochete.

Curiosidades: A cor rosada do Flamingo provém de pigmentos (carotenos) obtidos através dos crustáceos que compõem a sua alimentação. Quanto mais bem alimentado e saudável estiver um Flamingo mais vibrante será a sua cor.

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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Espécie do mês: Grou

Grou Grus grus (Linnaeus, 1758)

Espanhol: Grulla común
Ingês: Common crane
Francês: Grue cendrée

Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Gruidae

Distribuição mundial: A área de nidificação estende-se da Europa do Norte e Ocidental, através da Eurásia até ao Norte da Mongólia, Norte da China e Leste da Sibéria, com populações nidificantes isoladas no Leste da Turquia e no Tibete. A área de invernada inclui parte da França e da Península Ibérica, Norte e Leste de África, Médio Oriente, Índia e Sul e Leste da China.

Distribuição em Portugal: Inverna no Alentejo interior. Ocorre apenas em quatro núcleos nas regiões de Castro Verde/Mértola, Évora, Moura/Mourão/Barrancos e Campo Maior.

Tipo de ocorrência em Portugal: Invernante

Estatuto de conservação:
No mundo - Pouco Preocupante
Em Portugal - Vulnerável como invernante e Regionalmente Extinto como nidificante.

Tendência populacional: Estável como invernante.

Descrição: Comprimento 114-130 cm; Envergadura 200-230 cm. Ave de grandes dimensões e porte altivo. No solo move-se com uma passada lenta. As suas pernas são altas e de cor escura, o bico é longo e amarelado. A cabeça e o pescoço são negros com excepção de uma lista branca que começa atrás do olho e desce até à base da nuca. No cimo da cabeça tem uma mancha encarnada e a sua plumagem no resto do corpo é cinzenta. Os juvenis possuem uma coloração mais uniforme de tom cinzento.

Habitat: Como local de alimentação preferem searas cultivadas em regime extensivo, pousios, pastagens naturais e montados de azinho pouco densos e sem mato, apresentando acentuada fidelidade, ano após ano, aos locais escolhidos. Para os dormitórios os Grous necessitam de locais pouco perturbados, geralmente associados à presença de água pouco profunda, utilizando açudes e charcas que surgem temporariamente no inverno.

Alimentação: O Grou alimenta-se sobretudo de matéria vegetal, que pode incluir raízes, rizomas, tubérculos, folhas, caules, frutos e sementes. No entanto, também consomem invertebrados, anfíbios, pequenos mamíferos e, menos frequentemente, peixe, ovos e crias de aves. Durante o inverno (em Portugal) o cereal (folhas e grão) e a bolota são fundamentais para a sua dieta, sendo a componente animal da sua alimentação menos importante.

Reprodução: Nidifica em zonas pantanosas e turfeiras. Constrói no ninho no chão. A época de cria dura de Abril a Junho, sendo a postura constituída por dois ovos (raramente três), dos quais geralmente sobrevivem uma ou duas crias.

Comportamento: Esta ave é geralmente observada em bandos, que aumentam em número ao entardecer, reunindo-se vários bandos num dormitório comum, geralmente num local alagado.

Factores de ameaça: Alteração e degradação de habitat de alimentação por intensificação da agricultura, expansão das culturas de regadio e florestação das terras agrícolas. Os Grous são bastante sensíveis à perturbação humana, sobretudo a resultante das actividades cinegéticas. São também muito sensíveis à perturbação nos locais de dormida, resultante da abertura de caminhos e intensificação da actividade humana em locais que anteriormente eram remotos e pouco frequentados.

Curiosidades:
-O nome desta espécie provém do som que ela produz "groo groo".
-As gruas devem o seu nome a esta ave, tal como o guindaste em inglês (crane) provavelmente devido à sua forma fazer lembrar um grou.
-Em notas manuscritas D. Carlos de Bragança referiu que alguns Grous nidificavam no Baixo Guadiana e em Pancas, junto a Alcochete, em finais do século XIX.

Bibliografia:
  1. Almeida J (1992) Census de Grous Grus grus invernantes em Portugal. Airo 3: 55-58.

  2. Almeida J (1998) Grou-comum Grus grus. In: Atlas das aves invernantes do Baixo Alentejo (Elias GL, Reino LM, Silva T, Tomé R & Geraldes P coords.). SPEA, Lisboa.

