Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Espécie do mês: Lobo-marinho

Lobo-marinho, Foca-monge, Espécie do mês, Espécies ameaçadasLobo-marinho Monachus monachus (Hemann, 1779)

Outro nome comum: Foca-monge

Espanhol: Foca monje del mediterraneo
Inglês: Mediterranean monk seal
Francês: Phoque moine de Méditerranée

Classe: Mammalia
Ordem: Pinnipedia
Família: Phocidae

Distribuição mundial: Ocorre numa área limitada à bacia do Mediterrâneo, costa noroeste africana e às ilhas Desertas e Madeira

Distribuição em Portugal: Ilhas Desertas e Madeira

Estatuto de conservação:
No mundo - Criticamente em Perigo
Em Portugal - Criticamente em Perigo

Tendência populacional: Após um decréscimo continuado (cerca de 80% nas últimas décadas) a população do arquipélago da Madeira regista agora um crescimento.

Descrição: Comprimento 2,3-2,8 m; Peso 250-300 kg. É uma foca corpulenta, com pelagem com coloração variável, geralmente escura no dorso e com uma mancha clara no ventre.

Habitat: Refugia-se em pequenas praias rochosas abrigadas e inacessíveis ao Homem. Reproduz-se em grutas localizadas em falésias marinhas.

Alimentação: Alimenta-se de peixes e moluscos.

Reprodução: Os nascimentos ocorrem entre Maio e Novembro. Produzem, em média, menos de uma cria por ano. As crias permanecem com a mãe durante 3 anos.

Factores de ameaça: Captura acidental em artes de pesca, pesca ilegal com recurso a dinamite, derrames de crude, alterações na dinâmica e distribuição das presas.

Curiosidades: A cidade de Câmara de Lobos na Madeira deve o seu nome a esta espécie.

Bibliografia:


  1. MacDonald D & Barrett P (1993) Mammals of Britain & Europe. Collins, Londres.

  2. Mathias MJ (coord) (1999) Guia dos Mamíferos Terrestres de Portugal Continental, Açores e Madeira. ICN, Lisboa.

  3. Queiroz AJ (coord), Alves PC, Barroso I, Beja P, Fernandes M, Freitas L, Mathias ML, Mira A, Palmeirim JM, Prieto R, Rainho A, Rodrigues L, Santos-Reis M & Sequeira M (2006) Monachus monachus Lobo-marinho. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Boas notícias para o Lince

Lince-ibéricoO Lince-ibérico (Lynx pardinus) foi, até meados do século XIX, uma espécie cuja área de distribuição abrangia praticamente toda a Península Ibérica. Entre os anos 1960 e 1990 terá ocorrido uma redução de 80 por cento desta área, tendência essa que se manteve até aos dias de hoje. De tal forma que, actualmente, o Lince-ibérico é considerado o felino mais ameaçado do mundo (classificado como Criticamente em Perigo), com uma probabilidade de extinção muito elevada. Uma estimativa já com alguns anos apontava para a existência de apenas 150 indivíduos na natureza. Hoje devem ser menos.
Em Portugal já não se pode falar da existência de uma população de linces. Neste momento apenas existem relatos ocasionais da sua presença.
Posto isto, a notícia que hoje foi divulgada de que o programa de reprodução em cativeiro que existe em Espanha bateu este ano o record de nascimentos de crias é uma luz no fundo do túnel. Sobreviveram, esta temporada, 13 crias das que nasceram nos três centros de reprodução em cativeiro. Neste momento o programa já tem 52 linces, um valor muito próximo dos 60 considerados necessários para que se comecem a libertar indivíduos na natureza.
Porém, tão importante como reproduzir linces em cativeiro é garantir que os factores que quase levaram à extinção da espécie sejam minimizados. É para isso que alguns esforços estão a ser feitos, como é o caso do Projecto LIFE - Natureza - Recuperação do Habitat do Lince-ibérico no Sítio Moura/Barrancos que está a ser desenvolvido desde 2006 pela LPN.
Espero divulgar mais boas notícias em breve.

Filipe

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Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Espécie do mês: Víbora-cornuda

Víbora-cornuda Vipera latastei (Boscá, 1878)

Espanhol: Víbora hocicuda
Inglês: Lataste's viper
Francês: Vipère de Lataste

Classe: Reptilia
Ordem: Serpentes
Família: Viperidae

Distribuição mundial: Ocorre na Península Ibérica e Norte de África.

Distribuição em Portugal: Distribui-se de norte a sul do país, embora ocorra em núcleos populacionais fragmentados. Aparentemente é mais comum nas regiões montanhosas a norte do rio Tejo.

