Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Os ossos e o clima

Sempre que temos um Inverno mais fresquinho, como este, levantam-se as vozes do costume: "ainda dizem que há aquecimento global". O que se compreende, porque a maioria de nós não possui uma base de dados com as medições dos parâmetros do clima dos últimos 40 anos e se os nossos ossos nos dizem que está um gelo, então isso do aquecimento global deve ser uma invenção. Além disso, quando estamos convictos de uma teoria, tendemos a olhar com mais atenção para os fenómenos que (aparentemente) a apoiam. Mas será que podemos confiar apenas nos nossos ossos para fazer previsões sobre o futuro do clima?

Prever o clima é, como todos sabemos, uma tarefa difícil e altamente falível, sobretudo quando nos atrevemos a prevê-lo num intervalo temporal alargado. Mas para isso é que serve a ciência. Para acumular uma grande quantidade de dados que permitem observar os fenómenos de uma maneira menos subjectiva e sobretudo para testar experimentalmente as hipóteses que os procuram explicar.

Nos Estados Unidos, a terra das estatísticas, foi feita uma sondagem a todos os cientistas listados no departamento de geociências do Instituto Geológico Americano com o objectivo de saber a sua opinião sobre as alterações climáticas. Concluiu-se que 90 por cento dos 3.146 inquiridos acreditam que o aquecimento global é real e que 82 por cento concordam que a sua causa é a actividade humana. Se restringirmos a sondagem aos climatologistas a percentagem dos que atribuem ao Homem a causa das alterações climáticas sobe para os 97.
Na minha opinião estes resultados mostram que quanto mais uma pessoa sabe sobre o clima maior é a tendência para concordar que este está a mudar devido à actividade humana.
De todos os cientistas abordados, os mais cépticos são (pasme-se) os geólogos do petróleo, dos quais apenas 47 por cento aceitam uma influência humana no clima. Quanto ao cidadão comum, neste momento já 58 por cento dos americanos acreditam que a actividade humana está a contribuir para o aquecimento global.

Tenho alguma curiosidade de saber quais seriam os resultados de uma sondagem semelhante na população portuguesa. Olhando pela janela e vendo o trânsito infernal que está lá em baixo, quer-me parecer que ainda confiamos mais nos ossos.

Para saber mais: Mongabay

Filipe

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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Lobos e conservação da Natureza II

Lobo ibérico, Canis lupus signatus, conservação da Natureza, investigação, espécies ameaçadasEm Portugal ainda subsistem qualquer coisa como 200 a 400 lobos, divididos em duas subpopulações: a principal a Norte do rio Douro, que se mantém em contacto com populações espanholas; e outra, muito fragmentada, a sul do Douro que está, aparentemente, isolada.
Há muito que em Portugal, e na maioria dos países europeus, os habitats passaram a sofrer fortes alterações por parte do Homem, sendo já residuais as áreas "puramente naturais". No entanto, os efeitos deste predador no ecossistema não devem ser subestimados. Estes efeitos, em conjunto com o valor simbólico da espécie, fazem com que seja muito importante estudar a sua biologia para que os esforços realizados na sua conservação sejam eficazes. É isso que alguns grupos de investigadores portugueses têm feito nos últimos anos.
A última inovação nesta pesquisa (realizada pela Associação VERANDA e pelo CIBIO da Universidade do Porto) consiste na aplicação de sistemas de GPS colocados em coleiras aplicadas a Lobos selvagens. Com este dispositivo a posição do animal pode ser determinada a cada duas horas. Deste modo, poderão ser melhor compreendidos os movimentos realizados pelos Lobos. Esta informação irá tornar mais fácil a protecção dos rebanhos atráves da localização das alcateias, bem como a identificação de atques às ovelhas e o consequente pagamento das indeminizações.
Este projecto visa, entre outros aspectos puramente científicos, melhorar a relação entre o Homem e o Lobo, que historicamente não é das melhores. Só assim se poderá recuperar o último grande predador da fauna portuguesa.

Filipe

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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Chitas do mar alto

É sabido que muitas espécies de baleias mergulham a profundidades superiores a 1.000 m, e desde sempre se assumiu que estes animais, nestas circunstâncias, nadam a velocidades moderadas com vista a optimizar o consumo de oxigénio e maximizar o tempo de procura de alimento a grandes profundidades.
Um grupo de investigadores sediados na Universidade de Tenerife, nas ilhas Canárias, estudou o movimento de Baleias-piloto de barbatana fina (Globicephala macrorhynchus) com recurso a localização por satélite chegando à conclusão que estas baleias realizam sprints de curta duração (19 a 79 seg) nos seus mergulhos a grande profundidade. Este tipo de comportamento, que era desconhecido em mamíferos marinhos, é mais típico de alguns predadores terrestres como a Chita. As baleias-piloto provavelmente desenvolveram esta estratégia para capturar grandes presas rápidas, com elevado valor alimentar, como as lulas gigantes.

Filipe

Aguilar et al. (2008) Journal of Animal Ecology

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