  3. Almeida J (coord), Catry P, Encarnação V, Franco C, Granadeiro JP, Lopes R, Moreira F, Oliveira P, Onofre N, Pacheco C, Pinto M, Pitta Groz MJ, Ramos J & Silva L (2006) Grus grus Grou. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  4. Almeida J & Pinto M (1992) Selecção dos biótopos de alimentação pelo Grou-comum Grus grus: o caso de Moura (Alentejo). Airo 3: 1-8.

  5. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.

  6. Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1980) The birds of the Western Palearctic Vol II. Oxford University Press, Oxford.

  7. Franco AMA, Brito JC & Almeida J (2000) Modelling habitat selection of Common Crane Grus grus wintering in Portugal using multiple logistic regression. Ibis 14: 351-358.

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Espécie do mês: Lobo-marinho

Lobo-marinho, Foca-monge, Espécie do mês, Espécies ameaçadasLobo-marinho Monachus monachus (Hemann, 1779)

Outro nome comum: Foca-monge

Espanhol: Foca monje del mediterraneo
Inglês: Mediterranean monk seal
Francês: Phoque moine de Méditerranée

Classe: Mammalia
Ordem: Pinnipedia
Família: Phocidae

Distribuição mundial: Ocorre numa área limitada à bacia do Mediterrâneo, costa noroeste africana e às ilhas Desertas e Madeira

Distribuição em Portugal: Ilhas Desertas e Madeira

Estatuto de conservação:
No mundo - Criticamente em Perigo
Em Portugal - Criticamente em Perigo

Tendência populacional: Após um decréscimo continuado (cerca de 80% nas últimas décadas) a população do arquipélago da Madeira regista agora um crescimento.

Descrição: Comprimento 2,3-2,8 m; Peso 250-300 kg. É uma foca corpulenta, com pelagem com coloração variável, geralmente escura no dorso e com uma mancha clara no ventre.

Habitat: Refugia-se em pequenas praias rochosas abrigadas e inacessíveis ao Homem. Reproduz-se em grutas localizadas em falésias marinhas.

Alimentação: Alimenta-se de peixes e moluscos.

Reprodução: Os nascimentos ocorrem entre Maio e Novembro. Produzem, em média, menos de uma cria por ano. As crias permanecem com a mãe durante 3 anos.

Factores de ameaça: Captura acidental em artes de pesca, pesca ilegal com recurso a dinamite, derrames de crude, alterações na dinâmica e distribuição das presas.

Curiosidades: A cidade de Câmara de Lobos na Madeira deve o seu nome a esta espécie.

Bibliografia:


  1. MacDonald D & Barrett P (1993) Mammals of Britain & Europe. Collins, Londres.

  2. Mathias MJ (coord) (1999) Guia dos Mamíferos Terrestres de Portugal Continental, Açores e Madeira. ICN, Lisboa.

  3. Queiroz AJ (coord), Alves PC, Barroso I, Beja P, Fernandes M, Freitas L, Mathias ML, Mira A, Palmeirim JM, Prieto R, Rainho A, Rodrigues L, Santos-Reis M & Sequeira M (2006) Monachus monachus Lobo-marinho. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

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Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Espécie do mês: Víbora-cornuda

Víbora-cornuda Vipera latastei (Boscá, 1878)

Espanhol: Víbora hocicuda
Inglês: Lataste's viper
Francês: Vipère de Lataste

Classe: Reptilia
Ordem: Serpentes
Família: Viperidae

Distribuição mundial: Ocorre na Península Ibérica e Norte de África.

Distribuição em Portugal: Distribui-se de norte a sul do país, embora ocorra em núcleos populacionais fragmentados. Aparentemente é mais comum nas regiões montanhosas a norte do rio Tejo.

Estatuto de conservação no mundo: Quase Ameaçado
Estatuto de conservação em Portugal: Vulnerável

Tipo de ocorrência em Portugal: Residente

Tendência populacional: Em declínio

Descrição: Comprimento: até 70 cm. O seu corpo é robusto e com cauda curta. O dorso está coberto por escamas carenadas, A cabeça é bem diferenciada do tronco, de contorno triangular e com placas cefálicas muito fragmentadas. A extremidade do focinho é proeminente, com três a sete escamas apicais que formam um apêndice nasal típico da espécie. A coloração do dorso é variável, geralmente cinzenta ou acastanhada. O padrão consiste numa banda dorsal escura disposta em zig-zag. O ventre é esbranquiçado ou acinzentado.