Estatuto de conservação no mundo: Quase Ameaçado
Estatuto de conservação em Portugal: Vulnerável

Tipo de ocorrência em Portugal: Residente

Tendência populacional: Em declínio

Descrição: Comprimento: até 70 cm. O seu corpo é robusto e com cauda curta. O dorso está coberto por escamas carenadas, A cabeça é bem diferenciada do tronco, de contorno triangular e com placas cefálicas muito fragmentadas. A extremidade do focinho é proeminente, com três a sete escamas apicais que formam um apêndice nasal típico da espécie. A coloração do dorso é variável, geralmente cinzenta ou acastanhada. O padrão consiste numa banda dorsal escura disposta em zig-zag. O ventre é esbranquiçado ou acinzentado.

Habitat: Prefere zonas rochosas de montanha, preferindo as encostas declivosas com matos densos. Também ocorre em áreas florestais com cobertura arbustiva, matagais, pinhais e sistemas dunares.

Alimentação: Come sobretudo micromamíferos, alimentando-se também de lagartixas, juvenis de sardão e lagarto-de-água, bem como de aves, anfíbios e insectos.

Reprodução: A época de reprodução inicia-se na Primavera e, uma vez que é ovovivípara, a fêmea origina cinco a oito crias no fim do Verão.

Factores de ameaça: O principal factor de ameaça é a perda e fragmentação do habitat devida a incêndios florestais, silvicultura intensiva, agricultura intensiva, desenvolvimento urbano e implantação de infra-estruturas viárias. Outros factores de ameaça são a mortalidade por atropelamento nas estradas e a perseguição directa devida a aversão, superstição e coleccionismo.

Curiosidades: Existem diversas superstições associadas a esta espécie que levam a que seja capturada em grande quantidade para a produção de amuletos e mezinhas tradicionais.

Bibliografia:
  1. Brito JC (2001) Seasonal and daily activity patterns of Vipera latastei in northern Portugal. Amphibia-Reptilia 24: 497-508.

  2. Brito JC (2003) Seasonal variation in movements, home range, and habitat use by male Vipera latastei in Northern Portugal. Journal of herpetology 37: 155-160.

  3. Brito JC & Rebelo R (2003) Differential growth and mortality affect sexual size dimorphism in Vipera latastei. Copeia 2003: 865-871.

  4. Brito JC, Santos X, Pleguezuelos JM, Fahd S, Llorente GA & Parellada X (2006) Morphological variability of the Lataste?s viper (Vipera latastei) and the Atlas dwarf viper (Vipera monticola): Patterns of biogeographical distribution and taxonomy. Amphiba-Reptilia 27: 219-240.

  5. Crespo EG & Oliveira ME (1989) Atlas de distribuição dos Anfíbios e Répteis de Portugal Continental. Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, Lisboa.

  6. Crespo EG & Sampaio L (1994) As serpentes de Portugal. ICN, Lisboa.

  7. Ferrand de Almeida N, Ferrand de Almeida P, Gonçalves H, Sequeira F, Teixeira J & Ferrand de Almeida F (2001) Anfíbios e Répteis de Portugal. Fapas, Porto.

  8. Oliveira ME (coord) Brito JC, Delinger T, Ferrand N, Loureiro A, Martins HR, Pragana J, Paulo OS, Rito P, Teixeira J (2006) Víbora-cornuda Vipera latastei. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  9. Santos X, Brito JC, Neftali S, Pleguezuelos JM, Llorente GA, Fahd S & Parellada X (2006) Inferring habitat-suitability areas with ecological modelling techniques and GIS: a contribution to assess the conservation status of Vipera latastei. Biological Conservation 130: 416-425.
Filipe

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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

O regresso da Cabra do Gerês

Cabra-montês, Capra pyrenaica, Parque Nacional da Peneda-Gerês, Espécies AmeaçadasA Cabra-montês Capra pyrenaica, durante a pré-história, distribuía-se por todas as regiões montanhosas da Península Ibérica. Com o aumento demográfico da população humana as cabras foram sofrendo um decréscimo acentuado, desaparecendo mesmo da vertente francesa dos Pirenéus em meados do século XIX, seguindo-se a extinção em Portugal, nos finais desse século, ao extinguir-se na Serra do Gerês, o seu último reduto.
A população do Gerês, juntamente com a de algumas montanhas galegas, constituía mesmo uma subespécie própria, a Capra pyrenaica lusitanica que desapareceu para sempre.

O golpe de sorte da cabra do Gerês surgiu quando, em 1997, as autoridades espanholas resolveram criar um programa de reintrodução da espécie na Serra do Xurês (que é a continuação galega da Serra do Gerês). Colocaram um cercado de aclimatação situado relativamente perto da fronteira portuguesa e aí introduziram alguns indivíduos.
Porém algumas cabras escaparam do cercado e não tardou a que fossem observadas no lado de cá da fronteira. A primeira observação em território nacional, depois de mais de um século de ausência, data de 1999 e desde aí a presença das cabras foi sendo constante. O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, publicado em 2006, refere já que a população portuguesa era à data constituída por cerca de 50 indivíduos, sendo confirmada a sua reprodução. Hoje já existem cerca de 300 exemplares divididos ente a Serra Amarela (40) e a Serra do Gerês (260).

