Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

A Gralha-de-bico-vermelho e a sustentabilidade

Gralha de bico vermelho, Pyrrhocorax pyrrhocorax, corvideo, Serras de Aire e CandeeirosA Gralha-de-bico vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) é uma ave pertencente à família dos corvídeos, ou seja é um parente dos corvos, gralhas, pegas e gaios. Mas ao contrário dos seus parentes, que gozam de boa saúde em Portugal (com excepção do Corvo), é uma espécie ameaçada. Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, tem o estatuto "em perigo" já que a espécie tem sofrido um declínio continuado do número de indivíduos, da sua área de distribuição e da área com habitat favorável à sua ocorrência.

A Gralha-de-bico-vermelho, também conhecida por Choia como referência à sua vocalização muito característica, distribui-se pela Ásia Central e Europa, existindo também algumas populações isoladas no Norte de África. A sua distribuição é muito fragmentada, estando confinada a áreas montanhosas e costeiras ao longo do Norte do Mediterrâneo, com algumas pequenas populações nas Ilhas Britânicas e na Bretanha Francesa.
Em Portugal, a Gralha-de-bico-vermelho pode ser encontrada apenas em cinco núcleos de reprodução bastante afastados entre si: Costa Sudoeste (pouco mais de 30 indivíduos), Serras de Aire e Candeeiros (100 indivíduos), Douro Internacional (100-150 casais), Serra do Alvão (6 indivíduos) e Serra do Gerês (40 indivíduos).

Gralha de bico vermelho, Pyrrhocorax pyrrhocorax, corvideo, Serras de Aire e CandeeirosEsta espécie é bastante exigente na escolha do habitat que utiliza. Constrói os ninhos em fendas e buracos em escarpas, tanto costeiras como de montanha, e depende de áreas agrícolas em sistema extensivo e de pastagens para se alimentar de invertebrados do solo. A alteração das práticas agrícolas, o abandono do pastoreio (e consequente crescimento dos matos) e a florestação têm vindo a reduzir significativamente o habitat de alimentação das gralhas. Como se isto não bastasse, a espécie sofre também com a perturbação dos locais de nidificação e dormitórios com o incremento da prática de montanhismo, escalada, espeleologia e actividades de todo-o-terreno, sendo também prejudicada pelo o uso de pesticidas que aumentam a mortalidade dos indivíduos por ingestão de presas contaminadas.

Gralha de bico vermelho, Pyrrhocorax pyrrhocorax, corvideo, Serras de Aire e CandeeirosAs boas notícias são que estão em prática projectos para recuperar as Gralhas-de-bico-vermelho antes que seja tarde demais. Em primeiro lugar, o Projecto Bico-vermelho, que pretende contribuir para o estudo e conservação da Gralha-de-bico-vermelho no Noroeste de Portugal e, mais recentemente, um projecto que resulta da parceria entre a Quercus, a Vodafone e a Cooperativa Terra Chã, enquadrado no programa Buisiness & Biodiversity da União Europeia.
Este projecto visa recuperar o habitat das gralhas através dum regresso dos rebanhos de cabras às serras de Aire e Candeeiros. Com os 150 mil euros atribuídos pela UE vai ser adquirido um rebanho de cabras e vão ser recuperados estábulos, lançando-se as raízes de um negócio, que se pretende sustentável, que assenta na venda de carne, leite e queijos e na exploração do eco-turismo. É um projecto que alia a valorização do património cultural e natural, a criação de emprego numa região desfavorecida e a conservação da Natureza - esperamos que tenha os melhores resultados.

Filipe

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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Mobiliário e florestas tropicais

A Papua Nova Guiné possui a terceira maior área ocupada por floresta húmida tropical do mundo (a seguir ao Brasil e ao Congo). No entanto, este país está a sofrer uma desflorestação radical, podendo metade do seu coberto florestal desaparecer até 2021. Esta estimativa foi publicada num relatório da Universidade de Papua Nova Guiné que analisa 30 anos de imagens de satélite.
O governo deste país tem pressionado a comunidade internacional para que contribua com fundos para a conservação das suas florestas, recebendo pagamentos sob a forma de compensação pelas emissões e carbono dos países mais ricos. No entanto, o mesmo governo atribui licenças de exploração a todas as multinacionais madeireiras que as solicitam. De facto todos os terrenos acessíveis do país estão a ser exploradas, prevendo-se que até 2021, 83% das florestas acessíveis da Papua Nova Guiné vão estar danificadas ou terão desaparecido.