Habitat: Prefere zonas rochosas de montanha, preferindo as encostas declivosas com matos densos. Também ocorre em áreas florestais com cobertura arbustiva, matagais, pinhais e sistemas dunares.

Alimentação: Come sobretudo micromamíferos, alimentando-se também de lagartixas, juvenis de sardão e lagarto-de-água, bem como de aves, anfíbios e insectos.

Reprodução: A época de reprodução inicia-se na Primavera e, uma vez que é ovovivípara, a fêmea origina cinco a oito crias no fim do Verão.

Factores de ameaça: O principal factor de ameaça é a perda e fragmentação do habitat devida a incêndios florestais, silvicultura intensiva, agricultura intensiva, desenvolvimento urbano e implantação de infra-estruturas viárias. Outros factores de ameaça são a mortalidade por atropelamento nas estradas e a perseguição directa devida a aversão, superstição e coleccionismo.

Curiosidades: Existem diversas superstições associadas a esta espécie que levam a que seja capturada em grande quantidade para a produção de amuletos e mezinhas tradicionais.

Bibliografia:
  1. Brito JC (2001) Seasonal and daily activity patterns of Vipera latastei in northern Portugal. Amphibia-Reptilia 24: 497-508.

  2. Brito JC (2003) Seasonal variation in movements, home range, and habitat use by male Vipera latastei in Northern Portugal. Journal of herpetology 37: 155-160.

  3. Brito JC & Rebelo R (2003) Differential growth and mortality affect sexual size dimorphism in Vipera latastei. Copeia 2003: 865-871.

  4. Brito JC, Santos X, Pleguezuelos JM, Fahd S, Llorente GA & Parellada X (2006) Morphological variability of the Lataste?s viper (Vipera latastei) and the Atlas dwarf viper (Vipera monticola): Patterns of biogeographical distribution and taxonomy. Amphiba-Reptilia 27: 219-240.

  5. Crespo EG & Oliveira ME (1989) Atlas de distribuição dos Anfíbios e Répteis de Portugal Continental. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, Lisboa.

  6. Crespo EG & Sampaio L (1994) As serpentes de Portugal. ICN, Lisboa.

  7. Ferrand de Almeida N, Ferrand de Almeida P, Gonçalves H, Sequeira F, Teixeira J & Ferrand de Almeida F (2001) Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas, Porto.

  8. Oliveira ME (coord) Brito JC, Delinger T, Ferrand N, Loureiro A, Martins HR, Pragana J, Paulo OS, Rito P, Teixeira J (2006) Víbora-cornuda Vipera latastei. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  9. Santos X, Brito JC, Neftali S, Pleguezuelos JM, Llorente GA, Fahd S & Parellada X (2006) Inferring habitat-suitability areas with ecological modelling techniques and GIS: a contribution to assess the conservation status of Vipera latastei. Biological Conservation 130: 416-425.
Filipe

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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Espécie do mês - Priôlo

Priôlo Pyrrhula murina (Goodman, 1866)

Espanhol: Camachuelo de Azores
Inglês: Azores Bullfinch
Francês: Bouvreuil dês Açores

Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Fringillidae

Distribuição mundial: Endémico dos Açores.

Distribuição em Portugal: Encontra-se confinado às zonas montanhosas da parte oriental da ilha de S. Miguel, nos Açores.

Tipo de ocorrência em Portugal: Residente

Estatuto de conservação:
No mundo - Criticamente em Perigo
Em Portugal - Criticamente em Perigo

Tendência populacional: Esta espécie era bastante comum na ilha de S. Miguel até cerca da década de 1920, quando começou a regredir. Actualmente as suas populações encontram-se estáveis, sobretudo devido a medidas intensas que foram tomadas para a sua conservação.

Descrição: Comprimento 16 cm. O Priôlo é um passeriforme de aparência robusta com o bico muito curto e grosso. A sua plumagem caracteriza-se por possuir um capacete negro que desce até ao início da garganta e uma cauda negra com uropígio branco. As asas são negras com uma banda branca. O dorso e o ventre têm uma cor cinzento-acastanhada. O bico e as patas são negras.

Habitat: O Priôlo habita a floresta natural de altitude.