Agora temos que aprender com os erros do passado e não deixar desaparecer outra vez esta espécie. A espécie ainda tem o estatuto "Criticamente ameaçada", uma vez que ainda é muito vulnerável a ameaças como a alteração e fragmentação do habitat, os incêndios, a caça furtiva e o contágio de doenças como a brucelose e a sarna sarcóptica por contacto com cabras domésticas.

Filipe

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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Coleccionismo

Cartoon, Coleccionismo, Borboletas, Espécies ameaçadas, Gary Larson, Far Side "Um excelente espécimen... o símbolo da beleza, da inocência e da fragilidade da vida... Passa-me o frasco do éter."

Gary Larson

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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

A Gralha-de-bico-vermelho e a sustentabilidade

Gralha de bico vermelho, Pyrrhocorax pyrrhocorax, corvideo, Serras de Aire e CandeeirosA Gralha-de-bico vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) é uma ave pertencente à família dos corvídeos, ou seja é um parente dos corvos, gralhas, pegas e gaios. Mas ao contrário dos seus parentes, que gozam de boa saúde em Portugal (com excepção do Corvo), é uma espécie ameaçada. Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, tem o estatuto "em perigo" já que a espécie tem sofrido um declínio continuado do número de indivíduos, da sua área de distribuição e da área com habitat favorável à sua ocorrência.

A Gralha-de-bico-vermelho, também conhecida por Choia como referência à sua vocalização muito característica, distribui-se pela Ásia Central e Europa, existindo também algumas populações isoladas no Norte de África. A sua distribuição é muito fragmentada, estando confinada a áreas montanhosas e costeiras ao longo do Norte do Mediterrâneo, com algumas pequenas populações nas Ilhas Britânicas e na Bretanha Francesa.
Em Portugal, a Gralha-de-bico-vermelho pode ser encontrada apenas em cinco núcleos de reprodução bastante afastados entre si: Costa Sudoeste (pouco mais de 30 indivíduos), Serras de Aire e Candeeiros (100 indivíduos), Douro Internacional (100-150 casais), Serra do Alvão (6 indivíduos) e Serra do Gerês (40 indivíduos).

Gralha de bico vermelho, Pyrrhocorax pyrrhocorax, corvideo, Serras de Aire e CandeeirosEsta espécie é bastante exigente na escolha do habitat que utiliza. Constrói os ninhos em fendas e buracos em escarpas, tanto costeiras como de montanha, e depende de áreas agrícolas em sistema extensivo e de pastagens para se alimentar de invertebrados do solo. A alteração das práticas agrícolas, o abandono do pastoreio (e consequente crescimento dos matos) e a florestação têm vindo a reduzir significativamente o habitat de alimentação das gralhas. Como se isto não bastasse, a espécie sofre também com a perturbação dos locais de nidificação e dormitórios com o incremento da prática de montanhismo, escalada, espeleologia e actividades de todo-o-terreno, sendo também prejudicada pelo o uso de pesticidas que aumentam a mortalidade dos indivíduos por ingestão de presas contaminadas.

Gralha de bico vermelho, Pyrrhocorax pyrrhocorax, corvideo, Serras de Aire e CandeeirosAs boas notícias são que estão em prática projectos para recuperar as Gralhas-de-bico-vermelho antes que seja tarde demais. Em primeiro lugar, o Projecto Bico-vermelho, que pretende contribuir para o estudo e conservação da Gralha-de-bico-vermelho no Noroeste de Portugal e, mais recentemente, um projecto que resulta da parceria entre a Quercus, a Vodafone e a Cooperativa Terra Chã, enquadrado no programa Buisiness & Biodiversity da União Europeia.
Este projecto visa recuperar o habitat das gralhas através dum regresso dos rebanhos de cabras às serras de Aire e Candeeiros. Com os 150 mil euros atribuídos pela UE vai ser adquirido um rebanho de cabras e vão ser recuperados estábulos, lançando-se as raízes de um negócio, que se pretende sustentável, que assenta na venda de carne, leite e queijos e na exploração do eco-turismo. É um projecto que alia a valorização do património cultural e natural, a criação de emprego numa região desfavorecida e a conservação da Natureza - esperamos que tenha os melhores resultados.

Filipe

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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Salve o seu logo

São inúmeras as marcas que utilizam animais ou plantas nos seus logotipos. Começando no pinguim da editora Penguin, passando pelo crocodilo da Lacoste e pelo Jaguar da famosa marca de carros, até aos símbolos dos dois clubes de futebol mais importantes da cidade de Lisboa.

