Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Boas ideias

Está claro que o que faz falta são boas ideias, seja para sair da crise, seja para contornarmos a dependência energética do petróleo ou travar o aquecimento global.

Uma boa ideia vem do Reino Unido, onde alguém se lembrou que a pressão no interior das condutas de gás que abastecem os lares ingleses é enorme e que se colocarmos umas pequenas turbinas no seu interior podemos obter energia eléctrica. A empresa 2OC já está a desenvolver esta tecnologia de "geo-pressão" e irá começar a instalar turbinas nas tubagens do gás ainda este ano. Na primeira fase espera-se obter 20 MW até 2010. Se a experiência tiver o sucesso esperado e for repetida por todo o país podem-se obter até 1 GW, ou seja o equivalente à produção de uma central convencional a carvão ou de uma central nuclear.
Pode-se dizer que por si mesma esta ideia não resolverá a crise energética nem impedirá o aquecimento global, mas se livrar o mundo de algumas centrais a carvão ou nucleares já valeu a pena (para saber mais clique aqui)

Outra ideia boa vem dos Estados Unidos, mais concretamente de Nova Iorque onde diversos edifícios para habitação estão a ser apetrechados com turbinas eólicas colocadas nos seus telhados. Estas pequenas turbinas que se parecem mais com ventoinhas de arrefecimento caseiro do que com os parques eólicos que vemos no cimo das nossas serras, permitem baixar para metade a factura eléctrica dos condomínios. Como o seu custo é de 100 mil dólares e permitem poupar 9 mil dólares por ano, ao fim de 12 anos o investimento inicial foi amortizado. Estes valores ainda não parecem ser muito atractivos, mas é de esperar que à medida que esta tecnologia se for massificando o seus custos baixem significativamente, ao passo que não se espera que a conta da electricidade vá baixar, pelo contrário (para saber mais clique aqui).
Ou seja, num futuro não muito longínquo esta deverá ser uma solução a ter em conta. Em particular se os Estados investirem em apoios, não só a empresas que fabricam e comercializam estas tecnologias, como também às empresas e particulares que as compram sob a forma de benefícios fiscais ou juros bancários bonificados (ou outras de que se lembrem).

Será que o dinheiro que o Estado Português vai gastar a construir uma mega-barragem que vai destruir o último rio selvagem que temos não seria melhor empregue a incentivar soluções deste tipo?

Filipe

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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Carvão limpo e o lobby ambiental dos EUA

É sabido que de todas as formas de obtenção de energia eléctrica as que são responsáveis por maiores emissões de dióxido de carbono são as centrais a carvão.
O carvão por ser barato comparativamente a outros combustíveis fósseis é muito apetecível como fonte de energia, sobretudo em países em que a economia (ainda) está a crescer rapidamente como a China. Mesmo os países industrializados, como os EUA, não dispensam ainda esta fonte de energia. No entanto, com protocolos internacionais a cumprir e uma opinião pública cada vez mais preocupada com o futuro do ambiente no planeta criaram-se uma série de tecnologias que, pelo menos em teoria, fazem com que as centrais a carvão não sejam tão poluentes. Chamou-se às centrais que usam estas tecnologias centrais a "carvão limpo".

Tem vindo a ser demonstrado que o carvão limpo não é tão limpo como o seu nome parece indicar e que de facto não representa uma alternativa viável em termos de emissões de dióxido de carbono (ver post).
Deixo aqui um anúncio que passa neste momento nas televisões dos EUA, demonstrando que apesar deste país ser o maior poluidor mundial per capita é também aquele em que o lobby ambiental tem mais força e consegue mobilizar mais recursos. Este anúncio foi produzido por uma plataforma constituída por várias organizações não governamentais da área do ambiente.

Filipe

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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

O que é que o ambiente pode esperar de Barak Obama? Parte 2

Desolation Canyon, UtahEnquanto o actual presidente norte-americano preparou umas surpresas desagradáveis para os seus últimos dias de governação (ver notícia), Obama prepara-se para minimizar alguns dos danos.
Bush está a aprovar à última hora, entre outras medidas, a retirada do lobo da lista de espécies ameaçadas, a autorização da implantação de centrais eléctricas nas imediações de parques nacionais ou o relaxamento das normas para a exploração mineira. Enquanto isso, John Podesta, o líder do gabinete de transição da presidência de Barak Obama, afirmou que alguns dos presentes envenenados de Bush serão revertidos, como por exemplo a autorização de exploração de petróleo e gás natural nalgumas das áreas naturais mais sensíveis do Estado de Utah (ver notícia) e que o recém-eleito presidente está a rever todas as decisões tomadas pela actual administração.

