Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Festas do Lixo

Jenny's Still Life
É engraçado como cada vez temos mais "festas". Além das mais tradicionais, Natal, Páscoa, Carnaval, Ano Novo, e todos os Santos Populares espalhados por esse Portugal, temos outras cada vez mais festivas e com mais obrigações, como os dias da Mãe e do Pai, o Halloween, o S. Valentim, a Benção das Fitas e ainda outras em crescente popularidade como dias para os Avós, o S. Patrício e tudo o que se puder inventar mais, para acrescentar aos festivais, dias de anos, dia da carta de condução, aniversários de casamento, de namoro, de divórcio, de noivado, de primeiro beijo e do dia em que vi aquela cena que tu sabes e que foi tão importante...

Este aumento progressivo do número de festividades importantes a festejar, acompanha um aumento progressivo daquilo que é preciso comprar para "bem festejar" estas efemérides. Quer-me parecer que todo este bazar obedece a uma lógica puramente comercial. Quanto mais dias "importantes" mais podemos vender, e melhor podemos decorar as nossas lojas de acordo com a estação.

O lado negro de tudo isto é o lixo. As prendas de anos e de Natal, os ovos da Páscoa, as prendas de fim de curso, e tudo que compramos para dar, para nos vestirmos bem, para beber e para comer produzem muitas toneladas de Lixo. E de todas as festinhas a recordista mundial do Lixo continua a ser o Carnaval. Não só compramos também um pouco de tudo nesta altura, como usamos serpentinas, papelinhos, balões de água, partidas de todo o tipo que não se reutilizam, fatos baratos que se estragam e ficam na rua, a legião de brinquedos de plástico manhosos que se deixam em qualquer sítio e as garrafas, latas e restos de comida que ficam depois do tradicional corso.

Que fazer então se tenho consciência ambiental e gosto de me divertir?
  • Começar por ser civilizado. Lixo no lixo e separado nos ecopontos;
  • Nem tudo o que se usa fica logo "Lixo". Dar as coisas usadas a quem ainda as queira (e dado há sempre quem queira);
  • Serpentinas e papelotes? São mesmo necessários?
  • Fatos e disfarces, já tentaste fazer os teus? Temos feito muitos de roupas velhas, trapos e todo o ripo de resíduos com resultados francamente surpreendentes!
E volto a repetir, bom senso naquilo que fazemos, mesmo quando estamos apenas a descomprimir depois de semanas de trabalho. Mas também, com tanta festa, a descompressão necessária já não é o que era!

Paz!

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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Reciclagem

Ecoponto, ReciclagemUm destes dias, num mail que me enviou, uma amiga punha a seguinte questão:

... e agora falando de separação do lixo, cá em casa faz-se a separação, mas no outro dia a minha mãe salta-se com mais ou menos isto:"não sei para que tou a perder o meu tempo se depois vamos ao ecoponto e aquilo tá tudo cheio e não recolhem."

"e estamos nós aqui a preocupar-nos e depois às tantas a separação é feita depois por trabalhadores", "e quem deve beneficiar daquilo que nós separamos (lucrativamente) são as juntas, câmaras... devia-nos ser dado algo em troca."

enfim... tentei argumentar mas não me saí muito bem...como mostras tu a uma pessoa o quão importante é fazermos isto?
A.

É verdade que muitos ecopontos não funcionam bem, especialmente nas grandes cidades. Muitas vezes estão cheios e temos que procurar outro ou voltar com as embalagens para casa. Outras vezes surgiu uma lixeira espontânea mesmo em frente dos contentores que nos impede de lá chegar ou que simplesmente nos repele pelo seu cheiro e aspecto. Noutras ocasiões deparamo-nos com um automóvel (mal) estacionado que nos barra o caminho, pelo menos se não formos grandes jogadores de basquete.
O que fazer? Em primeiro lugar podemos fazer o que qualquer cidadão faz quando lhe é prestado um serviço de má qualidade: reclamar. Para saber a quem pedir explicações, o GEOTA e a Sociedade Ponto Verde dispõem de um site "O meu ecoponto" onde nos podemos informar sobre qual é a entidade responsável pela recolha e manutenção dos ecopontos no nosso local de residência (veja aqui). Para além disso, o site dispõe de um sistema de avaliação do serviço prestado.
Porém, em muitos casos, o mau estado dos ecopontos deve-se a um mau uso por parte dos cidadãos e à falta de civismo. E esse é um problema mais difícil de resolver. Proteste, explique e eduque.