Esses logotipos sempre foram grátis, mas a nova campanha "Save your Logo" encoraja as empresas com seres vivos nos seus logotipos a contribuir com fundos para a protecção de espécies ameaçadas e dos seus habitats.
A iniciativa partiu de uma parceria entre a IUCN, a Global Environment Facility, o Banco Mundial e a ONG belga Noe Institute.
Filipe











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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Espécie do mês - Priôlo

Priôlo Pyrrhula murina (Goodman, 1866)

Espanhol: Camachuelo de Azores
Inglês: Azores Bullfinch
Francês: Bouvreuil dês Açores

Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Fringillidae

Distribuição mundial: Endémico dos Açores.

Distribuição em Portugal: Encontra-se confinado às zonas montanhosas da parte oriental da ilha de S. Miguel, nos Açores.

Tipo de ocorrência em Portugal: Residente

Estatuto de conservação:
No mundo - Criticamente em Perigo
Em Portugal - Criticamente em Perigo

Tendência populacional: Esta espécie era bastante comum na ilha de S. Miguel até cerca da década de 1920, quando começou a regredir. Actualmente as suas populações encontram-se estáveis, sobretudo devido a medidas intensas que foram tomadas para a sua conservação.

Descrição: Comprimento 16 cm. O Priôlo é um passeriforme de aparência robusta com o bico muito curto e grosso. A sua plumagem caracteriza-se por possuir um capacete negro que desce até ao início da garganta e uma cauda negra com uropígio branco. As asas são negras com uma banda branca. O dorso e o ventre têm uma cor cinzento-acastanhada. O bico e as patas são negras.

Habitat: O Priôlo habita a floresta natural de altitude.

Alimentação: Alimenta-se principalmente de botões de flores, bagas e sementes. Por vezes consome também invertebrados (sobretudo as crias).

Reprodução: É uma ave monogâmica e as suas crias são nidícolas.

Comportamento: É uma espécie tipicamente florestal, alimentando-se sobretudo nas árvores e arbustos, raramente pousando no chão. É uma ave muito sedentária.

Factores de ameaça: O principal factor de ameaça é a substituição da vegetação autóctone por espécies exóticas. O próprio tamanho, muito reduzido, da população desta espécie é em si um factor de ameaça, uma vez que a torna vulnerável a factores estocásticos ambientais e demográficos.

Onde observar: O Priôlo só pode ser observado nos concelhos de Nordeste e Povoação, situados na ilha de S. Miguel, sobretudo nas áreas montanhosas com vegetação nativa.

Curiosidades: O Priôlo descende de Dom fafes Pyrrhula pyrrhula, que terão chegado aos Açores há centenas ou milhares de anos, provavelmente trazidos por uma tempestade.

Bibliografia:
  1. Almeida J (coord), Catry P, Encarnação V, Franco C, Granadeiro JP, Lopes R, Moreira F, Oliveira P, Onofre N, Pacheco C, Pinto M, Pitta Groz MJ, Ramos J & Silva L (2006) Pyrrhula murina Priôlo. In: Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 2ªed. (Cabral MJ, Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queirós AI, Rogado L & Santos-Reis M eds.). ICN/Assírio & Alvim, Lisboa.

  2. Bibby C, Chaelton TD & Ramos J (1992) Studies of West Paelearctic birds, 191: Azores bullfinch. British Birds 85: 677-680.

  3. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000) Nomes portugueses das aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa.

  4. Cramp S & Perrins CM (eds.) (1994). Handbook of the birds of Europe, the Middle East and North Africa: the birds of the Western Palearctic Vol. VIII. Oxford University Press, Oxford.

  5. Ramos JA (1994) Fern frond feeding by the Azores bullfinch. Journal of Avian Biology 25: 344-347.

  6. Ramos JA (1995) The diet of the Azores bullfinch and floristic variation within its range. Biological Conservation 71: 237-249.

  7. Ramos JA (1996) Introduction of exotic trees as a threat to the Azores bullfinch population. Journal of Applied Ecology 33: 710-722.

  8. Ramos JA (1996) The influence of size, shape and phenolic content on the selection of winter foods by the Azores bullfinch. Journal of Zoology, London 238: 415-433.

  9. Ramos JA (1998) Biometrics, weights, breeding and moulting seasons of passerines in an Azorean cloud forest. Ringing & Migration 19: 17-22.