Filipe

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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

O que é que o ambiente pode esperar de Barak Obama?

Barak Obama, Política ambiental, Alterações climáticas, Estados UnidosJá é um lugar-comum dizer que a eleição de Barak Obama representa uma mudança histórica na maneira como a América olha para o mundo e para si mesma, mas enquanto toda a ênfase tem sido posto na questão racial, na economia e nas relações internacionais, é também importante pensar o que é que a eleição de Obama pode trazer de novo para o ambiente.

Pode-se dizer que depois de um presidente que vem direitinho do lobby do petróleo e que durante largos anos da sua administração fez questão de negar que as alterações climáticas tivessem qualquer base científica nada pode ser pior.
Obama não só reconhece as alterações climáticas como um problema como as considera um dos principais desafios a que deve fazer face durante o seu mandato.
O combate às alterações climáticas vem associado a outro tema querido de Obama e dos americanos (e não só) que é o combate dependência energética do exterior, principalmente no que diz respeito ao petróleo. Para isto propõe investimentos avultados na investigação de novas fontes de energia, na criação dos chamados empregos verdes, na criação de infraestruturas de energias alternativas e na eficiência energética. Obama pretende ainda implementar alterações ao regime fiscal para incentivar energias limpas e penalizar o consumo de combustíveis fósseis.
Para os ambientalistas Obama tem ainda alguns pecados ambientais como o facto de ser favorável, pelo menos para já, à energia nuclear e ao carvão limpo. Os mais moderados argumentarão que não se pode mudar tudo de uma só vez e dão o benefício da dúvida ao recém-eleito presidente.

Talvez mais importante ainda do que a alteração destas políticas concretas é a disponibilidade apresentada para assinar acordos internacionais sobre emissões de carbono (e outros) ao contrário dos seus predecessores. É sabido que os EUA, mesmo sendo o país que mais polui per capita e o segundo país com maiores emissões de dióxido de carbono termos absolutos (foram recentemente ultrapassados pela China), nunca aceitou o Tratado de Quioto. O mundo nunca conseguirá reverter de forma significativa os danos que estão a ser causados ao planeta sem o apoio ou mesmo a liderança dos EUA.

Filipe

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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Semana de trabalho de 4 dias para poupar energia

Salt Lake City, Utah, EUA, USA, Politica ambiental, eficiência energéticaO estado do Utah, nos EUA, está a implementar uma medida inovadora (pelo menos para um estado) para aumentar a eficiência energética e consequentemente para reduzir as emissões de CO2. A partir de Agosto, cerca de 17.000 funcinarios públicos vão fazer fins-de-semana de três dias, trabalhando 10 horas por dia nos restantes quatro dias. Cerca de um terço dos 3.000 edifícios do estado vão encerrar à sexta-feira, levando a poupanças no aquecimento e no ar condicionado de cerca de 3 milhões de dólares por ano. O Estado espera poupar também nos combustíveis dos veículos governamentais.
Porém, esta medida levanta algumas dificuldades, como o ajuste dos horários dos transportes e dos infantários, bem como facto do acesso ao público a certos serviços ficar limitado.
Mesmo assim o governador do estado afirma que a reacção do público tem sido muito positiva.

Para saber mais clique aqui

Filipe

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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Optimus Alive 2 - o desperdício

Provavelmente a única maneira de reunir num festival de três dias nomes tão importantes como Bob Dylan, Neil Young ou Rage Against the Machine (para falar do Optimus Alive, mas podia-se aplicar a quase todos os festivais) é ter um grande número de patrocinadores, preferencialmente grandes empresas. Claro que às empresas patrocinadoras interessa ter a maior visibilidade possível, daí que neste momento já estejam presentes até no nome do festival. É evidente que vão ter espaços próprios no recinto e que nos vão bombardear com publicidade nos plasmas no intervalo dos concertos. Até aí tudo OK, mas o excesso de merchandizing que é oferecido, sob a forma de chapéus, fitas, bolsinhas, apitos e papelada é demasiado, e é demasiado o lixo em que estes brindes se tornam no fim dos concertos. Numa altura em que já (quase) todas as crianças sabem de cor os 3 Rs, não era já tempo destas marcas recorrerem a formas de publicidade mais originais (até apareceram algumas durante o festival como os "carregadores de meninas" e as "bombeiras que refrescavam o público") e que produzissem menos resíduos?
Salta à vista a hipocrisia de festivais como o Rock in Rio, cujo o tema era o ambiente, em que a lixarada e o desperdício produzidos eram esmagadores.
Por favor: mais imaginação e menos lixo.