Alimentação: Alimenta-se principalmente de botões de flores, bagas e sementes. Por vezes consome também invertebrados (sobretudo as crias).

Reprodução: É uma ave monogâmica e as suas crias são nidícolas.

Comportamento: É uma espécie tipicamente florestal, alimentando-se sobretudo nas árvores e arbustos, raramente pousando no chão. É uma ave muito sedentária.

Factores de ameaça: O principal factor de ameaça é a substituição da vegetação autóctone por espécies exóticas. O próprio tamanho, muito reduzido, da população desta espécie é em si um factor de ameaça, uma vez que a torna vulnerável a factores estocásticos ambientais e demográficos.

Onde observar: O Priôlo só pode ser observado nos concelhos de Nordeste e Povoação, situados na ilha de S. Miguel, sobretudo nas áreas montanhosas com vegetação nativa.

Curiosidades: O Priôlo descende de Dom fafes Pyrrhula pyrrhula, que terão chegado aos Açores há centenas ou milhares de anos, provavelmente trazidos por uma tempestade.

Bibliografia:
  1. Almeida J (coord), Catry P, Encarnação V, Franco C, Granadeiro JP, Lopes R, Moreira F, Oliveira P, Onofre N, Pacheco C, Pinto M, Pitta Groz MJ, Ramos J & Silva L (2006) Pyrrhula murina Priôlo. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  2. Bibby C, Chaelton TD & Ramos J (1992) Studies of West Paelearctic birds, 191: Azores bullfinch. British Birds 85: 677-680.

  3. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.

  4. Cramp S & Perrins CM (eds.) (1994). Handbook of the birds of Europe, the Middle East and North Africa: the birds of the Western Palearctic Vol. VIII. Oxford University Press, Oxford.

  5. Ramos JA (1994) Fern frond feeding by the Azores bullfinch. Journal of Avian Biology 25: 344-347.

  6. Ramos JA (1995) The diet of the Azores bullfinch and floristic variation within its range. Biological Conservation 71: 237-249.

  7. Ramos JA (1996) Introduction of exotic trees as a threat to the Azores bullfinch population. Journal of Applied Ecology 33: 710-722.

  8. Ramos JA (1996) The influence of size, shape and phenolic content on the selection of winter foods by the Azores bullfinch. Journal of Zoology, London 238: 415-433.

  9. Ramos JA (1998) Biometrics, weights, breeding and moulting seasons of passerines in an Azorean cloud forest. Ringing & Migration 19: 17-22.

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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Espécie do mês - Lince-ibérico

Lince, Lince-ibérico, Lynx pardinus, Carnívoro, Fauna de Portugal, Espécie do mês, Espécies ameaçadasLince-ibérico Lynx pardinus (Temminck, 1827)

Outros nomes comuns - Liberne, Gato-lince, Gato-cravo

Espanhol: Lince ibérico
Inglês: Iberian lynx
Francês: Lynx d'Espagne

Classe: Mammalia
Ordem: Carnívora
Família: Felidae

Distribuição mundial: Endémico da Península Ibérica

Distribuição em Portugal: Espécie neste momento muito rara, apenas existindo observações esporádicas na útima década nas serras algarvias e nas zonas raianas do Alentejo.

Estatuto de conservação:
No mundo: Criticamente em Perigo
Em Portugal: Criticamente em Perigo

Tendência populacional: Até meados do século XIX, a área de distribuição do Lince-ibérico cobria praticamente toda a Península Ibérica. Na década de 1980, a espécie já se encontrava reduzida à zona central e sudoeste da Península Ibérica. Pensa-se que entre 1960 e 1990 houve uma regressão de cerca de 80 % da área de distribuição, tendência que parece manter-se.

Descrição:
Comprimento do corpo 80-110 cm
Comprimento da cauda 10 cm
Peso 14 kg (macho), 10 kg (fêmea)
É um felino de médio porte, com membros altos, cauda muito curta e cabeça com focinho curto e arredondado, e orelhas erectas e triangulares. A pelagem é comprida com pelo malhado. O tom dominante é o castanho-amarelado, por vezes arruivado. As manchas são castanho-escuras ou negras. Possui uns pincéis nas orelhas de cor negra. As patilhas nas faces e extremidades da cauda são brancas.

Habitat: Prefere bosques, matagais e matos densos de características mediterrânicas, utilizando estruturas em mosaico, com biótopos fechados para abrigo e outros abertos para capturar presas. Os linces evitam habitats artificializados.