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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Acordo entre nações africanas para a protecção dos gorilas

Os Camarões e a Nigéria assinaram um acordo para proteger o Gorila do rio Cross (Gorilla gorilla diehli) que é a subespécie mais ameaçada de gorilas.
Existem duas espécies de gorilas, ambas com estatuto de criticamente ameaçadas: o Gorila-de-montanha (Gorilla beringei), que é a espécie mais rara e o Gorila-do-ocidente (Gorilla gorilla) do qual se estima que existam cerca de 350.000 indivíduos. Porém, existem apenas 300 indivíduos dos Gorilas do rio Cross, que são a subespécie mais rara do Gorila-do-ocidente. Esta população habita exclusivamente nas florestas tropicais e subtropicais da fronteira entre a Nigéria e os Camarões, daí a necessidade do acordo estabelecido entre os dois países com o apoio da Wildlife Conservation Socitey. A acção prioritária vai ser proteger o habitat dos gorilas, impedindo o abate ilegal de árvores e a o tráfego de carne do mato. Vão ser realizadas também acções de sensibilização das populações locais.

Filipe

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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Primeiras fotos de um Okapi na Natureza

Okapi, Espécies Ameaçadas, Congo, Parque Nacional de VirungaDesde miudo, quando folheava livros sobre animais que o Okapi sempre me intrigou. É um bicho que parece resultar do cruzamento de um antílope com uma zebra, com um cheirinho de burro e de girafa (que é o seu parente mais próximo). Por ser tão esquivo e bizarro, em tempos acreditou-se que era um animal mítico, uma espécie de unicórnio africano.
De facto, apenas agora se conseguiram as primeiras fotografias desta espécie tiradas na Natureza. Um grupo de cientistas da Zoological Society of London e das autoridades de conservação do Congo montaram câmaras fotográficas com um sensor de movimento num local da floresta onde se sabia que a presença de Okapis havia sido registada em tempos. A importância destas imagens supera a mera curiosidade científica, já que comprovam que o Okapi, ao contrário do que se temia, ainda não desapareceu. Há alguns anos que não havia qualquer observação ou indício da sua presença na Natureza e as preocupações aumentaram porque o Parque Nacional de Virunga, onde foram tiradas as fotos, foi palco dos conflitos internos que ocorreram no Congo. Chegou a ser ocupado pelas milícias e só recentemente foi recuperado pelas autoridades, podendo os guardas florestais voltar a partulhar a área.
São boas notícias para o unicórnio africano.

Filipe

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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Morcegos em directo

Depois dos abutres e das borboletas poderem ser vistos em directo na internet, chegou a vez dos morcegos. O projecto Morcegos na Web mostra imagens provenientes de quatro câmaras instaladas numa gruta próxima da nascente do rio Alviela, onde vivem cerca de 5000 morcegos pertencentes a 12 espécies.
Esta iniciativa mostra uma diversidade desconhecida da maioria das pessoas, já que os morcegos representam cerca de 40 % das espécies de mamíferos terrestres que ocorrem em Portugal (26 espécies). Chama também a atenção para as graves ameaças que muitas destas espécies enfrentam e pretende dar uma melhor imagem destes animais que em geral não estão no top de preferência da maioria das pessoas, muitas vezes devido a superstições e medos infundados.

Filipe

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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Lobos e conservação da Natureza II

Lobo ibérico, Canis lupus signatus, conservação da Natureza, investigação, espécies ameaçadasEm Portugal ainda subsistem qualquer coisa como 200 a 400 lobos, divididos em duas subpopulações: a principal a Norte do rio Douro, que se mantém em contacto com populações espanholas; e outra, muito fragmentada, a sul do Douro que está, aparentemente, isolada.
Há muito que em Portugal, e na maioria dos países europeus, os habitats passaram a sofrer fortes alterações por parte do Homem, sendo já residuais as áreas "puramente naturais". No entanto, os efeitos deste predador no ecossistema não devem ser subestimados. Estes efeitos, em conjunto com o valor simbólico da espécie, fazem com que seja muito importante estudar a sua biologia para que os esforços realizados na sua conservação sejam eficazes. É isso que alguns grupos de investigadores portugueses têm feito nos últimos anos.
A última inovação nesta pesquisa (realizada pela Associação VERANDA e pelo CIBIO da Universidade do Porto) consiste na aplicação de sistemas de GPS colocados em coleiras aplicadas a Lobos selvagens. Com este dispositivo a posição do animal pode ser determinada a cada duas horas. Deste modo, poderão ser melhor compreendidos os movimentos realizados pelos Lobos. Esta informação irá tornar mais fácil a protecção dos rebanhos atráves da localização das alcateias, bem como a identificação de atques às ovelhas e o consequente pagamento das indeminizações.
Este projecto visa, entre outros aspectos puramente científicos, melhorar a relação entre o Homem e o Lobo, que historicamente não é das melhores. Só assim se poderá recuperar o último grande predador da fauna portuguesa.

Filipe

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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Livro Vermelho e Estatutos de Conservação

Muitas vezes aqui no blogue falamos de estatutos de conservação das espécies. Esse estatuto corresponde à classificação numa escala de ameaça que permite estimar a probablidade de extinção de cada espécie num determinado período, tendo em conta as condições passada, actual e futura. Entra em conta com a influência humana, com as características biológicas da espécie e ainda com a interacção entre ambas.
A instituição que criou o sistema de avaliação do grau de ameaça das espécies, bem como as recomendações para a sua aplicação foi a International Union for Conservation of Nature (IUCN).
Este sistema é composto por 11 categorias.