Filipe

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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

A vara ou a cenoura?

Assumindo que as alterações climáticas são o principal problema que a humanidade enfrenta e que as grandes empresas são um dos grandes responsáveis por esse problema, como devemos tratá-las? Batendo-lhes com a vara ou acenando-lhes com a cenoura? A organização Carrotmob defende que lhes devemos acenar com a cenoura.

Mesmo que a solução não esteja aqui, sempre é um bom ponto de partida para uma discussão.

Filipe



Carrotmob Makes It Rain from carrotmob on Vimeo.

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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Remendos

Parece que o governo e os camionistas chegaram a acordo e que o bloqueio pode terminar. Que grande alívio! Já podemos pôr gasolina e já não vão faltar as bjecas para ver os jogos da selecção!
Mas o que é que vamos fazer daqui a seis meses quando o preço dos combustíveis estiver 50 cêntimos mais caro? ou daqui a dois anos? O preço dos combustíveis não vai descer, pelo menos de uma forma sustentada. Pelo contrário, vai subir. Por essa razão, este acordo, mesmo que seja necessário na situação actual, não será mais do que um remendo. Claro que a solução de fundo não se encontra de um momento para o outro mas sem dúvida que passará por uma maior eficiência energética. Há vários pequenos passos (alguns dos quais também são remendos...): voltar a aumentar a rede dos comboios de mercadorias, redesenhar os trajectos de modo a poupar combustível e sobretudo dar preferência ao consumo de produtos locais. Qualquer apoio, isenção ou subsídio que seja dado ao sector da camionagem, que não seja dirigido para a reconversão deste sector é dinheiro deitado à rua.
Filipe

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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

ALELUIA!!

(por favor leia este post sentado, é que o choque pode ser grande)

Custou mas foi.

Teve de ser à força mas foi.

Foi necessário uma decisão do tribunal mas finalmente aconteceu.

O governo norte-americano publicou um relatório com o aborrecido título de "Scientific Assessment of the effects of global change in the United States". Este documento é histórico por duas razões:
- em primeiro lugar pelo atraso. De acordo com a lei federal americana o relatório deveria ter sido publicado em 2004. Foi preciso muito trabalho e intervenção da justiça para que a administração deixasse de fugir e cumprisse a lei.
- em segundo lugar porque no último parágrafo da primeira página depois do índice aparece uma afirmação histórica. A administração Bush admite pela primeira vez que existe uma elevada probabilidade (entre 90 e 99%) das alterações climáticas se deverem à acção humana.

É um momento tremendamente histórico, eu até abria uma garrafa de champanhe mas não quero libertar esse carbono que já está sequestrado.

Imaginem o que estes senhores poderiam ter feito com as energias, tempo e dinheiro que gastaram a tentar não publicar o relatório. Ou melhor não imaginem.

O que está feito, está feito (neste caso o que não foi feito, não foi feito).

Os senhores já admitiram, agora esperemos que façam qualquer coisa sobre o assunto.

José Luís

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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Nem a gregos nem a troianos

Há um par de semanas o Urso-polar foi classificado como espécie "ameaçada" pelo Departamento do Interior dos EUA. Agora esta instituição está a ser processada por um bloco de associações ambientalistas que afirmam que a espécie devia ter sido classificada "em perigo de extinção" porque só assim podiam ser dados passos para combater os factores que mais ameaçam a sobrevivência dos ursos (especialmente o aquecimento global). Com a classificação actual não é possível implementar restrições a novas perfurações para gás e petróleo.
Por outro lado, o governador do estado do Alasca também vai processar o governo americano, mas pela razão oposta: este governador acredita que o Urso-polar possui populações perfeitamente saudáveis e que não há modelos climáticos credíveis que demonstrem que existem alterações climáticas causadas pelo Homem.


Filipe

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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Devagar se vai ao longe

A companhia aérea SAS encontrou uma maneira viável de baixar o consumo dos seus aviões e consequentemente a emissão de poluentes: voar mais devagar.
Esta mudança, que já está a ser testada há dois anos, permitiu poupar algo como 12 milhões de dólares em combustíveis com uma demora de apenas alguns minutos em cada voo. Outra vantagem que a companhia espera obter é uma melhor imagem perante um público cada vez mais preocupado com o ambiente.
Com o aumento do preço dos combustíveis bem podemos seguir o exemplo da SAS: conduzir mais devagarinho (e se possível deixar o carro mais dias sossegado).

Filipe

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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

A administração Bush faz uma emissão importante...


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