Alimentação: Alimenta-se sobretudo de coelhos, que podem representar 90 % da sua dieta e dos quais depende. Consome também roedores, cervídeos, aves e répteis. Caça sobretudo de noite ou no crepúsculo.

Reprodução: É poligâmico, entrando em cio em Janeiro/Fevereiro e, após uma gestação média de 65 dias, nascem as crias (geralmente duas). Atinge a maturidade sexual com um ano e meio de idade.

Factores de ameaça: Redução e fragmentação da área de habitat favorável e regressão da população de coelho. As manchas de floresta de produção tiveram grande impacto na redução da área disponível para o Lince-ibérico, bem como a implantação de infra-estruturas como as barragens e a rede viária. A caça furtiva e o controlo desregrado de predadores, bem como a morte por atropelamento, também afectam negativamente esta espécie.

Onde observar: Esta espécie é praticamente impossível de observar em Portugal, uma vez que a sua população é extremamente reduzida, tem hábitos muito secretivos e habita em locais de mato muito denso e de difícil acesso.

Bibliografia:

  1. MacDonald D & Barrett P (1993) Mammals of Britain & Europe. Collins, Londres.

  2. Mathias MJ (coord) (1999) Guia dos Mamíferos Terrestres de Portugal Continental, Açores e Madeira. ICN, Lisboa.

  3. Queiroz AJ (coord), Alves PC, Barroso I, Beja P, Fernandes M, Freitas L, Mathias ML, Mira A, Palmeirim JM, Prieto R, Rainho A, Rodrigues L, Santos-Reis M & Sequeira M (2006) Lynx pardinus Lince-ibérico. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Espécie do mês - Alfaiate

Alfaiate, Recurvirosta avocettaAlfaiate
Recurvirostra avosetta (Linnaeus, 1758)

Outros nomes comuns: Frade, Serra-serra, Serrador, Sirrador, Sovela, Tubarão, Veludinho

Espanhol: Avoceta común
Inglês: Pied Avocet
Francês: Avocette élégante

Classe: Aves
Ordem: Charadriiformes
Família: Recurvirostridae

Distribuição mundial: Nidifica na Europa e Ásia Central e Ocidental até ao sudeste da Sibéria e nordeste da China. Inverna na Europa Ocidental, África, Médio Oriente e China Oriental.

Distribuição em Portugal: A sua área de distribuição como invernante abrange as zonas estuarinas do litoral do Minho ao Algarve, estando presente como nidificante habitual apenas no sotavento algarvio. Nidifica ocasionalmente nos estuários do Tejo e Sado.

Tipo de ocorrência em Portugal: Nidificante (desconhece-se se residente ou migrador) pouco comum, Invernante comum.

Estatuto de conservação:
No mundo: Pouco Preocupante
Em Portugal como nidificante: Quase Ameaçado
Em Portugal como invernante: Pouco Preocupante

Tendência populacional: A população tem vindo a registar um decréscimo em Portugal, em parte justificado pela redução dos efectivos invernantes no Estuário do Tejo

Descrição:
Comprimento 42-46 cm
Envergadura 77-80
Os adultos possuem plumagem branca, à excepção dum capacete negro e manchas negras nas asas e no dorso. O bico é comprido e curvado para cima, as patas são altas e de cor azulada.

Habitat: Ocorre em águas pouco profundas, doces ou salobras, de substrato de sedimentos brandos, sem rochas e ricas em invertebrados aquáticos. Frequenta estuários, lagoas costeiras, arrozais, açudes e barragens, bem como salinas, tanques de rega e terrenos irrigados.

Alimentação: Alimenta-se de invertebrados aquáticos, incluindo insectos, crustáceos, moluscos e anelídeos. Raramente consome pequenos peixes e matéria vegetal.

Reprodução: É uma espécie colonial e monogâmica. Os ninhos são instalados no chão. A postura é constituída por 3 a 4 ovos (raramente 2 a 5). A incubação dura 23 a 25 dias. Ambos os progenitores cuidam das crias, que são nidífugas, durante 35 a 42 dias.

Comportamento: Caminha com passadas largas, graciosas e rápidas. Quando se alimenta remexe lateralmente a vasa com o seu bico, fazendo com que os invertebrados apareçam à superfície, usando depois o bico como uma tenaz para os capturar.