Extinto: Uma espécie para a qual não existe dúvida razoável de que o último indivíduo morreu.

Extinto na Natureza: Quando a espécie apenas sobrevive em cativeiro (ou cultivo no caso de ser uma planta) ou como uma população naturalizada fora da sua área de distribuição original.

Regionalmente Extinto: Uma espécie está regionalmente extinta quando não restam dúvidas de que o último indivíduo potencialmente capaz de se reproduzir no interior da região morreu desapareceu.

Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável: Estes três estatutos traduzem um grau de ameaça atribuido com base em cinco critérios quantitativos - Redução da população; diminuição da área distribuição geográfica ou fragmentação desta; efectivo populacional reduzido ou fragmentado; população com uma distribuição muito restrita; análise quatitativa do risco de extinção.

Quase Ameaçado: aplica-se a espécies que podem estar perto dos estatutos acima se persistirem ou se agravarem os factores de ameaça.

Pouco Preocupante: Espécies que não se classificam como ameaçados, nem se prevê que num futuro próximo venham a estar ameaçadas. Corresponde a espécies abundantes com distribuição ampla.

Informação Insuficiente: Espécies cuja informação disponível não é adequada para avaliar o risco de extinção.

Não Aplicável: Para espécies que não reunem as condições necessárias para ser avaliado a nível regional (por exemplo, espécies introduzidas, como o Periquito-rabijunco em Portugal).

Não Avaliado: Quando a espécie não foi avaliada pelos critérios anteriores (por exemplo, uma espécie cuja ocorrência numa dada região é ocasional, como uma ave migradora americana que se perde e vai parar aos Açores).

Para uma explicação exaustíva destas categorias e dos critérios com que são atribuidas clique aqui.

Este sistema pode e deve ser aplicado tanto a um nível global (IUCN Red List of Threatened Species) como a um nível regional. Em Portugal foi publicado pelo ICNB o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal que atribui estatutos de conservação a todas as espécies que ocorrem no nosso território.

Filipe

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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Tubarão-branco no Mediterrâneo

Uma pergunta levantada pelo Miguel no post de segunda-feira aguçou-me a curiosidade e levou-me a fazer uma pequena pesquisa. O Miguel perguntava pelo estatuto do Tubarão-branco no Mediterrâneo.
O Tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é uma das espécies mais famosas de tubarão do mundo, primeiro porque é o maior peixe predador (o Tubarão-baleia é maior, mas é filtrador) e sobretudo porque é o protagonista dum filme de Steven Spielberg. Este protagonismo não o safa de ser uma espécie ameaçada, tal como a maioria dos seus parentes. Pelo contrário, a notoriedade deste tubarão como monstro de Hollywood inflacionou o valor comercial de partes do seu corpo, gerando um trafico ilícito que é difícil de quantificar e controlar. Outras ameaças que estão identificadas para esta espécie são a redução do número das suas presas (como consequência da pesca excessiva), a pesca acidental, a degradação do habitat e, paradoxalmente, o ecoturismo. Muitas vezes as pessoas que gostam dos animais e que os querem ver de perto não entendem que a perturbação excessiva altera o seu comportamento, afugenta as suas presas e contribui para a degradação do habitat.
Além do mais, o Tubarão-branco tem características biológicas que não ajudam quando uma espécie está ameaçada: ocorre em baixas densidades, tem uma elevada idade de maturação sexual e uma baixa taxa de fecundidade.
Assim, o seu estatuto no livro vermelho da UICN é "vulnerável", e só não tem um estatuto de ameaça mais sério porque é uma espécie com uma área de distribuição muito ampla. Existe em todos os mares frios, temperados e tropicais, sendo aparentemente mais abundante nas costas da África do Sul, Austrália e Califórnia. É uma espécie que realiza grandes movimentos migratórios, percorrendo distâncias enormes.
Chegamos ao Mediterrâneo. Sim, o Tubarão-branco não só ainda aparece no Mediterrâneo (juntamente com mais 46 espécies de tubarões) como se reproduz, provavelmente em números relativamente baixos. A espécie está protegida pela legislação europeia, constando de diversas directivas que visam a protecção de espécies ameaçadas.