Este problema que parece tão distante e de difícil resolução só tem uma solução: é que deixemos de comprar madeiras tropicais que não estejam certificadas como sendo provenientes de explorações sustentáveis (ou deixar de comprar madeiras tropicais de todo). Ou seja, devemos ser mais exigentes quando compramos móveis e procurar sempre verificar junto do vendedor a origem da madeira.

Filipe

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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

ALELUIA!!

(por favor leia este post sentado, é que o choque pode ser grande)

Custou mas foi.

Teve de ser à força mas foi.

Foi necessário uma decisão do tribunal mas finalmente aconteceu.

O governo norte-americano publicou um relatório com o aborrecido título de "Scientific Assessment of the effects of global change in the United States". Este documento é histórico por duas razões:
- em primeiro lugar pelo atraso. De acordo com a lei federal americana o relatório deveria ter sido publicado em 2004. Foi preciso muito trabalho e intervenção da justiça para que a administração deixasse de fugir e cumprisse a lei.
- em segundo lugar porque no último parágrafo da primeira página depois do índice aparece uma afirmação histórica. A administração Bush admite pela primeira vez que existe uma elevada probabilidade (entre 90 e 99%) das alterações climáticas se deverem à acção humana.

É um momento tremendamente histórico, eu até abria uma garrafa de champanhe mas não quero libertar esse carbono que já está sequestrado.

Imaginem o que estes senhores poderiam ter feito com as energias, tempo e dinheiro que gastaram a tentar não publicar o relatório. Ou melhor não imaginem.

O que está feito, está feito (neste caso o que não foi feito, não foi feito).

Os senhores já admitiram, agora esperemos que façam qualquer coisa sobre o assunto.

José Luís

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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Obrigadinho!!


Quero apresentar os meus sinceros agradecimentos à AUDI, Mercedes, BMW e Porsche. O que mais fazia falta neste mundo são novos SUVs nas estradas mundiais.

Obrigadinho pelos novos modelos. O planeta já pode dormir descansado.


José Luís

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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Preservativos made in Amazónia

A Amazónia, onde a desflorestação avança a um ritmo assustador, tanto para exploração da madeira como para aumentar as áreas de pasto para o gado, é uma das regiões do globo onde a biodiversidade está mais ameaçada. É, por isso, urgente encontrar soluções que forneçam rendimento às populações locais, com actividades em que a floresta não seja danificada. O governo brasileiro avançou com uma boa ideia: a primeira fábrica de preservativos governamental do mundo (ver notícia). O látex de que vão ser feitos os preservativos será extraído de árvores-da-borracha da Reserva Chico Mendes (um conservacionista brasileiro assassinado em 1988 a mando de rancheiros), estando prevista a produção de 100 milhões de preservativos por ano.
Este negócio vai gerar rendimento para as populações locais (prevê-se que mais de 550 famílias irão receber um total de 2,2 milhões de reais anualmente) e vai reduzir a necessidade de abater árvores.
Além do mais, este projecto irá reduzir a dependência do Brasil em preservativos importados, que são distribuídos gratuitamente como parte do programa nacional de combate à SIDA (o governo brasileiro é o maior comprador mundial de preservativos).

Quando a biodiversidade está ameaçada por uma exploração excessiva dos recursos, a melhor solução para a preservar passa por oferecer uma alternativa económica viável baseada no uso sustentável dos recursos.
Fazem falta ideias inovadoras como esta, tanto por parte dos governos como dos privados, que rentabilizem os recursos existentes de um modo que possa ser compatível com a conservação dos espaços naturais.