Factores de ameaça: Perda e degradação do habitat, em particular o abandono e reconversão das salinas que são um importante habitat de alimentação, repouso e nidificação para esta espécie.

Onde observar: Os estuários do Tejo e Sado são dois dos melhores locais para observar esta espécie, em particular em salinas ou em zonas de vasa durante a maré baixa.

Curiosidades: O nome comum desta espécie resulta dos movimentos que a ave realiza com o bico enquanto se alimenta, que se assemelham ao movimento de uma agulha quando manejada por um alfaiate.

Bibliografia:


  1. Almeida J (coord), Catry P, Encarnação V, Franco C, Granadeiro JP, Lopes R, Moreira F, Oliveira P, Onofre N, Pacheco C, Pinto M, Pitta Groz MJ, Ramos J & Silva L (2006) Recurvirostra avosetta Alfaiate. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.


  2. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.


  3. Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1983). Handbook of the birds of Europe, the Middle East and North Africa: the birds of the Western Palearctic Vol. VI. Oxford University Press, Oxford.


  4. Moreira F (1995). The winter feeding ecology of Avocets Recurvirostra avosetta on intertidal areas. I. Feeding strategies. Ibis 137: 92-98.


  5. Moreira F (1995) The winter feeding ecology of Avocets Recurvirostra avosetta on intertidal areas. II. Diet and feeding mechanisms. Ibis 137: 99-108.


  6. Moreira F (1998) Alfaiate Recurvirostra avosetta. In: Atlas das aves invernantes do Baixo Alentejo (Elias GL, Reino LM, Silva T, Tomé R & Geraldes P coords.). SPEA, Lisboa.


  7. Rufino R (1989) Atlas das Aves que nidificam em Portugal Continental. CEMPA ? SNPRCN, Lisboa.




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    Terça-feira, 1 de Julho de 2008

    Espécie do mês - Sapo-parteiro-ibérico

    Sapo-parteiro-ibérico Alytes cisternasii (Boscá, 1879)

    Espanhol: Sapo partero ibérico
    Inglês: Iberian midwife toad
    Francês: Alyte accoucheur iberique

    Classe: Amphibia
    Ordem: Anura
    Família: Discoglossidae

    Distribuição mundial: Endémico da Península Ibérica.

    Distribuição em Portugal: Ocorre sobretudo a Sul do rio Tejo, estendendo-se para Norte ao longo da fronteira até ao extremo Este do Parque Natural de Montesinho.

    Estatuto de conservação:
    No mundo - Quase Ameaçado
    Em Portugal - Pouco Preocupante

    Tipo de ocorrência em Portugal: Residente

    Descrição: Comprimento até 4,5 cm. O Sapo-parteiro-iberico é um pequeno sapo de aspecto robusto. A sua cabeça é larga em relação ao tamanho do corpo. O dorso é esbranquiçado com manchas mais escuras acastanhadas e com pequenas verrugas avermelhadas. No centro do dorso possui uma mancha mais clara em forma de V com o vértice dirigido para a cabeça. O ventre é claro. Possui dois tubérculos nas palmas das patas o que permite distinguir esta espécie do Sapo-parteiro-comum (que possui três tubérculos).

    Habitat: Está adaptado a ambientes áridos e quentes com solos arenosos e pouco consistentes.

    Alimentação: É insectívoro. As larvas alimentam-se de matéria vegetal.

    Reprodução: A reprodução ocorre no Outono e na Primavera. As posturas podem conter 30 a 60 ovos.

    Comportamento: É uma espécie de hábitos crepusculares e nocturnos que se encontra também activa em dias nublados ou chuvosos.

    Factores de ameaça: O principal factor de ameaça é a destruição, degradação e fragmentação do habitat.

    Curiosidades: Nesta espécie o macho transporta os ovos às costas, podendo transportar as posturas de três fêmeas, ou seja 180 ovos. Foi este comportamento que deu o nome à espécie.

    Bibliografia:
    1. Cabral MJ (coord), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2006) Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

    2. Crespo EG & Oliveira ME (1989) Atlas de distribuição dos Anfíbios e Répteis de Portugal Continental. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, Lisboa.

    3. Ferrand de Almeida N, Ferrand de Almeida P, Gonçalves H, Sequeira F, Teixeira J & Ferrand de Almeida F (2001) Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas, Porto.