Filipe

Para saber mais:

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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Declínio dos tubarões do Mediterrâneo

Não faltam evidências de que os peixes predadores de grandes dimensões estão em declínio em todos os oceanos, mas há uma grande escassez de dados concretos devida às enormes dificuldades que existem no estudo destas espécies. Recentemente foi publicado na revista "Conservation Biology" um artigo (Ferretti et al 2008) que compila informação sobre a abundância de diversas espécies de tubarões no Mediterrâneo, incluindo dados históricos desde o início do século XIX. Das cinco espécies, sobre as quais existiam dados suficientes para realizar a análise (Tubarão-martelo, Tintureira, Tubarão-Anequim, Tubarão-sardo e Tubarão-raposo) chegou-se à conclusão que os seus efectivos populacionais decresceram entre 96 e 99,99% nos últimos 200 anos. De acordo com os critérios adoptados pela UICN, estas espécies deviam ser consideradas como "criticamente ameaçadas", o que não acontecia até agora devido à falta de dados quantitativos sobre as suas populações.
Desde há muito tempo que a pesca no Mediterrâneo tem sido intensa, sendo os tubarões, em geral, considerados como tendo pouco valor comercial. A sua captura foi sobretudo acidental (mas em grande quantidade) na pesca de outras espécies, como o atum. É provável que o declínio destas espécies ocorra desde há muitos anos sem se ter dado por isso. No entanto, com o aumento da procura de tubarão pelo mercado asiático (para a famosa sopa de barbatana de tubarão), os tubarões têm sido alvo de uma perseguição directa que veio acelerar o decréscimo de populações já de si debilitadas.
Neste momento o que preocupa os investigadores não é apenas o desaparecimento dos tubarões só por si, mas os potenciais efeitos adversos para todo o ecossistema que ocorrerão com o decréscimo dos predadores de topo (ver post sobre este tema).

Filipe

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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Impactos da construção da barragem de Alqueva nas populações de carnívoros

A albufeira de Alqueva, o maior lago artificial da Europa, foi uma das obras públicas mais controversas dos últimos anos em Portugal. De acordo com muitos, os benefícios da sua construção não superam os impactos negativos tanto socioeconómicos como ambientais.
A verdade é que a área de Alqueva tem sido alvo de inúmeros estudos que servirão de referência para futuros projectos e que poderão dar pistas para a gestão da área com o intuito minimizar os impactos ambientais negativos.
Recentemente, um grupo de investigadores da Universidade de Lisboa publicou um trabalho (Santos et al. 2008) que relata os resultados da monitorização dos impactos da construção e implementação da barragem de Alqueva nas populações de carnívoros ameaçados.
As espécies estudadas foram o Toirão, a Lontra, o Gato-bravo e o Lince-ibérico.
O estudo apresenta como principais impactos da construção de uma barragem o incremento na acessibilidade e na visitação humana, o movimento de maquinaria pesada, a desflorestação com perda e fragmentação do habitat, a transformação de sectores lóticos do rio (com água corrente) em lênticos (águas paradas), menor disponibilidade de presas e alterações no uso do solo nos terrenos adjacentes à albufeira.
Os resultados obtidos a partir da monitorização das populações de carnívoros revelaram uma diminuição das áreas de distribuição das espécies estudadas (com alguma recuperação por parte da Lontra). Os autores sugerem que para assegurar a sobrevivência destas espécies carismáticas das paisagens do Sul de Portugal é imperativo continuar o esforço de monitorização das suas populações e desenvolver esforços de conservação para a manutenção e melhoramento dos habitats envolventes.

Filipe

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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

A Freira do Bugio

A Freira do Bugio, também conhecida por Gon-gon, é uma ave marinha parente distante dos albatrozes e parente próxima das pardelas. Ocorre unicamente nos arquipélagos de Cabo Verde e da Madeira, mas concretamente na ilha do Bugio, situada nas Desertas.
A Freira do Bugio é uma ave considerada vulnerável em Portugal, já que a sua população foi estimada em cerca de 200 casais reprodutores, que nidificam exclusivamente em dois planaltos de uma única ilha. Com este cenário, é normal que esteja a ser alvo de uma atenção especial em termos de conservação e estudo. A SPEA lançou assim o projecto SOS Freira do Bugio. Para já um dos resultados obtidos é que a Freira do Bugio provavelmente pertence a uma espécie diferente das freiras que se encontram em Cabo Verde, pelo menos é o que parecem demonstrar as primeiras análises genéticas.
Se estes dados se confirmarem a Freira do Bugio passará a ser uma das espécies mais raras do mundo, acrescendo ainda mais a nossa responsabilidade na sua conservação.

Filipe

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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Nem a gregos nem a troianos

Há um par de semanas o Urso-polar foi classificado como espécie "ameaçada" pelo Departamento do Interior dos EUA. Agora esta instituição está a ser processada por um bloco de associações ambientalistas que afirmam que a espécie devia ter sido classificada "em perigo de extinção" porque só assim podiam ser dados passos para combater os factores que mais ameaçam a sobrevivência dos ursos (especialmente o aquecimento global). Com a classificação actual não é possível implementar restrições a novas perfurações para gás e petróleo.
Por outro lado, o governador do estado do Alasca também vai processar o governo americano, mas pela razão oposta: este governador acredita que o Urso-polar possui populações perfeitamente saudáveis e que não há modelos climáticos credíveis que demonstrem que existem alterações climáticas causadas pelo Homem.