A separação é de facto feita por trabalhadores na central de triagem. Em primeiro lugar porque muitas pessoas se enganam (sem querer ou de propósito) e muitos resíduos vão parar ao contentor errado. Depois porque é feita uma triagem mais fina em que são separados diversos tipos de embalagens para poderem ser encaminhadas para as empresas que procedem à sua reciclagem.
O trabalho realizado nesta central de triagem seria muito mais difícil se não fizéssemos a separação.

Ecoponto, ReciclagemÉ certo que há quem beneficie economicamente com os resíduos que separamos, mas em troca é-nos prestado o serviço de encaminhar os resíduos para a reciclagem o que nos trás duas grandes vantagens:

-Se este lixo não fosse reciclado só teria dois destinos possíveis: incineração (com toda a libertação de poluentes que isso implica, incluindo as famigeradas dioxinas) ou deposição em aterro (com a consequente destruição de habitat, contaminação dos solos e dos lençóis freáticos e cursos de água).
-A outra vantagem é que vão ser produzidos novos objectos ou embalagens sem ser necessário ir buscar novas matérias-primas ao ambiente, poupando-se árvores, petróleo e outros recursos (limitados ou cuja exploração é poluente), e reduz-se o consumo de água e energia associados à sua exploração.

Ou seja, mesmo estando a dar lucro a algumas empresas, é-nos prestado um serviço, que não sendo lucrativo nos beneficia enquanto consumidores responsáveis.

O que não nos podemos esquecer é que Reciclar é apenas o terceiro R da política dos 3 Rs, depois de Reduzir e Reutilizar, apesar de ser o único dos Rs que tem direito a anúncios na televisão (precisamente porque dá lucro). Reduzir, que é o mais importante dos 3 Rs, é também o mais esquecido. Porquê? Porque não dá lucro a ninguém. Numa economia baseada no consumo e em que os apelos ao consumo estão por toda a parte, é mais ou menos tabu incentivar à sua redução.
Conclusão: separar o lixo para reciclar é bom, mas melhor mesmo é reduzir o consumo e reutilizar os materiais enquanto for possível.

Filipe

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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Primeiro havia uma montanha...



"Primeiro há uma montanha, depois não há montanha, e depois já há montanha outra vez"

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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Optimus Alive 2 - o desperdício

Provavelmente a única maneira de reunir num festival de três dias nomes tão importantes como Bob Dylan, Neil Young ou Rage Against the Machine (para falar do Optimus Alive, mas podia-se aplicar a quase todos os festivais) é ter um grande número de patrocinadores, preferencialmente grandes empresas. Claro que às empresas patrocinadoras interessa ter a maior visibilidade possível, daí que neste momento já estejam presentes até no nome do festival. É evidente que vão ter espaços próprios no recinto e que nos vão bombardear com publicidade nos plasmas no intervalo dos concertos. Até aí tudo OK, mas o excesso de merchandizing que é oferecido, sob a forma de chapéus, fitas, bolsinhas, apitos e papelada é demasiado, e é demasiado o lixo em que estes brindes se tornam no fim dos concertos. Numa altura em que já (quase) todas as crianças sabem de cor os 3 Rs, não era já tempo destas marcas recorrerem a formas de publicidade mais originais (até apareceram algumas durante o festival como os "carregadores de meninas" e as "bombeiras que refrescavam o público") e que produzissem menos resíduos?
Salta à vista a hipocrisia de festivais como o Rock in Rio, cujo o tema era o ambiente, em que a lixarada e o desperdício produzidos eram esmagadores.
Por favor: mais imaginação e menos lixo.

Filipe

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

O que faço com a lâmpada fluorescente usada?

No passado fim-de-semana, um amigo perguntou-me: o que é que eu faço com uma lâmpada fluorescente que já não funciona? Vai para o vidrão ou para o lixo normal? A resposta é nem uma nem outra.
As lâmpadas fluorescentes são de facto muito úteis porque consomem muito menos energia e duram muito mais tempo, permitindo grandes poupanças económicas e ambientais. No entanto, estas lâmpadas, como resíduo, são muito mais perigosas do que as lâmpadas incandescentes convencionais, já que contêm substâncias muito tóxicas como o mercúrio. Devem portanto ser manejadas com todo o cuidado para não serem quebradas, o que logo à partida exclui qualquer das duas opções que o meu amigo me colocou. Apesar da perigosidade, muitos dos componentes destas lâmpadas podem e devem ser reciclados.

Assim, as lâmpadas fluorescentes devem ser entregues no local de compra de novas lâmpadas. Estas lojas têm a obrigação de as enviar ao ecocentro, onde todos os resíduos são triados e dirigidos para os respectivos locais de reciclagem.

Filipe

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