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    Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

    Espécie do mês - Pardal

    A partir de agora, todos os meses vamos apresentar, aqui no blogue, uma espécie da nossa fauna - a "Espécie do mês". Quando estava a pensar em qual seria a primeira espécie lembrei-me de conversas que tenho tido em que alguém me diz "mas há diferenças entre o macho e a fêmea do pardal?" ou "que pássaro é este?" (era o desenho que está ali em baixo). Todos os dias passamos por estas aves mas normalmente nem olhamos para elas, pelo menos com olhos de ver. Dêem uma olhadela atenta quando passarem um pardal - vale a pena.


    Pardal Passer domesticus Linnaeus, 1758)

    Outros nomes comuns: Badego, Pardal-comum, Pardal-das-eiras, Pardal-de-fora (Madeira), Pardal-do-telhado, Pardal-doméstico, Pardal-das-igrejas, Pardal-do-trigo, Pardal-ladrão, Pardal-ladro, Pardal-macho, Pardaleja, Pardaloco, Pardaloca, Pardejo, Pardelho, Pardoa, Pardoca, Tarrote

    Espanhol: Gorión común
    Inglês: House sparrow
    Francês: Moineau domestique

    Classe: Aves
    Ordem: Passeriformes
    Família: Passeridae

    Distribuição mundial: Ocorre em toda a Europa, Norte de África e Ásia e foi introduzido nas Américas, África sub-sariana, Oceânia e em muitas ilhas oceânicas.

    Distribuição em Portugal: Ocorre em todo o país

    Tipo de ocorrência em Portugal: Residente

    Estatuto de conservação:
    No mundo - Não Ameaçado
    Em Portugal - Não Ameaçado

    Tendência populacional: Estável

    Descrição:
    Comprimento 14-15 cm
    Envergadura 21-25 cm
    Peso 22-32 g
    É um passeriforme de tamanho médio, de aspecto robusto, com cabeça grande e bico largo e forte. O macho é acastanhado no dorso, com uma coroa cinzenta e lista ocular e babete negros que contrastam com as faces brancas. O uropígio e o ventre são cinzentos. A fêmea e o juvenil possuem uma coloração mais uniforme em tons acastanhados e acinzentados, com uma lista clara acima do olho.

    Habitat: É uma espécie muito associada ao ser humano, ocorrendo tanto em cidades como em zonas rurais.

    Alimentação: Alimenta-se sobretudo de material vegetal, embora as crias sejam alimentadas com insectos e outros invertebrados. A matéria vegetal consiste principalmente de sementes, mas consomem também, caules, rebentos e bagas, bem como desperdícios humanos.

    Reprodução: Monogâmico, colonial. A postura inicia-se em Março. O ninho é construído numa cavidade, em edifícios ou noutras estruturas construídas pelo Homem, em árvores ou ainda em ninhos de grandes dimensões de outras espécies, como a Cegonha-branca. A postura é constituída por 2 a 8 ovos. Podem fazer até 4 posturas por ano. A incubação dura 11 a 14 dias e é realizada pelos dois sexos.

    Comportamento: É uma ave muito gregária e muito associada ao Homem. É particularmente destemida.

    Factores de ameaça: Não se encontra ameaçado.

    Onde observar: É observado com grande facilidade em qualquer cidade, vila ou aldeia.

    Curiosidades: A expansão desta espécie está associada ao desenvolvimento da civilização humana. Pensa-se que a sua origem está no Médio Oriente, tendo acompanhado a expansão da agrícola. Desde o descobrimento de outros continentes por parte dos Europeus, o Pardal tem sido introduzido um pouco por todo o lado tendo-se estabelecido com grande sucesso. Um exemplo curioso é o da América do Norte, onde o Pardal foi introduzido inicialmente no Central Park em Nova Iorque, tendo permanecido isolado durante muitos anos, até começar a dispersar para fora da cidade, colonizando praticamente todo o continente Norte-Americano em poucas décadas.

    Bibliografia:
    1. Cabral MJ (coord), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2006) Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

    2. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.

    3. Cramp S (ed.) (1998). The complete birds of the Western Palearctic, Oxford CD-ROM, Oxford University Press.

    4. Rufino R (1989) Atlas das Aves que nidificam em Portugal Continental. CEMPA - SNPRCN, Lisboa.

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