Filipe

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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

A administração Bush faz uma emissão importante...


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Domingo, 4 de Maio de 2008

O unicornio dos mares está em perigo

O Urso-polar tem sido um dos emblemas da Natureza a desaparecer no Árctico. Com a destruição da camada de gelo o urso está a perder o seu habitat, as suas populações estão cada vez mais fragmentadas e a extinção na Natureza parece cada vez mais inevitável se o processo de aquecimento global não for revertido. O Urso-polar é o simbolo carismático perfeito para nos alertar para os perigos das alterações climáticas: é uma espécie muito bonita e fotogénica, é um dos maiores atractivos dos zoos que possuem alguns exemplares, dá uns peluches muito giros e a imagem dum urso sozinho num pequeno bloco de gelo a flutuar na vastidão do oceano vale mais do que mil artigos científicos para cativar a opinião pública. Não nos podemos é esquecer que o Urso-polar é só uma das muitas espécies que estão a desaparecer no Árctico. Mesmo dentro dos mamíferos marinhos existe pelo menos uma espécie que parece estar ainda em piores condições que o Urso-polar - o Narval.
O Narval é um animal invulgar, lembra um golfinho ou uma pequena baleia com um enorme chifre (que na realidade é um dente) que pode chegar a medir três metros e pesar 10 kg (!!!). Este unicornio dos mares foi considerado o mamífero marinho do Árctico mais sensível às alterações climáticas. Segundo um estudo publicado recentemente na revista Ecological Applications, o Urso-polar, a Foca-de-capuz, a Morsa e a Baleia-franca-boreal completam o top 5 das espécies árcticas cuja sobrevivência está mais ameaçada.

Filipe

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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

A queda dos abutres

O mais recente recenseamento das populações de abutres na Índia revelou dados assustadores. Os números de Grifo de Bengala Gyps bengalensis caíram 99,9% nos últimos 15 anos (entre 1992 e 2007), continuando a reduzir-se a uma taxa de 40% por ano. As outras espécies ameaçadas de abutres (Gyps indicus e Gyps tenuirostris) tiveram uma queda de perto de 97 % no mesmo período.
Os autores deste estudo culpam o diclofenac, um anti-inflamatório (é a substância activa, por exemplo, do Voltaren) que é administrado ao gado, de cujas carcaças os abutres se alimentam. Um dos efeitos secundários deste produto, quando tomado em doses excessivas, é a insuficiência renal que é a causa de morte destas aves.
Como acontece sempre que um elo da cadeia da biodiversidade é eliminado, começam a aparecer efeitos nos outros elementos do ecossistema. Neste caso, um dos efeitos mais graves que têm vindo a ser descoberto é o aumento dos casos de raiva em cães vadios e ratazanas, que se alimentam das inúmeras carcaças que agora são deixadas a apodrecer. Isto é especialmente preocupante, em termos de saúde pública, num país como a Índia, que tem uma elevadíssima densidade populacional e em que uma parte significativa da população vive abaixo do limiar de pobreza em condições de higiene muito precárias.
As únicas soluções para este caso são banir o uso de diclofenac no gado e realizar um programa de reprodução em cativeiro.

Para ler o artigo clique aqui
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Filipe

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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo

Carriola do EspichelQuando pensamos em espécies ameaçadas quase sempre nos lembramos de animais como o Panda, o Gorila ou as Baleias. Da fauna portuguesa vem-nos à cabeça o Lince, o Lobo ou os Golfinhos do Sado.
Estas são as espécies emblemáticas da conservação da natureza que atraem a atenção dos meios de comunicação social. No entanto, nem todas as espécies em perigo são tão conhecidas.

Em Portugal existem espécies com populações muito reduzidas e que não ocorrem em mais nenhum sítio do mundo, acrescendo a nossa responsabilidade na sua preservação.
São exemplos disso a Corriola do Espichel (na imagem), uma planta que apenas existe na área do Cabo Espichel e no litoral da Arrábida, o Narciso do Mondego, endémico do troço montante da bacia hidrográfica do Mondego, ou a Diabelha de Almograve da qual resta apenas uma pequena população situada na proximidade de Vila Nova de Milfontes.

O Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo é um projecto co-financiado pelo Programa Life da União Europeia e pelo ICN que visa garantir a conservação das espécies de plantas endémicas mais ameaçadas do território continental português, bem como de uma outra espécie que tem uma distribuição mais ampla, mas que é das mais ameaçadas da Europa (o Trevo-de-quatro-folhas).
Filipe

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