Filipe

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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Bons exemplos que vêm dos Açores


As políticas de conservação dos recursos marinhos dos Açores estão entre as mais progressistas e bem sucedidas do mundo. A sua qualidade e reconhecimento público são de tal ordem que têm recebido elogios dos mais variados quadrantes, por exemplo, no ano passado foi a Greenpeace a apontar os Açores como um exemplo a seguir.
Habitualmente tais elogios adormeçem as autoridades, felizmente que neste caso tal não aconteceu. Ontem assistiu-se ao lançamento da mais recente iniciativa açoriana, a REMAx - Rede Experimental de Educação Marinha dos Açores, projecto que decorrerá até 2014 e que representará os Açores na Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. O projecto arrancou em fase experimental nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge, mas vai estender-se às restantes ilhas a partir de 2009.
A iniciativa acenta na criação de um modelo de rede social que terá como objectivo motivar o dinamismo de futuras acções de cooperação entre a comunidade científica, os agentes educativos e a sociedade em geral. A partilha de informação, a capacitação e a mobilização participativa da sociedade assegurarão que a conservação da biodiversidade marinha e o desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos da Região Autónoma dos Açores serão um objectivo partilhado por todos os açorianos e não apenas por algumas ONG, académicos e departamentos governamentais.
O projecto é financiado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e coordenado pelo Centro do IMAR da Universidade dos Açores.Espero sinceramente que as gentes do Continente e da Madeira estejam a seguir com atenção mais esta lição que vem dos Açores.

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Terça-feira, 17 de Julho de 2007

Questão Nuclear


De vez em quando (sobretudo quando o preço do petróleo bate recordes) o bicho da energia nuclear volta a levantar a cabeça. Os argumentos são muitos, alguns até são válidos (nomeadamente o da menor emissão de CO2 por MW produzido), enquanto outros nem por isso (a energia só é mais barata se apenas utilizarmos os custos de construção e operação de uma central, se considerarmos os custos com o desmantelamento após o fim de vida o preço dispara, o consumo de água, recurso natural com tendência crescente para escassear no nosso país, é brutal).
Para aqueles que até consideram o nuclear como uma hipótese que Portugal deve considerar eu deixo dois pensamentos, ambos assentes em acontecimentos das últimas três semanas.

Acidentes acontecem - No final de Junho um incêndio numa central eléctrica alemã colocou uma região em estado de alerta. O incêndio foi causado por um "mal entendido" entre funcionários, não houve fuga de material radioativo. Ontem um sismo no Japão causou uma fuga de material radioativo para o mar, hoje afirmavam que a fuga tinha sido controlada sem danos para o ambiente (esta é difícil de explicar) mas poderia haver uma segunda fuga, fruto da queda de barris com lixo radioactivo.
Apesar de todas as medidas de segurança, será que estamos dispostos a viver com a sombra de um acidente nuclear a pairar sobre nós? É que mesmo com a melhor segurança acidentes acontecem.

Consumo - Uma outra notícia publicada ontem informava que o consumo de energia eléctrica continua a aumentar em Portugal. Para piorar a situação este aumento é transversal a todos os sectores, sendo que o consumo doméstico aumentou 10,8%. Existem estimativas que apontam para uma redução de 20% do consumo através da substituição de electrodomésticos antigos por outros mais eficientes, não existem estimativas para a redução causada pela mudança de comportamento dos portugueses. Não estamos a fazer tudo o que podemos para resolver os problemas energéticos do país e do mundo. De quem deveria partir promover uma maior redução do consumo (Estado, empresas, ONG, público em geral)? Devemos esperar que venham regras e leis de "cima" ou por outro lado devemos promover as nossas próprias mudanças individuais e depois reivindicar que os outros actores da sociedade portuguesa também o façam?

Pense nisto na próxima vez que ligar o ar condicionado.

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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

Floresta sustentável




Portugal é um dos países europeus com maior percentagem de área ocupada por floresta no seu território. No entanto, a floresta, tal como o resto do país, carece de planeamento e ordenamento.


Aqui está um bom exemplo (e um site muito bom) de como uma floresta de produção pode ser sustentável, gerando riqueza e emprego, preservando-se a biodiversidade e proporcionando uma excelente área de lazer para a população.


Filipe

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